‘Efeito Cabo Verde’ preocupa Ancelotti. Colocar o Brasil aberto, com quatro atacantes, com Martinelli, pode ter um preço caro. Danilo Santos está a postos
Técnico projeta o Brasil altamente ofensivo contra a Noruega, amanhã. Coloca quatro atacantes no treinamento, com entrada de Martinelli. Mas resultado o deixou indeciso. O problema é dar espaço demais para os europeus. Danilo Santos na vaga de Paquetá é mais racional. Decisão sobre o time será feita hoje
Cosme Rímoli|Do R7

New Jersey, Estados Unidos
Cabo Verde terminou sua incrível participação na Copa do Mundo de 2026.
Perdeu por 3 a 2 para a Argentina de Messi, sofrendo gol na prorrogação. Foi eliminado nas oitavas-de-final.
Mas Carlo Ancelotti é muito frio, pragmático.
Sabe que a seleção surpresa da Copa se aproveitou do fato de a Argentina querer atacar tanto, que ofereceu contragolpes e espaço a Cabo Verde.
A Noruega, adversário de amanhã, aqui no MetLife, em New Jersey, tem muito mais qualidade e efetividade.
O italiano treinou ontem com Martinelli entre os titulares. Ganhou mais movimentação, com seu revezamento na meia, com Matheus Cunha.
Rayan e Vinicius Júnior tiveram mais um jogador letal para articularem no ataque.
Efeito colateral: Casemiro e Bruno Guimarães sobrecarregados. Danilo e Douglas Santos expostos.
Pagar o preço da ousadia?
Tentar decidir a classificação logo no início do jogo?
Ou montar uma equipe mais equilibrada, com Danilo Santos no lugar de Paquetá, contundido?
Com ele em campo, Bruno Guimarães, o principal jogador do Brasil com passes para gol, poderá se projetar e atacar. Sabe que estará coberto pelo onipresente volante do Botafogo.
Danilo e, principalmente, Douglas Santos, poderão se arriscar na frente.
Em compensação, a marcação sobre Rayan, Matheus Cunha e Vinicius Júnior será mais fácil para os noruegueses.
Foi assim que Ancelotti treinou na quinta-feira.
Há uma grande preocupação real neste segundo jogo eliminatório do treinador, comandando a Seleção.
O italiano não quer ver o mesmo desespero que afetou o Brasil, em vários momentos, contra o Japão, após sofrer o primeiro gol.
Muito menos dar chance para que a Noruega se torne o ‘Cabo Verde que deu certo’.
Além das filmagens por drone, da observação dos assistentes, Ancelotti está dividindo com os jogadores o estudo sobre a melhor formação.
É uma decisão muito importante e com peso para definir o futuro do Brasil nesta Copa do Mundo.
Ainda mais porque a Seleção decidirá a vaga entre os melhores do torneio debaixo de um enorme calor.
As autoridades têm alertado sobre o ‘calor extremo’ que está dominando os Estados Unidos neste verão impiedoso.
De maneira discreta, a CBF sondou a Fifa sobre a possibilidade de a partida ser disputada à noite, com um clima mais ameno, e não às 17 horas daqui (18 horas no Brasil). A resposta foi ‘não’.
A decisão tática sobre o time, sobre Danilo Santos e Martinelli, ficou para hoje, véspera do jogo. Situação que não é normal para treinadores brasileiros.
“Para mim, posso definir a escalação dos atletas um dia antes. Sem o menor problema. Porque eles estão bem treinados. Podem jogar da maneira que for melhor para o Brasil”, repete Ancelotti.
Ele deverá outra vez treinar ‘em segredo’, longe da imprensa neste início de tarde.
Com treino entre 11 hora e meio-dia e meio.
Ancelotti está realmente dividido, como nunca esteve nesta Copa.
Sua escolha terá reflexos imediatos.
E que pode trazer mais confiança para seu time.
Ou enorme dificuldade diante da Noruega, adversário muito perigoso.
Bem mais do que Cabo Verde...
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Seleção Brasileira fez último trabalho antes do desafio pelas oitavas de final da Copa do Mundo.













