Carta de pai de Neymar é início da pressão pela tentativa de volta do filho à Seleção. Mas Ancelotti avisou à CBF. Novo ciclo começa sem Neymar. CBF aceitou
Italiano já deu a última chance que grande parte dos brasileiros queriam a Neymar. O blog conseguiu a informação de que Ancelotti quer aproveitar os próximos quatro anos e montar uma seleção competitiva, sem o ídolo midiático, que não fez a menor diferença nesta Copa. Em 2030, ele terá 38 anos. Desta vez, a cúpula da CBF concorda
Cosme Rímoli|Do R7

New Jersey, Estados Unidos.
A reputação de melhor treinador do mundo foi atingida em cheio.
Televisões, portais e jornais internacionais questionam as atitudes táticas de Carlo Ancelotti e, principalmente, a vexatória eliminação ainda nas oitavas de final.
O treinador não quis nem encarar a mídia e a torcida brasileira, se recusando a voltar ao país no voo que parte hoje daqui de Nova York para o Brasil.
Exigiu suas férias.
Viajou para o Canadá, país de sua esposa. Está previsto o retorno ao trabalho, na CBF, no início de setembro.
Até lá, Ancelotti sabe que as coisas deverão estar muito menos à flor da pele, com o Brasileiro e a Libertadores ganhando espaço nos noticiários de futebol.
E aí ele poderá, sim, dar início ao seu sonhado ciclo de quatro anos. Observar muito de perto o grupo que vai montar para a Copa de 2030.
O primeiro ponto que deixou claro, e o blog teve acesso à notícia, é simples, direto.
Chega de Neymar.
O treinador italiano, que é muito astuto, sabia que precisava convocar o maior ídolo midiático do país.
Até por uma questão política.
Se não trouxesse Neymar e o time perdesse, as cobranças seriam pesadas, duras. Atingiriam diretamente o presidente Samir Xaud.
Aliás, já há movimentos políticos para tentar derrubar o dirigente, fortalecidos com a perda da Copa.
Sem Neymar e com o Brasil derrotado, Xaud estaria ainda mais exposto.
Ancelotti sabia que o jogador de 34 anos, 45 lesões e cinco cirurgias, não tinha condições de acrescentar muita coisa ao time. Não possui mais arranque, força muscular, velocidade. O que é normal para um veterano que se recusou a ter uma vida espartana de atleta, como Messi e Cristiano Ronaldo. E também teve tantas lesões.
O talento nato de Neymar é indiscutível. Mas a capacidade de colocá-lo em prática é.
Ancelotti pagou uma espécie de pedágio à opinião pública, à grande parte da imprensa, até a defensores do pensamento político de Neymar.
Tudo certo. O trouxe contundido e tudo. E o campo provou que o tempo de Neymar, infelizmente, passou.
Ancelotti está absolutamente livre para formar a Seleção que o seu alto conhecimento escolher. Livre até de Neymar.
Cartas emocionantes desta vez não vão abalar o pragmatismo de Ancelotti.
Sim, Neymar Pai expôs seu amor pelo filho, novamente para a opinião pública, pedindo para ele continuar a jogar futebol. Algo que não é direcionado a clubes, porque ele vai seguir.
É para Neymar não abandonar a Seleção.
Só que o técnico, multicampeão da Champions, sabe: todo o respeito mundial que conseguiu não pode ser abalado para agradar a jogador veterano. Não, de novo.
A influência de Neymar no grupo que veio para os Estados Unidos foi muito forte.
Ele é ídolo, referência de muitos atletas que, garotos, o viram brilhar.
“Foi incrível falar com ele. Dividir a mesa. Conversar, trocar passes. Parecia um sonho”, disse Rayan. “Nunca pensei em estar na mesma Seleção Brasileira com ele”, confessou Endrick.
Ou seja, Neymar é tão marcante que os próprios atletas esperam algo que ele não tem mais condições físicas de oferecer.
Daí que, desta vez, Ancelotti colocará a Seleção em um caminho oposto ao de Neymar.
Dará a Vinicius, na plenitude de sua forma física, a chance real de suceder o jogador do Santos.
E a tarefa de Ancelotti poderá ficar muito mais fácil.
A possibilidade de Neymar seguir jogando no Brasil é bastante pequena.
Suas negociações com o Inter Miami e com o FC Cincinnati fracassaram, por enquanto. Mas o desejo de atuar no futebol norte-americano só cresceu com o fracasso na Copa.
Há a certeza de Neymar de que a rejeição que sofrerá das torcidas adversárias do Santos será ainda pior do que sofria. Como as cobranças para o clube, que deve mais de um bilhão de reais, não ser rebaixado no Brasileiro.
Continuar no Brasil seria mais desgaste para o atleta que passeia em Orlando, após a Copa.
Ele sabe, sentiu com Ancelotti não o colocando um minuto sequer contra o Japão, que já não é importante para a Seleção.
E que o italiano quer ter o direito de montar o Brasil para 2030 sem ele.
Mesmo nas redes sociais, acabaram os pedidos, as campanhas, as promessas, as novenas.
Não há mais clamor por Neymar na Seleção.
A CBF ficou muito mais aliviada para o ‘sim’ a Ancelotti.
Ele está livre para pensar seu time sem o camisa 10.
Neymar é página virada na Seleção...
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