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Sem visita a Lula, sem festa, sem Ancelotti, sem Neymar. Chega o voo da melancolia, da Seleção. No avião, só Danilo e a desilusão voltaram

Impregnado pela derrota em mais uma Copa, o luxuoso avião, avaliado em R$ 1,1 bilhão, fretado pela CBF, voltou hoje para o Brasil. Dos 26 convocados, só Danilo decidiu embarcar. Os outros 25 jogadores e Ancelotti, que fracassaram na Copa, foram aproveitar as férias e não quiseram retornar com o avião oficial. Escapam de dar explicações

Cosme Rímoli|Do R7

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O avião da esperança se tornou o avião da melancolia. Dos 26 convocados, só Danilo aceitou retornar no mesmo avião Divulgação/CBF

New Jersey, Estados Unidos.

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Na calada da madrugada, quase clandestino.

Era assim que o gigante metálico de R$ 1,1 bilhão tocaria o solo do aeroporto do Galeão, no Rio.

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Solitário, constrangido.

Justo ele que partiu todo pintado de esperança.

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Orgulhoso, com as cores da nossa bandeira.

Certo que iria fazer história.

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Diante dele, naquele hoje distante primeiro de junho, 26 jogadores e Carlo Ancelotti posaram.

De terno, gravata e ar de que sabiam o que queriam.

Encararam as lentes oficiais da CBF.

Tinham encontro marcado.

Volta reservada para o dia 20 de julho.

Sairiam de Nova York com a cobiçada taça dourada, que não viam desde 2002.

Caças da Força Aérea Brasileira acompanhariam o avião assim que entrasse em território nacional.

Desembarcaria em Brasília, para mostrar a taça ao presidente do Brasil.

Ancelotti já o havia visitado e prometido o retorno com o objeto de desejo.

Depois, Rio de Janeiro, desfile em carro aberto.

Os demais jogadores fariam a mesma coisa nos seus estados de origem.

Só que o sonho virou pura melancolia.

A certeza de 28 anos de jejum garantiu o desinteresse.

Quem quer receber um time que não consegue ficar nem entre os oito melhores de um campeonato?

Apenas Danilo, entre os 26 convocados, teve a coragem de entrar no Boeing 767-300ER, da Aeronexus, da África do Sul, com 96 lugares de primeira classe.

E que foi usado pelos Rolling Stones, na turnê mundial de 2022, para a comemoração de 60 anos da banda.

É uma oportunidade de colocar a culpa em Mick Jagger, que acumula derrotas no futebol.

Mas todos sabem que a culpa no fracasso na Copa dos Estados Unidos não pode ser colocada no colo do cantor de 82 anos.

Nem no avião de extremo luxo que a CBF colocou à disposição dos 26 atletas que levou para a terra de Trump.

Os inúmeros motivos já estão sendo dissecados nas redes sociais, nos portais, nas intermináveis mesas redondas, no Brasil e no mundo.

O que importa é que o avião que saiu do país cercado de carinho, batucada, esperança, voltou.

Sem caças ao seu lado.

Sem motivo para pousar em Brasília.

Com seus ocupantes não visitando o presidente Lula.

Sem Neymar podendo mostrar o poder do home office.

Ficou em Orlando, passeando com a família.

Neymar partindo para a quarta Copa. Quarta desilusão Divulgação/CBF

Sem a população ter orgulho de Ancelotti mostrar saber o que não sabemos: a letra do hino nacional.

Ele não vai cantar o hino para a esposa, andando de mãos dadas em Toronto, no Canadá.

Vinicius Júnior foi para Ibiza.

Não festejar o ‘avião da Copa’ é já querer começar a esquecer.

Fazer de conta que a Copa de 2026 jamais existiu.

O que vale agora é sonhar com 2030, que já está aí, como diria o bom Vanucci.

Um avião de R$ 1,1 bilhão que não vale nada.

Não sem uma taça dourada.

Que virou dolorido retrato pendurado na parede.

Volúvel, passou de mão em mão desde 2002.

Italianos, espanhóis, alemães, franceses e argentinos já a desfrutaram.

E outras mãos se aproveitarão dela, de novo.

A levantarão, a beijarão, a abraçarão.

Para o mundo ver, daqui a 11 dias.

Ela ficará, no mínimo, 28 anos longe de casa.

Não por capricho dela.

Mas por nossa incompetência, o que é pior.

Que saudade...

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