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Sofrimento extremo. Virada no último minuto dos acréscimos. Com gol de herói improvável. E muitas lições

O Brasil teve de lutar muito. Contra o Japão, contra seus nervos e contra a falta de criatividade. Mas conseguiu uma virada épica, aos 51 minutos do segundo tempo, com gol de Martinelli. Mas está nas oitavas. Enfrentará o vencedor de Noruega e Costa Rica. A Seleção terá de melhorar muito, se quiser chegar às quartas. Neymar não entrou um minuto sequer

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No sufoco, Gabriel Martinelli encontra espaço e sai para comemorar segundo gol do Brasil Annegret Hilse/Reuters - 29.06.2026

Houston, Estados Unidos.


Vitória suada, tensa, de uma equipe que padeceu de criatividade.

O Brasil travou diante da esperada retranca japonesa. Tomou o primeiro gol em um péssimo primeiro tempo.


E, no segundo, apelou para o excesso de cruzamento. Casemiro empatou e, aos 51 minutos, Bruno Guimarães encontrou Martinelli, que bateu cruzado e venceu o ótimo goleiro Suzuki.

Ancelotti terá de trabalhar muito o meio-campo. Paquetá teve atuação assustadoramente ruim.


O time também não consegue triangulações pelas laterais. Danilo quase sabota a Seleção, com passe infantil que permitiu ao Japão fazer 1 a 0. 

A virada veio no sufoco.


Como o R7 havia antecipado, com a mesma equipe que havia vencido a Escócia. Ancelotti adorou a movimentação do ataque e, principalmente, a marcação por pressão na saída de bola adversária.

Além disso, havia a grande preocupação com a recomposição; assim que o Brasil perdesse a bola, todo o ataque tinha de fechar a intermediária. Proibir que os japoneses usassem seu maior trunfo: a velocidade.

Casemiro cabeceia para o gol de empate do Brasil Annegret Hilse/Reuters - 29.06.2026

Apesar dos 35 graus em Houston, a climatização do estádio NRG garantia 20 graus no gramado. O teto retrátil evita o sol escaldante. A arena é usada pelo Houston Dynamo, equipe do atacante Guilherme, ex-Santos.

Ancelotti não blefou quando disse que iria pensar como marcar a saída de bola japonesa. Ele decidiu dosar. Não obrigar os brasileiros a marcarem por pressão o tempo todo. Ele resolveu pedir para que alternassem o ritmo. Para evitar o desgaste físico excessivo no primeiro tempo.

Os japoneses entraram mais fechados, com grande sincronia de movimento, fechavam as intermediárias. E compactos se atreviam a descer em bloco para o ataque. Também estavam atentos à saída de bola brasileira.

Vinicius Júnior tinha atenção redobrada por Tomiyasu e Taniguchi. Os demais jogadores brasileiros eram marcados por setor.

O Brasil procurava trocar passes, mas faltavam dribles, triangulações pelas pontas. Douglas Santos e, principalmente, Danilo não davam o apoio necessário a Vinicius Júnior e Rayan.

Matheus Cunha se desdobrava no meio, buscando tabelas. Mas Bruno Guimarães e Paquetá se mostravam burocráticos demais, carimbadores de bola. Não mostravam ousadia para surpreender as duas nítidas linhas de marcação japonesa, de cinco e quatro jogadores.

Matheus Cunha conseguiu um bom chute que Suzuki defende aos 18 minutos.

Vinicius Júnior chuta contra o gol do Japão Phil Noble/Reuters - 29.06.2026

A lentidão da Seleção se misturava com insegurança. A parada para hidratação nada melhorou. Pelo contrário, piorou. Os japoneses ganharam confiança, adiantaram suas linhas.

E o pior aconteceu.

Danilo, como um juvenil, decidiu virar o jogo sem olhar. Seu amalucado passe foi perfeito para Sano. O meio-campista encontrou toda a defesa brasileira aberta, porque os zagueiros estavam saindo para a frente, quando Danilo errou.

Sano teve como dominar a bola e bater muito forte, vencendo Alisson.

Gol do Japão, aos 28 minutos do primeiro tempo.

O gol implodiu a confiança dos brasileiros. Até por Danilo ser um dos lideres da Seleção, com seus 34 anos.

As discussões entre os jogadores começaram. Casemiro, Vinicius Júnior, Bruno Guimarães eram os mais à flor da pele.

A torcida brasileira, aqui no estádio, sentia a insegurança da Seleção. E fazia a pior coisa, se calava. Permitia que os japoneses com bumbos faziam a festa.

Parecia que a partida estava sendo disputada em Tóquio.

Os japoneses, confiantes, vibravam, ganhavam as divididas. Era assustador a fragilidade emocional da Seleção.

Ninguém se mostrava capaz de dar um único drible. Apenas tocavam a bola para o lado, facilitando a marcação compacta oriental.

E falta de opções táticas. E técnicas.

O mais desesperado era Vinicius Júnior, já que a bola não chegava aos seus pés.

A monotonia, a falta de criatividade brasileira era excelente para o Japão, que conseguiu diminuir o ritmo de jogo. E conseguiu terminar o primeiro tempo com a merecida vantagem.

E só surpreendente para quem não viu o jogo.

Carlo Ancelotti teria de agir no intervalo.

A Seleção Brasileira estava sendo dominada.

Ancelotti buscou duas soluções. Primeiro, tirar Paquetá do jogo, completamente perdido, improdutivo, de inutilidade incompreensível.

Colocou a explosão, a vontade e a gana de Endrick. O garoto de 19 anos passaria a ser referência no meio do ataque. E Matheus Cunha jogaria como meia.

E o Brasil adiantaria as suas linhas.

A ordem era acabar com pasmaceira, a lerdeza e atacar. Evitar a eliminação precoce, vexatória.

A virada de chave atingiu a torcida brasileira, que também acordou com o time.

Era outro jogo.

A pressão era inacreditável, insuportável.

Os japoneses se seguravam como podiam.

Bruno Guimarães obrigou o goleiro Suzuki a uma defesa sensacional.

O Brasil passou a apelar para cruzamentos laterais, com seus jogadores mais fortes fisicamente que os japoneses.

Principalmente Casemiro.

Takehiro Tomiyasu afasta de cabeça, em cima da linha, uma cobrança de Casemiro Annegret Hilse/Reuters - 29.06.2026

Vieram dois lances. No primeiro, aos oito minutos, Tomiyasu salvou sua cabeçada, em cima da linha.

Mas aos nove minutos não houve jeito. O cruzamento de Gabriel Magalhães, da esquerda, foi na segunda trave, onde Casemiro estava, em jogada mais do que ensaiada. A cabeçada foi para o fundo do gol do Japão.

1 a 1.

O Brasil acordara.

Vinicius Júnior quase vira o jogo, depois de uma jogada sensacional. Ele arrancou, driblou dois marcadores e deu de bico na bola. O goleiro Suzuki espalmou e ela beijou a trave.

Ancelotti decidiu apostar na verticalidade de Martinelli, tirando Matheus Cunha, deixando Vinicius Júnior e Endrick.

Queria virar o jogo, evitar a prorrogação, a qualquer custo.

O time insistia em cruzamentos, faltava criatividade.

Era só Vinicius Júnior quem tentava os dribles.

A partida caminhava para a prorrogação, quando, aos 96 minutos, Bruno Guimarães descobriu Martinelli na área japonesa. O chute saiu cruzado, chorado. Bateu na trave e entrou.

Brasil com muiito sofrimento, nas oitavas de final.

Ficam muitas lições...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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