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‘Tentei, tentei. Agora acabou! Comecei aqui. Acabei aqui!’ Derrotado, Neymar diz adeus à Seleção. Ancelotti montará ‘novo’ Brasil sem Neymar

Quarto fracasso em Copa do Mundo coloca fim na trajetória de Neymar na Seleção. O casamento acaba dos dois lados. O jogador não quer mais jogar pelo Brasil. E Ancelotti começará a montar um time para 2030 sem ele

Cosme Rímoli|Do R7

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Neymar chorou muito aqui no MetLife. Sabia que depois da quarta Copa do Mundo perdida, não haverá quinta. Adeus à Seleção Brasileira Werther Santana/ Conteúdo Estadão

New Jersey, MetLife, Estados Unidos.


Os passos eram firmes.

Os olhos estavam inchados.


A fisionomia estava fechada, raivosa.

Eu estava entre os 200 jornalistas imprensados na ‘zona mista’ do estádio MetLife.


Zona mista é onde os jogadores são obrigados a passar depois das partidas da Copa.

É um corredor imenso onde aqueles atletas que quiserem falam com os repórteres.


Mas ele não quis.

Ignorou os inúmeros pedidos para que falasse.

Pior, olhou com rancor os que gritavam seu nome.

Sabia que sua caminhada era o último ato como jogador da Seleção Brasileira.

Foram 80 gols e 58 assistências em 130 jogos com a camisa verde e amarela.

Fracassou quatro vezes na sua promessa de fazer o Brasil campeão do mundo.

Na verdade, de ele ganhar o título.

Em 2014, uma joelhada do colombiano Zuñiga encerrou a mais promissora Copa.

Em 2018, péssimo futebol e simulações que viraram memes.

Em 2022, foi contundido e caiu nas quartas.

Em 2026, Ancelotti o tolerou lesionado, jogou só 37 minutos, 16 contra a Escócia e ontem mais 21, na eliminação diante da Noruega, nas oitavas de final.

“Tentei, tentei. Agora acabou.

“Comecei aqui e acabei aqui.”

Neymar balbuciou estas palavras ainda no gramado.

Resumiu o que significou essa passagem tumultuada, coberta de mentira, mistério e fracasso definitivo.

Fogos de artifício, comemoração imensa da população e até de jornalistas dos veículos de comunicação que transmitiriam a Copa.

Foi assim marcada a convocação do jogador, dia 18 de maio, no Rio de Janeiro, depois de uma festa imensa, com direito a shows, no Rio de Janeiro.

Algo exagerado. Festa imensa organizada pela CBF. Nenhum país fez nada parecido para a chamada dos atletas para disputar a Copa.

Tudo por causa dele.

Sua chamada foi motivo de festa, mas marcada por uma mentira.

Ele chegou com uma lesão de grau 2 na panturrilha direita. O Santos repetiu várias vezes que ele tinha uma contusão simples. A CBF endossou, concordou.

Ancelotti jurou que não chamaria nenhum atleta que não estivesse 100% fisicamente.

Mas Neymar levou quase um mês de recuperação. Quem mentiu para quem?

A verdade é que o camisa 10 da Seleção, que tanto queria disputar sua última Copa, não conseguiu atuar nem por um tempo de jogo, somando os minutos que esteve em campo.

Aos 34 anos, com 45 lesões e cinco cirurgias, esse torneio era o último que jogaria pelo Brasil. Seria sua última tentativa de ganhar uma Copa do Mundo pela Seleção.

Mesmo recuperado da lesão, Ancelotti via nos treinos que Neymar não era o mesmo Neymar que admirava, dez anos atrás.

O maior exemplo dessa decepção foi na partida contra o Japão. O Brasil sofria, empatava, e o técnico italiano não viu como Neymar contribuiria e não o colocou um minuto sequer.

O pôs ontem, o camisa 10 de útil só cobrou um lance. Cobrou o pênalti sofrido por Casemiro. Descontou o placar que estava 2 a 0 para a Noruega.

Ainda com um derradeiro ato de provocação.

Quando Neymar pegou a bola para bater o pênalti, Nyland gritou para o brasileiro.

“Eu vou te parar, eu vou te parar.”

Irônico, o camisa 10 rebateu: “Tem certeza?”.

E Neymar ainda provocou.

“Onde quer (que eu bata)?”.

Depois de marcar o gol, ele sorriu para o goleiro e falou.

“Comigo não, comigo não.”

Depois, Neymar corria para o meio-campo. Mas viu Odegaard, que estava de costas para ele. O brasileiro fez questão de dar uma ombrada no norueguês. Endrick afastou o veterano brasileiro para não provocar um tumulto.

O camisa 10 havia discutido com o jogador pouco antes do gol. E se vingou.

Mal o jogo acabou, Neymar desabou. Sentou no gramado e começou a chorar. Sabia que desta vez era a última. Não mais disputaria nenhuma Copa pela Seleção.

Pior, não jogaria mais pelo Brasil.

Ele encerrava sua passagem na Seleção no mesmo lugar onde fez a sua primeira partida com a camisa verde e amarela, no estádio de New Jersey, em 2010, com Mano Menezes como treinador.

O fim de casamento é mútuo.

Ancelotti quer começar um novo ciclo na Seleção.

E não há mais lugar para Neymar.

O italiano sabe de toda a influência que o jogador tem como líder desta geração.

Mas sabe que o veterano entrou na sua fase final de carreira. E não iria convocá-lo mais, já que seu alvo é a Copa do Mundo de 2030.

Acabou.

Quem viu Neymar com a camisa da Seleção, viu.

Ele teve partidas fabulosas, impressionantes.

Mas em jogos decisivos da Copa do Mundo, não.

Com a Seleção principal só ganhou a Copa das Confederações, em 2013.

Marcante foi a conquista da medalha de ouro olímpica, em 2016, quando avisou.

“Vocês vão ter de me engolir.”

Engolimos até ontem, 5 de julho de 2026.

Agora acabou, a Seleção vai viver sem Neymar...

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