‘Não aceitei ficar cortando cana. E comendo banana verde com farofa. Mudei a história do São Paulo. Abri caminho para as Libertadores e Mundiais.’ Macedo
Em entrevista reveladora, Macedo mostra como foi encontrar os bastidores da CBF ‘bagunçados’, sem disciplina, com treinador defendendo os cariocas. Abandonou a Seleção. Foi fundamental na conquista da primeira Libertadores pelo São Paulo

Ele reinventou a própria vida.
“Não aceitei ser cortador de cana e seguir comendo banana verde com farofa. Muito menos ter uma geladeira amarrada com arame. O futebol era a minha única salvação. Dei minha vida em campo e consegui uma carreira vencedora. Mais do que isso, tirar a minha família da pobreza. Meus pais eram analfabetos. Sofreram muito”, resume, emocionado, Macedo.
Seu talento não passou despercebido pelo São Paulo. Telê Santana pediu a sua contratação junto ao Rio Branco, de Americana.
“Cheguei com 20 anos e me deslumbrei. De repente eu era conhecido, as tevês e os jornais imploravam por entrevistas. Não havia como não se deixar contaminar. Pirei.” E Macedo pirou mesmo.
“Comprei um carro novo, vi a foto gigante de uma cantora americana. Pediu para a loja seis pôsteres e colei nas portas, no capô, no teto do carro. E fui para a concentração. O Telê ficou tão louco que me mandou tirar as fotos e devolver o carro. Exigiu que eu comprasse uma casa para os meus pais”, diz, rindo.
A mais conhecida situação é a do seu cabelo dreadlock. “Levei dez horas para mandar fazer o penteado. Dez horas. Foi o ex-lateral Vitor quem me levou para o salão. Paguei caro. Quando o Telê viu, ficou histérico. ‘Tire essa trança já. Ou não vai jogar mais no São Paulo’.”
“Levei mais três horas tirando.”
Macedo agradece muito o quanto Telê Santana desenvolveu seu futebol. E relembra duas situações limites. A primeira foi na Libertadores. O São Paulo havia perdido o primeiro jogo contra o Newell’s Old Boys. E precisava vencer no Morumbi.
“O jogo estava 0 a 0 e íamos perdendo o título. O Telê me pôs em campo, de tanto que a torcida pediu. O jogo estava dificílimo. Até que entrei na área, com personalidade, decidido a fazer o gol. Se toco a bola, como o Telê queria, não teria sido derrubado. Pênalti. O Rai bateu e marcou. Fomos para a decisão por pênaltis e ganhamos a primeira Libertadores. Eu sou muito responsável pelo São Paulo valorizar e engatar as conquistas da Libertadores e dos Mundiais.”
A outra passagem fundamental foi quando Telê o indicou para a Seleção Brasileira pré-Olímpica.
“Cheguei lá e era uma bagunça só. O Ernesto Paulo era o técnico e só defendia os cariocas. Não tive dúvida. Abandonei a Seleção e voltei para o São Paulo. O Telê ficou tão revoltado que decidiu me deixar no banco de reservas. Aí chegou o Palhinha, o time encaixou. E me dei mal. Errei feio. Paguei caro.”
Macedo ainda cometeria outro erro dolorido. “Fui emprestado para o Cadiz, da Espanha. Me sentia muito sozinho. Havia outros clubes na Espanha que me queriam, mas forcei a barra e voltei ao Brasil. Minha vida financeiramente seria outra se eu tivesse ficado.”
Ele jogou pelo Cruzeiro. Fez sucesso no Santos. Quase vai parar na Seleção Brasileira. Grêmio.
“Eu tive dois encontros fantásticos. O primeiro foi com Ronaldo Fenômeno começando no Cruzeiro. Viramos amigos, parceiros. Vi um gênio nascer para o futebol. Fizemos várias farras.
“Depois, vi outro. Ronaldinho Gaúcho. A mesma coisa. Parceria, amizade e farras. Minha carreira daria um livro espetacular.“
Livro, por enquanto, não. Mas a entrevista exclusiva com Macedo há espaço para risadas, surpresas... E algumas lágrimas...
A entrevista na íntegra está no Canal do Cosme Rímoli, no YouTube. São mais de 200 personagens ligados ao esporte desse país.
As mais marcantes vão ao ar na Record News, todos os sábados, às 10 horas.
“As suas entrevistas são como biografias faladas”, elogiou o maestro João Carlos Martins, que também foi um dos personagens marcantes com seu depoimento impressionante no canal...













