Muito além de um salão do automóvel: Festival Interlagos coloca o apaixonado por carros no volante
Com test-drives no circuito e atrações para diferentes perfis de fãs, o evento transforma o autódromo em uma grande experiência
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Confesso: existe algo diferente quando a gente chega a Interlagos.
Não importa quantas vezes já passamos pelo autódromo ou quantas corridas acompanhamos pela televisão. Quando estamos ali, diante de uma pista que faz parte da história do automobilismo brasileiro, a sensação é outra.
Talvez seja o som dos motores. Talvez seja reconhecer curvas que tantas vezes vimos sendo disputadas por grandes pilotos. Ou simplesmente saber que estamos pisando no mesmo asfalto que já recebeu algumas das maiores estrelas da Fórmula 1.
E é justamente essa atmosfera que o Festival Interlagos – Edição Auto quer aproveitar.
A partir desta quinta-feira (27), o Autódromo de Interlagos se transforma novamente em ponto de encontro para quem gosta de carros. Mas, desta vez, a proposta vai muito além de olhar para lançamentos estacionados em estandes.
A ideia é colocar o público dentro da experiência.
E existe uma diferença enorme entre olhar para um carro e dirigir um carro.
De espectador a protagonista
Durante décadas, os grandes salões do automóvel seguiram praticamente a mesma fórmula: carros novos, superesportivos, conceitos futuristas e uma multidão circulando ao redor deles.
Era possível fotografar, admirar e imaginar como seria estar ao volante. O Festival Interlagos decidiu mudar essa relação.
O público pode encontrar lançamentos, tecnologia, performance e diferentes estilos de veículos, mas também tem a possibilidade de experimentar carros na pista, acompanhar apresentações de drift e participar de uma programação que mistura automobilismo, entretenimento e cultura automotiva.
Para Márcio Saldanha, CEO do Festival Interlagos, essa possibilidade de conduzir no circuito é justamente o coração do evento: “É a passagem da admiração passiva para a experiência ativa.”
E talvez não exista lugar melhor para fazer essa transição do que Interlagos.
A experiência de acelerar em um circuito que faz parte da história da Fórmula 1 não pode ser reproduzida em um showroom. Não importa o tamanho da concessionária ou a potência do carro exposto.
Uma coisa é ver um carro de 500 cavalos parado. Outra é sentir a aceleração, ouvir o motor, frear antes da curva e perceber o comportamento da máquina enquanto você está atrás do volante.
É a diferença entre conhecer um carro e viver um carro.
O mesmo asfalto de Senna
Para quem acompanha automobilismo, Interlagos dispensa apresentações. O circuito faz parte da memória de gerações de fãs e está diretamente ligado a momentos históricos da Fórmula 1 e do automobilismo brasileiro.
Ayrton Senna e tantas outras lendas do esporte já aceleraram naquele asfalto.
Agora, o Festival tenta aproximar o público dessa história de uma maneira diferente: permitindo que o fã, que normalmente acompanha as disputas da arquibancada ou pela televisão, também possa experimentar a pista.
Márcio Saldanha resume a importância dessa conexão ao lembrar justamente do peso histórico do circuito: “Dirigir no mesmo asfalto onde Ayrton Senna e outras lendas do automobilismo mundial fizeram história carrega uma carga emocional única.”
E carrega mesmo. Porque Interlagos não é apenas o endereço do Festival. É parte da experiência.
Afinal, quem é o apaixonado por carros?
Outro ponto interessante do evento é perceber que o fã de automóveis está longe de ter um único perfil.
Há quem seja apaixonado por velocidade e performance. Há quem prefira os clássicos. Quem dedique horas à preparação e à customização. Quem não troca um off-road por nada. E também quem simplesmente tenha uma relação afetiva com determinado carro.
O Festival reúne justamente essa diversidade.
Ana Paula Rodrigues, diretora executiva de Marketing da Suhai Seguradora, acredita que essa variedade representa o atual universo automotivo brasileiro: “Não existe um único perfil de apaixonado por carros.”
É uma observação importante.
A paixão por automóveis não necessariamente passa por potência, velocidade ou tempo de volta. Para algumas pessoas, um carro é uma máquina de performance. Para outras, é memória, estilo, liberdade ou até parte da própria identidade.
E talvez seja essa diversidade que faça eventos como o Festival Interlagos crescerem.
Os números mostram que existe público para essa proposta.
Na Edição Auto de 2025, o Festival recebeu 125,9 mil visitantes. Para 2026, a organização ampliou a estrutura com um novo pavilhão de 15 mil m², além de um centro de convenções para até 1.000 pessoas e espaços VIP. Considerando as duas edições do ano — Auto e Moto —, a expectativa é superar 400 mil visitantes em 2026.
Mas o crescimento não está apenas no tamanho do evento. Está também na tentativa de transformar o visitante em participante.
A fórmula apresentada pelo Festival está apoiada em três pilares: Experiência, Exposição e Entretenimento.
Na prática, é conhecer os lançamentos, descobrir tecnologias, ver carros de diferentes categorias, acompanhar o drift, aproveitar a programação musical e, principalmente, experimentar o que está sendo apresentado.
Velocidade também exige responsabilidade
E se a proposta é colocar o público para acelerar, a segurança precisa fazer parte da conversa.
As experiências de pista seguem protocolos e exigem requisitos mínimos de habilitação e documentação, de acordo com a complexidade dos veículos. Também há teste do bafômetro antes do acesso à pista.
Para Ana Paula Rodrigues, velocidade e responsabilidade não precisam ser conceitos opostos: “Segurança e diversão não são conceitos opostos.”
É uma mensagem que vale ser reforçada justamente porque Interlagos desperta no apaixonado por automobilismo aquela vontade quase infantil de acelerar. Só que existe uma diferença enorme entre viver a velocidade em um ambiente preparado para isso e tentar reproduzi-la nas ruas.
Na pista, a emoção pode andar ao lado da responsabilidade.
O carro como experiência
Talvez essa seja a principal transformação que o Festival Interlagos representa.
O consumidor chega cada vez mais informado. Pesquisa modelos, acompanha lançamentos, conhece tecnologias e compara carros antes mesmo de entrar em uma concessionária.
Nesse cenário, apenas colocar um veículo em exposição já não parece suficiente.
É preciso criar uma experiência.
E isso explica por que o Festival mistura carros novos e clássicos, superesportivos e customizados, performance e entretenimento. Porque o automóvel deixou de ser apenas um produto.
Como explica Ana Paula, ele também representa “escolhas, interesses, estilos de vida e formas de expressão”.
Para quem gosta de carros, essa mudança faz todo sentido. Afinal, ninguém se apaixona por uma máquina apenas olhando para uma ficha técnica.
A gente se apaixona pelo som do motor. Pela aceleração. Pela sensação de uma curva. Pela história daquele modelo. Pela lembrança de uma corrida. Pelo piloto que fez história com ele.
No fim das contas, talvez seja justamente essa a grande força do Festival Interlagos.
Ele entendeu que a paixão por carros não cabe em uma vitrine. Ela precisa ser sentida.
Entre uma reta e outra, entre uma freada e uma curva, o carro deixa de ser apenas uma máquina e passa a contar uma história.
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