BMW quebra a hegemonia e conquista Interlagos no Mundial de Endurance
Marca alemã supera Cadillac e Ferrari em uma corrida decidida na estratégia diante de quase 85 mil fãs

Tem corrida que se decide na velocidade. Outras, na estratégia. O Rolex 6 Horas de São Paulo, disputado neste domingo em Interlagos, mostrou que, no Mundial de Endurance, o segredo está justamente em equilibrar esses dois ingredientes. E foi exatamente isso que a BMW fez.
A marca alemã conquistou sua segunda vitória na era Hypercar ao vencer a etapa brasileira do FIA WEC com o BMW M Hybrid V8 #15, conduzido por Kevin Magnussen, Raffaele Marciello e Dries Vanthoor.
Mas reduzir o resultado apenas ao desempenho do carro seria simplificar uma corrida que foi construída curva após curva, stint após stint e pit stop após pit stop.
Quem assistiu ao treino classificatório poderia apostar na Cadillac. Afinal, a fabricante norte-americana monopolizou a primeira fila e parecia ter encontrado o melhor acerto para Interlagos. Só que corrida de endurance raramente respeita o roteiro da classificação.
A BMW soube esperar o momento certo. Magnussen fez uma largada consistente, aproveitou os problemas enfrentados pelos Cadillacs nas primeiras paradas e colocou o carro na liderança. A partir daí, a equipe fez aquilo que melhor define uma prova de longa duração: não cometeu erros.
Enquanto alguns adversários acumulavam punições, contatos e pequenos contratempos, o trio da BMW manteve um ritmo constante durante as seis horas de prova. No fim, Dries Vanthoor recebeu a responsabilidade de levar o carro até a bandeirada e confirmou uma vitória construída muito mais pela inteligência estratégica do que por um ataque desesperado nas voltas finais.
A Ferrari também merece destaque. Depois de um início discreto, a equipe italiana transformou uma corrida aparentemente comum em uma bela recuperação. O 499P #51 escalou o pelotão, aproveitou cada oportunidade e cruzou a linha de chegada apenas 2,2 segundos atrás dos vencedores, mostrando por que segue entre as principais forças da categoria.
Já a Cadillac deixou Interlagos com um sentimento agridoce. O domínio demonstrado no sábado não se repetiu no domingo. Problemas nos boxes, toques e penalizações impediram uma vitória que parecia perfeitamente possível. Ainda assim, o terceiro lugar do carro #12 amenizou um pouco o prejuízo.
Entre os brasileiros, Pipo Derani viveu um fim de semana de emoções diferentes. Competir diante da torcida sempre tem um significado especial, mas dois incidentes logo nas primeiras voltas comprometeram qualquer chance de um resultado mais expressivo para o Genesis #17.
A 15ª colocação certamente não refletiu o potencial da equipe, mas o carinho recebido do público mostrou que o automobilismo nacional continua valorizando seus representantes no cenário internacional.

Na LMGT3, a comemoração foi da Racing Team Turkey by TF, que conquistou sua primeira vitória na categoria com o Corvette Z06 LMGT3.R. A corrida também teve participação de Augusto Farfus, que terminou em 12º lugar com o BMW #32.
Mas talvez o maior vencedor do fim de semana tenha sido o próprio evento.
Interlagos voltou a provar que existe espaço para muito mais do que a Fórmula 1 no calendário internacional. O público respondeu, o ambiente foi de festa e o FIA WEC entregou um espetáculo em que a estratégia vale tanto quanto a coragem. Para quem esteve nas arquibancadas, ficou evidente que as seis horas passaram rápido demais.
E é justamente aí que mora o encanto do endurance. Nem sempre vence quem acelera mais forte. Muitas vezes, vence quem entende melhor o momento de atacar, de preservar equipamentos e de pensar a corrida como um grande quebra-cabeça.
Foi entre curvas, freadas e decisões milimetricamente calculadas que a BMW escreveu seu nome na história da etapa brasileira de 2026. E, se depender da resposta do público, o Mundial de Endurance já pode considerar Interlagos uma de suas paradas obrigatórias.
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