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‘Sou negro e nunca baixei a cabeça. Me impus no São Paulo, no Corinthians, por onde passei. O Brasil é um país racista.’ Bernardo

O ex-volante vigoroso, talentoso do São Paulo, do Corinthians e do Santos, sempre foi um jogador de grande personalidade. Foi para a Alemanha, atuar no Bayern. Enfrentou casos de racismo. ‘Não só na Europa, como também no Brasil. Nunca recuei. E nunca vou recuar.’ Ele se tornou empresário importante e trabalha, preferencialmente, com jogadores negros. ‘Sei o que vivi e ajudo, oriento para as dificuldades do futebol e do racismo’

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Bernardo foi bicampeão brasileiro pelo São Paulo. Foi para o Bayern e voltou para ser campeão com o Corinthians Paulo Pinto/AE — 14.06.1995

‘Um dos melhores volantes que treinei. Vigoroso, técnico, inteligente. Tanto que foi para o Bayern, da Alemanha.’


Telê Santana

‘Ele era fo... Anulava o melhor adversário. Na bola e no peito. Não tinha conversa. Na final da Copa do Brasil, o Felipão não deixava os adversários aquecerem no gramado. Trancava a porta que dava acesso ao campo. E colocava dois seguranças. O Bernardo não quis nem saber.


‘Quebrou a porta. Foi para cima dos seguranças, que fugiram. Aquecemos no gramado e fomos campeões contra o Grêmio no Olímpico. Bernardo jogava para ca... E ninguém botava banca com ele.’

Marcelinho Carioca.


Bernardo Fernandes da Silva exala carisma, liderança e personalidade forte, aos 61 anos, como mostrou durante toda a sua carreira.

Segue o mesmo com a imprensa.


Sério, sabe que teve uma carreira não só vitoriosa, como pioneira.

Enfrentou com firmeza todo o racismo da Alemanha reunificada. Mesmo tendo sido comprado pelo clube mais rico, mais poderoso, o Bayern.

‘Sou negro, com orgulho. Nunca admiti que racista nenhum me humilhasse. Na Alemanha, na Holanda. Por onde eu passei. Assim como no Brasil.

‘Que ninguém se engane.

‘O país segue sendo muito racista.’

Bernardo enfrentou racismo na Alemanha. Foi firme. E segue até hoje ativista. 'O Brasil é um país racista. O negro não pode baixar a cabeça. Eu não baixei' Divulgação/Bayern

Dentro do campo, Bernardo teve uma carreira invejável.

‘O futebol mudou minha vida. Me fez crescer financeiramente e como pessoa. Eu era ‘almoceiro’, entregava almoços, de cavalo, para as pessoas que trabalhavam na roça, na fazenda, no interior de São Paulo.

‘Conheci o mundo graças ao futebol. E pude ter acesso à cultura, entender como o mundo funciona. Principalmente para os negros.’

Bernardo era um volante que tinha excelente visão de jogo, técnico, ótimo no cabeceio.

Mas ganhou fama como marcador implacável.

‘Não dava espaço mesmo. O futebol permitia, nas décadas de 80 e 90, maior contato físico. E eu chegava mesmo. Protegia a zaga. Não dava brecha.’ Se destacou na Francana. De lá, surgiu o Marília. E o São Paulo ganhou a concorrência do Corinthians.

‘Meu pai, que tinha uma personalidade mais forte que a minha, tinha fechado com o Corinthians. Mas o Vicente Matheus deu um ‘chá de cadeira’ de horas para atendê-lo. Ele esperou e fez questão de dizer ao presidente que eu não ficaria no Parque São Jorge. Por falta de respeito com ele, pelo Matheus não ter nos recebido no horário.

‘Fui muito feliz no São Paulo, com o Cilinho. Montamos um time fantástico. Depois com o Telê Santana. Não fiquei para as Libertadores e para os Mundiais porque o Bayern me comprou.”

Na Seleção Brasileira, teve uma passagem marcante.

Explica agora o que ninguém entendia.

Não ser convocado.

“Era o melhor volante do Brasil. Ganhei a Bola de Prata da revista Placar. O Carlos Alberto Silva me chamou para o Pré-Olímpico. Mas ele preferia um outro, o Douglas. O que era uma injustiça. Douglas acabou expulso. E o Carlos Alberto me falou que eu iria jogar. Veio me abraçar. Não aguento falsidade. E o empurrei.

“Joguei. E muito bem, um dos melhores da Seleção. Conseguimos a vaga. Mas nunca mais fui convocado.”

Bicampeão brasileiro pelo São Paulo. Melhor volante do Brasil. Foi injustiçado na Seleção Brasileira Reprodução/Instagram Bernardo

Marcante também foi seu retorno ao futebol paulista, depois do Bayern, América do México, Vasco.

“Estava com 30 anos e cheguei desacreditado. Falaram que eu estava acabado, pela idade. O que me deu mais vontade ainda de vencer. Fui titular e peça importante para a Copa do Brasil, o Paulista e o Ramón de Carranza.”

Depois do final de carreira, Bernardo se tornou um empresário importante. E agora trabalha com atletas do exterior, preferencialmente negros.

‘Eu sei as dificuldades que vivi e procuro orientar os jovens jogadores para se fortalecerem e enfrentarem esse mundo do futebol, que é muito cruel.’

A entrevista, de forma integral, com Bernardo está no canal Cosme Rímoli, no YouTube.

São mais de 200 personagens ligados ao esporte.

E mais de 17 milhões e 500 mil acessos.

Toda terça-feira, uma entrevista exclusiva.

As mais marcantes passam na Record News.

Todo sábado, às 10 horas...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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