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Ousadia? Genialidade? Ou perigosa teimosia? Ancelotti prepara o Brasil com quatro atacantes para a decisão de hoje, contra a Noruega. Blefe?

Mal acabou o último treinamento e, como ‘por encanto’, vazou o time que Ancelotti preparou para o jogo. Com Martinelli substituindo Paquetá. Confirmada essa escolha, o italiano mexe com todo o sistema tático brasileiro. O 4-2-4 que deu errado contra Marrocos

Cosme Rímoli|Do R7

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Ancelotti sabe do risco da partida. Será o adversário mais duro, até agora, na Copa. A Noruega tem um time muito competitivo. Quatro atacantes é um risco Divulgação/CBF

New Jersey, Estados Unidos

Carlo Ancelotti é metódico.


Ainda mais nesta Copa, em jogos eliminatórios, que ele chama de ‘mata’.

E o italiano sabe que vale a sobrevivência da Seleção no Mundial, hoje aqui no MetLife, contra a Noruega, às 16 horas (17 horas, no Brasil).


Ele chega a ser simples no seu raciocínio.

Coloca em campo o time que mais treina.


E seguindo essa lógica, o Brasil vai ser ousado. Muito ousado.

Se não estiver blefando, ele escalará a Seleção com Alisson, Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro e Bruno Magalhães; Rayan, Matheus Cunha, Vinicius Júnior e Martinelli.


Sim, ele voltou a treinar ontem com Martinelli na vaga do contundido Paquetá.

A decisão altera toda a movimentação do time que estava equibrado, depois do desastroso começo do Brasil, na Copa, no primeiro tempo contra Marrocos.

Ele também colocou quatro atacantes. Paquetá exerceu a função de ponta direita. Igor Thiago, Raphinha e Vinicius Júnior.

Deu muito errado. Os marroquinos perderam a chance de abrir, pelo menos, dois gols de vantagem. Fizeram apenas um. E tomaram o empate quando Ancelotti mudou a equpe no intervalo.

Paquetá voltou a ser terceiro volante, onde rende mais. E Igor Thiago deixou o time. Matheus Cunha, muito mais versátil, nunca mais saiu da equipe.

A Noruega não é só Haaland. Tem jogadores técnicos em todos os setores. E bem físicos. É o selecionado mais alto de toda a Copa.

Emtodos os sentidos é bastante arriscado ter apenas dois jogadores com sentido de marcação no meio-campo.

Se Martinelli entrar, a dupla estara sacrificada e o Brasil pode perder o controle, o ritmo de jogo, que passará a ser perigoso.

Matheus Cunha deixará a área adversária, passará a auxiliar Casemiro e Bruno Guimarães, que de jogador de maior número de assistências, para um simples volante, preocupado em marcar.

“Se for o Martinelli, terei de ser mais defensivo”, disse ontem, sem mostrar satisfação.

Vinicius Júnior também mudaria de função, já que passaria a se revezar com Martinelli pela esquerda. E Rayan, que já não conta com o apoio de Danilo, que atua mais como terceiro zagueiro, ficaria ainda mais isolado.

Ou seja, Ancelotti faria ao contrário do que se eternizou no futebol, mexeria, e profundamente, no que está dando certo.

Colocar Martinelli no meio do segundo tempo contra o Japão, abrir o time para tentar a virada é uma coisa. Agora começar o jogo, contra a Noruega montada no 4-1-4-1, com atletas muito fortes fisicamente e com habilidade, é outra história.

Ancelotti estaria dando munição para Stale Solbakken. O time europeu tem grande intensidade, ataca, defende, recompõe com velocidade e desce para a frente em bloco.

A ousadia, se efetivada, pode ser traduzida como teimosia. Seria Ancelotti voltando ao que esboçou contra o Panamá, na goleada por 6 a 2, último amistoso no Brasil, antes da Copa. A goleada só se concretizou quando time ficou mais equilibrado, sem os quatro atacantes.

A obsessão pelo 4-2-4, pode ser um blefe, situação incomum na maneira de Ancelotti trabalhar.

Ele estaria distraindo a atenção da imprensa e da Comissão Técnica norueguesa e faria o simples. Colocar o vibrante volante Danilo Santos na vaga de Paquetá, o que seria muito mais lógico.

Todos manteriam sua função tática que já estão acostumados: Matheus Cunha só se preouparia com o ataque. Assim como Rayan e Vinicius Júnior.

Bruno Guimarães teria mais espaço para voltar a ajudar o ataque, com suas assistências e chutes fortes para o gol, de fora da área.

Ancelotti é o mais vitorioso técnico da história. Ganhou cinco Champions.

Sabe como ninguém montar equipes vencedoras.

Mas se ele seguir o que treinou, sob o sol escaldante dos Estados Unidos, ele correrá sério risco no jogo de hoje.

Ao contrário do que acontece na Champions, as partidas decisivas não são ‘mata-mata’, ou seja, não há jogo de volta.

Ancelotti aposta na técnica, no talento, no improviso, nos dribles, na movimentação do ataque.

E corre o risco de ter uma equipe espaçada, vulnerável sem a bola.

O jogo de hoje no MetLife não tem outra definição, se Ancelotti bancar seus quatro atacantes.

Pode ser tudo, com o time conseguindo a classificação, de forma impositiva, para enfrentar o vencedor de Inglaterra e México, nas quartas, em Miami.

Ou corre o risco de ter amarga surpresa por tanta ousadia...

Veja também: Brasil está pronto para enfrentar a Noruega

Seleção Brasileira fez último trabalho antes do desafio pelas oitavas de final da Copa do Mundo.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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