Trump e a Fifa não só estragaram a imagem da Seleção dos EUA. Provocaram a revolta da mídia. Sabotaram o psicológico dos jogadores. Admite Balogun
Balogun assume: estratégia do presidente dos Estados Unidos, para colocá-lo em campo, mesmo tendo de cumprir suspensão por expulsão, foi um tiro na culatra para a seleção norte-americana. Atingiu em cheio o psicológico dos atletas, pressionados pela revolta da mídia mundial

São Paulo, Brasil
Eu estava nos Estados Unidos, acompanhando a Seleção, quando a Fifa anunciou que Balogun, apesar de ter sido expulso contra a Bósnia e Herzegovina, estaria livre para jogar contra a Bélgica, nas oitavas-de-final.
De forma assumida, o presidente Donald Trump entrou em contato com o presidente da Fifa, Gianni Infantino.
A suspensão automática usada normalmente não aconteceu.
A Fifa anunciou que o atacante norte-americano poderia jogar.
A alegação foi o artigo 27 do Código Disciplinar que prevê que o ‘órgão judicial pode suspender total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar’.
Infantino é um advogado renomado.
Ele sabe muito bem todos os detalhes da legislação esportiva.
Mas a raríssima liberação do norte-americano provocou revolta nos jornalistas que estavam cobrindo o Brasil.
Não só de brasileiros. Argentinos, italianos, espanhóis, japoneses. E até mesmo de norte-americanos.
Não é esse o critério no mundo todo.
Cartão vermelho é suspensão automática, o atleta fica sem atuar no próximo jogo.
Donald Trump assumiu ter agido para ajudar a Seleção Norte-Americana.
E fez pior.
Colocou, sem provas, o caráter do árbitro brasileiro Raphael Claus sob suspeita.
O que parecia uma grande manobra foi um tiro no pé.
A pressão da mídia mundial transformou o caso em escândalo.
Afetando diretamente o lado psicológico do time norte-americano.
O próprio Balogun assumiu hoje, que Trump errou.
“Minha reação inicial foi de felicidade por estar de volta à equipe. Mas, ao refletir, percebi que isso causaria muita controvérsia.
“E eu quase conseguia ver um pouco de nervosismo nos meus companheiros de equipe, porque é algo muito singular.
“Conforme o jogo se aproximava, eu tentava me concentrar o máximo possível, mas era difícil.
“Havia muita interferência externa e é difícil ignorá-la”, disse à rede norte-americana de tevê, CBS.
A ‘interferência’ que o atacante se refere foi a denúncia da imprensa mundial de favorecimento explícito aos Estados Unidos.
Os jogadores e o treinador argentino Mauricio Pochettino.
O resultado prático foi péssimo.
Apesar de a equipe belga ser mesmo melhor, ajudou demais a passividade dos norte-americanos em campo.
Não havia coragem de contestar as decisões do jordaniano Adham Makhadmeh.
Os jogadores estavam visivelmente perturbados.
Balogun se comportava com receio nas divididas, tenso.
A manobra de Trump atingiu em cheio a imagem positiva da Seleção dos Estados Unidos na Copa.
E até mesmo dentro de seu país.
As críticas de veículos de comunicação importantes só serviram para manchar o trabalho digno de Pochettino.
A punição de Balogun foi suspensa.
Será julgada em 2027.
Para o bem da justiça e do futebol, a articulação política deu errado.
Mas, infelizmente, abriu brechas para novas intervenções.
Cabe à Fifa se posicionar de maneira mais firme.
E não se submeter à pressão de quem quer que seja.
Mesmo se for o presidente dos Estados Unidos.
Nunca uma goleada belga foi comemorada pelo mundo todo....














