Felipão ganha o jogo. E mostra para Borja quem manda
O Palmeiras foi bem diferente do Corinthians. Venceu o Colo Colo por 2 a 0, em Santiago. E está a um passo da semifinal da Libertadores. Graças a Scolari
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

São Paulo, Brasil
Todos os méritos da fundamental vitória do Palmeiras contra o Colo Colo, por 2 a 0, em pleno estádio Monumental, em Santiago, têm um dono.
E ele sabe o passo gigantesco que sua equipe deu para chegar à semifinal da Libertadores. Os chilenos precisam vencer por três gols de vantagem na arena palmeirense, dia 3 de outubro.
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E foi além, após a partida deu uma enquadrada em Borja, que reclamou, jogou garrafa d'água no banco de reservas.
Não iria deixar que estragasse o ambiente depois de uma vitória importantíssima, com força para empurrar o time dar confiança não só na Libertadores, mas no Brasileiro e na Copa do Brasil.
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O colombiano se espantou com a abordagem ainda no gramado. Parece que não havia percebido que o treinador deixou de ser Eduardo Baptista há muito tempo. Com o técnico, as coisas são resolvidas na hora.
O treinador o segurou pelo pulso e o cobrou. Não aceitaria chiliques que poderiam atrapalhar o time e desmoralizar seu comando. A mensagem foi compreendida.
Tantou que o atacante acabou pedindo desculpas imediatamente.
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Descobriu com quem estava lidando.
Seu nome, Luiz Felipe Scolari.
Se dentro do gramado, o treinador promoveu uma grande surpresa, fora dele, foi o de sempre. Valorizando o adversário e dando uma entrevista mais para alertar seus jogadores. Está proibida a acomodação. A sensação de já estar na semifinal.
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Sua entrevista foi para acalmar a compreensível euforia dos jogadores, da diretoria, da imprensa e da torcida.
"São 180 minutos, o Edu acabou de falar no vestiário que nada terminou. Temos uma vantagem nos 90 minutos, construída de maneira muito bonita, mas também tivemos vantagem contra o Cerro e dificuldades para classificar. Fizemos dois gols, mas o Colo-Colo também teve três ou quatro chances vivas de gol.

"Tem de respeitar. Eles são ótimos jogadores, muito bons, com um sistema interessante e vamos ter dificuldade em São Paulo. Os jogadores sabem disso e já estão se cuidando", disse o técnico que exige concentração total na partida na arena palmeirense.
"A gente tinha um espelho de como jogava o Colo-Colo. Alas avançados, colocamos eles naquele setor, três zagueiros e dois atacantes. Tivemos a sorte e felicidade de sair o segundo gol logo em seguida.
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"São situações que trabalhamos, estudando o adversário de como tirar proveito da forma de jogar e quando entendíamos que não tínhamos o controle da bola, usamos mais um zagueiro e o Jean para ter controle e o contra-ataque com dois jogadores rápidos, o Willian e o Dudu. Foi o que aconteceu."
A 18 dias de completar 70 anos, Felipão conseguiu surpreender Héctor Tapia, com 30 anos a menos, que poderia ser seu filho. O treinador chileno jamais esperaria que o Palmeiras começasse a partida marcando sob pressão, como estivesse em casa, enfrentando uma equipe pequena.
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E foi assim, encurralando o dono da casa, que o time brasileiro teve o início dos sonhos. Borja insistiu, brigou pela bola com a zaga, ganhou, tocou para Dudu, recebeu na frente, do lado esquerdo da grande área. Bateu de esquerda, cruzado. Ela chegou em Moisés que, com muita calma, rolou para Bruno Henrique fuzilar Orion. 1 a 0, Palmeiras.
Os chilenos perceberam que o time de Felipão era bem diferente do Corinthians de Osmar Loss. Com excelente atuação de Bruno Henrique, Thiago Santos e, principalmente, Moisés, o Palmeiras dominou o meio de campo. Teve maior posse de bola e teve a chance, nos primeiros 30 minutos de jogo, de fazer mais um ou dois gols.
Só que os chilenos foram colocando a cabeça no lugar, passaram a entender o Palmeiras. E, aos poucos, Valdivia passou a jogar bem. Mostrar seus dribles inesperados, suas arrancadas, lançamentos. Está passando por ótima fase no futebol chileno e estava motivado demais por enfrentar seu ex-time.
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O Palmeiras trocou o 4-2-3-1 para o 4-1-4-1. Felipão queria duas coisas. Poupar fisicamente seu time, evitar o desgaste. E, também, atrair o Colo Colo, para ter espaço aos contragolpes que insiste em treinar no CT da Barra Funda.
Além do grande talento de Valdivia com a bola dominada, os chilenos tem nas cobranças para a área de Paredes uma grande arma. A confusão que ele consegue ao bater direto ou levantar a bola, o atacante criou problemas sérios para a defesa palmeirense.
No segundo tempo, Felipão teve a coragem de recuar ainda mais seu time. Sabia que o Colo Colo faria de tudo para buscar o empate. E seria fatal que abrisse o time, deixando espaço aos contragolpes.
O técnico Tapia sabia que se saísse com uma derrota, jogando na sua casa, as chances seriam remotas de reverter a situação em São Paulo. E adiantou seu meio de campo e criou sérios problemas para o Palmeiras.
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Principalmente nas jogadas articuladas por Valdivia. Mas além de jogar, ele segue com a péssima mania de acertar o rosto de quem tenta tomar a bola de seus pés. Foi assim que fez Dudu e Moisés.
Mas Felipão seguia impassível, tinha certeza que seu time encaixaria um contragolpe objetivo.
E ele veio, aos 32 minutos, Willian, livre, invadiu a área chilena e bate forte. Orion consegue espalmar, mas a bola caiu nos pés de Dudu. Ele não teve a menor dificuldade em marcar 2 a 0.

O jogo estava acabado.
O Palmeiras feliz com a estupenda vantagem.
E o Colo Colo perdido em campo.
Tanto que ainda conseguiu ter um jogador expulso.
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Aos 52 minutos, com o auxílio do VAR, o lateral esquerdo tomou cartão vermelho, por uma entrada tão desleal quanto violenta em Mayke. Ótima notícia para Felipão que ele não jogará a revanche em São Paulo.
Ao final da partida, enquanto todos os jogadores comemoravam, Felipão procurou Borja.
O pegou pelo braço e cobrou respeito a ele e aos companheiros. Olhando no olhos do colombiano, que não esperava tamanha demonstração de autoridade.
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Scolari conseguiu.
Venceu o jogo importantíssimo na Libertadores.
Viu o Palmeiras chegar à marca histórica de cinco vitórias fora de casa na Libertadores.
E ainda segue se mostrando como o grande líder desse time.
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