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Os motivos do fracasso. Nem o melhor técnico do mundo salvou o Brasil do improviso. Queda nas oitavas é humilhante. Fim da era Neymar

A eliminação de hoje, diante da Noruega, revela a falta de um planejamento sério. Ancelotti teve apenas 14 jogos antes da Copa. Testou 60 jogadores. E ainda continuou buscando um time no Mundial. A fórmula do desastre se confirmou. Não há milagre no futebol moderno. Ainda mais em uma geração de jogadores coadjuvantes. São 28 anos sem Copa do Mundo

Cosme Rímoli|Do R7

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As caretas de Neymar na Seleção acabaram. Fim de uma era de frustrações Lucas Figueiredo/CBF

New Jersey, Estados Unidos


O Brasil pagou o preço pelo improviso.

Deixa de forma precoce mais uma Copa do Mundo.


Pela sexta vez seguida.

Desde 2006, as eliminações se acumulam, com o país pentacampeão não conseguindo sequer chegar a disputar uma final.


Trazer o melhor técnico do mundo, a preço de ouro, não foi suficiente para o milagre acontecer.

Só 14 partidas antes da Copa, testando 60 jogadores, desde maio de 2015, não é preparação digna, racional, para um país tão tradicional e tão ávido por ser campeão do mundo de novo.


As trocas no comando da CBF atingiram diretamente o selecionado. Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior, de filosofias completamente diferentes de Ancelotti, estiveram à frente da Seleção, desde os fracassos de Tite nas Copas de 2018 e 2022.

O técnico italiano foi convidado por Ednaldo Rodrigues e foi Samir Xaud que o recebeu, como presidente da CBF.

Xaud foi logo aconselhado a insistir pela renovação de Ancelotti até 2030.

Porque a cúpula da CBF sabia muito bem que as chances da Seleção Brasileira eram reduzidas aqui nos Estados Unidos.

Não houve tempo para montar um time com identidade própria. Ancelotti ficou indeciso em montar sua equipe com quatro atacantes ou três jogadores de marcação no meio-campo. O que faz enorme diferença.

A convicção, sua marca registrada, por exemplo, no Real Madrid, esteve ausente dentro do gramado. Houve inúmeros momentos de ‘branco’, em que o Brasil deu espaços preciosos, por não ter sincronismo, dinâmica decorada de jogo. Isso leva tempo.

Treinadores que sempre trabalharam em clubes sentem esse problema ao assumir o comando de um selecionado. Ancelotti foi auxiliar na Itália, derrotada pelo Brasil na final da Copa do Mundo de 1994.

Não bastasse encontrar uma geração de coadjuvantes nos seus clubes, Ancelotti teve de lidar com Neymar.

O maior ídolo do futebol brasileiro, desde 2010, comandou uma campanha para que disputasse a última Copa. Fizesse a sua última dança.

Houve enorme pressão de todos os lados, de patrocinadores, das redes sociais, das TVs e streaming que transmitiriam a Copa.

Ancelotti cedeu. Convocou Neymar contundido. Tinha de trazê-lo. Até como escudo. E os minutos que o jogador de 34 anos esteve em campo infelizmente comprovaram.

Segue um ídolo midiático, mas um veterano de 34 anos, 44 lesões, cinco cirurgias. Sem explosão muscular para arrancadas, dribles, sem velocidade. Uma pálida sombra do jogador que foi.

Ancelotti errou feio ao apostar em quatro atacantes contra Marrocos. Se corrigiu diante do Haiti, Escócia e Japão, ao ter três jogadores vigiando as intermediárias e atacando quando encontravam espaço.

Mas veio a contusão de um jogador que, aparentemente, não seria fundamental ao time: Paquetá. E Ancelotti voltou ao seu sonho.

Quatro jogadores ofensivos contra a Noruega.

Desprezou o potencial ofensivo do time de Haaland.

Pagou caro.

Mas tem a aura da proteção do ciclo.

Ou a falta dele.

Terá mais quatro anos para fazer tudo que deixou de fazer, pelo pouco tempo. Pelo improviso.

O preço pago foi caro.

A frustrante eliminação da Copa do Mundo de 2026.

Quanto a Neymar, ele disputou quatro vezes o torneio. E não conseguiu o sonhado título.

O Brasil criou, em três Copas, 2014, 2018 e 2022, a Neymardependência. À toa, até. Essa obsessão em um jogador deu muito errado.

Ancelotti até o trouxe para os Estados Unidos.

Agradou a opinião pública.

Mas percebeu que não tinha condições de colocá-lo como titular. E nem como primeiro reserva.

Situação pesada para quem já foi o principal jogador brasileiro entre 2013 e 2023.

O tempo passou também para Neymar.

O Brasil começará, a partir de amanhã, um novo período no seu futebol.

Ancelotti terá quatro anos para montar uma seleção capaz de ser campeã.

Sem Neymar.

O adeus de hoje contra a Noruega foi constrangedor...

Veja também: Brasil está pronto para enfrentar a Noruega

Seleção Brasileira fez último trabalho antes do desafio pelas oitavas de final da Copa do Mundo.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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