Logo R7.com
RecordPlus
Cosme Rímoli - Blogs

Trump e a Fifa não só estragaram a imagem da Seleção dos EUA. Provocaram a revolta da mídia. Sabotaram o psicológico dos jogadores. Admite Balogun

Balogun assume: estratégia do presidente dos Estados Unidos, para colocá-lo em campo, mesmo tendo de cumprir suspensão por expulsão, foi um tiro na culatra para a seleção norte-americana. Atingiu em cheio o psicológico dos atletas, pressionados pela revolta da mídia mundial

Cosme Rímoli|Cosme RímoliOpens in new window

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Balogun admite. A intervenção de Trump para que sua expulsão não fosse penalizada sabotou o lado psicológico do time norte-americano IMAGN IMAGES via Reuters/Blake Dahlin - 06.07.2026

São Paulo, Brasil

Eu estava nos Estados Unidos, acompanhando a Seleção, quando a Fifa anunciou que Balogun, apesar de ter sido expulso contra a Bósnia e Herzegovina, estaria livre para jogar contra a Bélgica, nas oitavas-de-final.


De forma assumida, o presidente Donald Trump entrou em contato com o presidente da Fifa, Gianni Infantino.

A suspensão automática usada normalmente não aconteceu.


A Fifa anunciou que o atacante norte-americano poderia jogar.

A alegação foi o artigo 27 do Código Disciplinar que prevê que o ‘órgão judicial pode suspender total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar’.


Infantino é um advogado renomado.

Ele sabe muito bem todos os detalhes da legislação esportiva.


Mas a raríssima liberação do norte-americano provocou revolta nos jornalistas que estavam cobrindo o Brasil.

Não só de brasileiros. Argentinos, italianos, espanhóis, japoneses. E até mesmo de norte-americanos.

Não é esse o critério no mundo todo.

Cartão vermelho é suspensão automática, o atleta fica sem atuar no próximo jogo.

Donald Trump assumiu ter agido para ajudar a Seleção Norte-Americana.

E fez pior.

Colocou, sem provas, o caráter do árbitro brasileiro Raphael Claus sob suspeita.

O que parecia uma grande manobra foi um tiro no pé.

A pressão da mídia mundial transformou o caso em escândalo.

Afetando diretamente o lado psicológico do time norte-americano.

Trump assumiu ter ligado a Infantino e pedido a revisão da suspensão de Balogun Leah Millis/Reuters - 28.08.2018

O próprio Balogun assumiu hoje, que Trump errou.

“Minha reação inicial foi de felicidade por estar de volta à equipe. Mas, ao refletir, percebi que isso causaria muita controvérsia.

“E eu quase conseguia ver um pouco de nervosismo nos meus companheiros de equipe, porque é algo muito singular.

“Conforme o jogo se aproximava, eu tentava me concentrar o máximo possível, mas era difícil.

“Havia muita interferência externa e é difícil ignorá-la”, disse à rede norte-americana de tevê, CBS.

A ‘interferência’ que o atacante se refere foi a denúncia da imprensa mundial de favorecimento explícito aos Estados Unidos.

Os jogadores e o treinador argentino Mauricio Pochettino.

O resultado prático foi péssimo.

Apesar de a equipe belga ser mesmo melhor, ajudou demais a passividade dos norte-americanos em campo.

Não havia coragem de contestar as decisões do jordaniano Adham Makhadmeh.

Os jogadores estavam visivelmente perturbados.

Balogun se comportava com receio nas divididas, tenso.

A manobra de Trump atingiu em cheio a imagem positiva da Seleção dos Estados Unidos na Copa.

E até mesmo dentro de seu país.

As críticas de veículos de comunicação importantes só serviram para manchar o trabalho digno de Pochettino.

A punição de Balogun foi suspensa.

Será julgada em 2027.

Para o bem da justiça e do futebol, a articulação política deu errado.

Mas, infelizmente, abriu brechas para novas intervenções.

Cabe à Fifa se posicionar de maneira mais firme.

E não se submeter à pressão de quem quer que seja.

Mesmo se for o presidente dos Estados Unidos.

Nunca uma goleada belga foi comemorada pelo mundo todo....

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.