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Entre Curvas com Renata Garofano: F1 Além da Pista - R7

A batalha em Spa-Francorchamps não será só entre pilotos, mas entre baterias

A Fórmula 1 chega à Bélgica com um novo desafio: saber exatamente quando acelerar e quando economizar energia

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Tem circuito que arrepia só de aparecer no calendário. Para mim, Spa-Francorchamps é um deles. Basta ouvir “Eau Rouge” ou “Raidillon” que a expectativa já sobe alguns giros. Mas, desta vez, o Grande Prêmio da Bélgica promete chamar atenção por um motivo diferente: não será apenas coragem nas curvas. A disputa pode ser decidida, principalmente, pela forma como as equipes administrarem... energia.

E, convenhamos, isso também faz parte de correr entre curvas.


A Fórmula 1 de 2026 inaugurou uma nova realidade. Com as mudanças nas unidades de potência e na aerodinâmica ativa, Spa virou um dos maiores desafios do campeonato. O circuito belga tem 7 quilômetros de extensão, retas intermináveis e setores de altíssima velocidade, características que colocam a gestão da bateria no centro da estratégia.

Quem resume bem esse cenário é Andrea Stella, chefe da McLaren: “Spa será uma pista interessante para todos. Assim como Silverstone, será um circuito que exigirá muita energia.”


Na prática, isso significa que os pilotos precisarão escolher cuidadosamente onde gastar e onde economizar carga elétrica ao longo da volta. Em alguns momentos, levantar um pouco o pé pode render uma ultrapassagem alguns quilômetros depois.

E Spa nunca foi um lugar para decisões simples.


Historicamente, o circuito já obriga as equipes a encontrar o equilíbrio entre baixa resistência aerodinâmica para voar nas retas e pressão suficiente para encarar curvas como Pouhon com segurança. Agora, a equação ganhou uma variável ainda mais complexa: administrar energia sem perder desempenho.

“Ao ouvirmos nossos pilotos, percebemos que eles alertam sobre o quão imprevisível é a diferença de velocidade”, explica Stella como a nova dinâmica também altera a forma como acontecem as ultrapassagens.


Essa imprevisibilidade pode transformar a corrida em um verdadeiro jogo de xadrez. Afinal, não basta ter o carro mais rápido. Será preciso chegar às retas com energia suficiente para atacar — ou defender.

Spa, aliás, sempre premiou quem soube arriscar na hora certa. Foi assim na primeira vitória de Michael Schumacher, em 1992, construída após uma decisão estratégica brilhante de trocar para pneus slick antes dos rivais. Também foi assim em 2008, quando Nick Heidfeld apostou sozinho nos pneus de chuva e saiu do sétimo lugar para terminar no pódio.

Entre curvas lendárias e retas intermináveis, Spa-Francorchamps segue desafiando pilotos, engenheiros e estrategistas. Reprodução/Instagram @f1

Neste fim de semana, talvez o ingrediente surpresa não venha da chuva típica das Ardenas, mas dos quilowatts disponíveis no momento certo.

No fim das contas, Spa continua sendo Spa. Um circuito onde coragem, estratégia e talento dividem espaço em cada metro de asfalto. Só que, em 2026, além de acelerar forte entre curvas, será preciso saber exatamente quando guardar energia para atacar na próxima reta. E, às vezes, é justamente quem parece estar tirando o pé que está preparando o bote decisivo.

Resta saber quem vai entender melhor essa nova equação. Em Spa, a vitória será de quem acelerar mais... ou de quem souber economizar energia na hora certa?

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