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‘O Brasil não tem laterais. Como vai ganhar a Copa?’. Júnior, bicampeão mundial

O lateral que fez história no Palmeiras e no São Paulo expõe sua preocupação com a falta de grandes jogadores na sua posição, nesta Copa do Mundo. E sabe apontar os culpados. ‘Os técnicos brasileiros estão acabando com os laterais ofensivos como eu fui.’

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Júnior foi campeão do mundo em 2002, com a Seleção, e em 2005, com o São Paulo. Chegou à final do Mundial com o Palmeiras em 1998 DIvulgação/CBF

Bicampeão do mundo.

Chegou à decisão por três vezes.


A primeira perdeu com o Palmeiras. Foi pentacampeão com a Seleção da família Scolari. E tricampeão do mundo vestindo a camisa do São Paulo.

Jogador tão talentoso quanto subestimado.


Jenilson Angelo de Souza fez história.

Teve uma carreira assustadoramente vitoriosa.


Filho de uma família muito pobre, era um dos dez irmãos. Viu no futebol a ‘salvação’ da família. Era ponta esquerda, muito talentoso. Até que foi improvisado na lateral esquerda. Nunca mais deixou a posição.

“Me achei. Porque tinha habilidade e velocidade para jogar pelo lado do campo. Era o desafogo nos contragolpes. Sempre fui rápido. Os grandes times campeões sempre tiveram laterais importantes. E eu sei que fui um deles. Tinha de ser. Consegui ajudar meus pais e todos os meus irmãos. O futebol foi o meio.”


Júnior fez muito sucesso ao surgir no Vitória. Foi contratado pelo Palmeiras com uma missão ‘quase impossível’, mas que não titubeou para aceitar. “Fui contratado para substituir Roberto Carlos.

“Quando eu cheguei, de camisa estampada, chinelo, franzino, o Müller me sacaneou. ‘Esse aí vende camisas no Brás. Como é que vai jogar no lugar do Roberto Carlos?’. Mas a verdade é que o Müller virou meu grande amigo. E fizemos muito estrago pelo lado esquerdo do Palmeiras. Ele teve de dizer: ‘Baiano, você é demais!’

Foi Vanderlei Luxemburgo quem apostou no seu futebol. Mas foi Felipão que o levou ao título da Libertadores. Mas na decisão do Mundial o fez chorar de medo.

”Ele mostrou tanto vídeo do Beckham decidindo jogos pelo Manchester United que eu fiquei impressionado. Um dia acordei chorando de medo, raiva. Sentia que iria ser o responsável pelo Palmeiras não ganhar o Mundial. Acordei o Zinho, o Sampaio.

“Só sosseguei quando o Cléber me deu um aparelho de música com salmos.

“E benzeu minhas pernas.

“No fim, anulei o Beckham. E nós tomamos o gol pelo outro lado”, diz, rindo.

Felipão o levou para a Seleção.

“Fui reserva do Roberto Carlos, que é uma pessoa sensacional. E o melhor lateral esquerdo da história. Entrei contra Costa Rica, dei assistência e fiz gol. Fiquei animado. Mas o Vampeta, que é meu irmão, me sacaneou. ‘Se enxerga. Você não vai tomar a posição do Roberto Carlos nunca. E ele tinha razão.’“

Pentacampeão do mundo, foi para o Parma. Ganhou a Copa da Itália, marcando o gol decisivo na final. Queria voltar para o Palmeiras.

“Mas o então presidente Mustafá Contursi falou que não tinha dinheiro para me pagar. Fui magoado. Acabei indo para o São Paulo, que foi excelente. Ganhei a Libertadores e o Mundial de Clubes.”

Júnior é muito direto em relação à atual Seleção que joga a Copa do Mundo. “Vou ser claro: o Brasil não tem laterais. Como vai ganhar a Copa?”, pergunta, irritado.

“Os técnicos brasileiros mataram os laterais ofensivos, que foi sempre o nosso diferencial. Esse é o problema.”

Aos 53 anos, Júnior é muito requisitado para jogos de exibição. Avesso a entrevistas, desta vez, ele não se segurou. E fez vários desabafos. E contou histórias inéditas.

Deixou ainda mais claro o quanto o futebol o subestimou...

A entrevista, na íntegra, está no Canal Cosme Rímol, no YouTube. São mais de 190 personagens do esporte brasileiro. Principalmente os ligados ao futebol.

A cada terça-feira, uma nova exclusiva.

A entrevistas mais marcantes passam na Record News, aos sábados, às 10 horas...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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