Segredo da conquista do penta. ‘Recomendei o Edmílson e o Kléberson ao Felipão e ganhamos a Copa. O Ancelotti perdeu por não conhecer o brasileiro.’ Geninho
Felipão pediu para o treinador explicar como fazer o Brasil jogar no 3-5-2, esquema que fez o Athletico ser campeão brasileiro. E o utilizou na Copa de 2002. ‘Eu nunca tinha falado, em respeito ao Felipão.’
Cosme Rímoli|Do R7

São Paulo, Brasil
Os segredos de Geninho vão muito além do incrível, e único, título brasileiro do Athletico Paranaense. Sua participação silenciosa, discreta, na conquista do pentacampeonato mundial foi decisiva.
“Eu não iria torná-la pública. Mas foi o Felipão que resolveu revelar. Vou te dizer, com mais detalhes, Cosme. Ele levou a Seleção para treinar no CT do Caju, do Athletico. Conversamos muito sobre conceitos de futebol.
“Ele nunca havia jogado no 3-5-2, que foi como eu ganhei o Brasileiro. E queria detalhes. Expliquei. E ainda recomendei que colocasse o Edmilson como terceiro zagueiro. Aproveitei e recomendei o Kléberson. Deu tudo certo, como eu imaginava. O Brasil foi pentacampeão. E ele me agradeceu muito.”
Geninho, ex-goleiro, sempre foi estudioso e técnico vencedor. Acumula títulos com Corinthians, Athletico, Atlético Mineiro, Goiás, Al-Shabab, Vitória Guimarães. 48 anos como treinador.
E tinha uma missão importantíssima neste ano. Fazer a CBF pressionar a Conmebol para que os treinadores brasileiros tivessem suas licenças equiparadas às dos europeus. E pudessem trabalhar, sem problema, na Europa.
“Amarrei tudo com o coordenador de Seleções, Gustavo Caetano, que foi meu jogador. Convidamos o Ancelotti para nos apoiar. Mas o Leão e o Osvaldinho estragaram tudo. Atacaram o Ancelotti. O auditório da CBF estava lotado. Havia órgãos de comunicação. Ele ficou acuado. Todo o plano foi sabotado. Sabe quando a CBF vai brigar pela equiparação dos diplomas dos técnicos brasileiros? Nunca!
”Se eu fui cobrar o Leão, que é meu amigo há mais de 50 anos? Fui. E ele disse que falou o que pensa: que Seleção Brasileira não é lugar para técnico estrangeiro.
“Respondi que ele falou no lugar errado, na hora errada. E que o assunto era importantíssimo para a nova geração dos treinadores. E ele estragou.“

Quanto a Ancelotti, Geninho foi direto.
“Ele perdeu a Copa do Mundo por um motivo simples. Por não conhecer a essência do brasileiro. Do futebol brasileiro. O italiano pensa primeiro na defesa e depois no ataque. Nós somos o contrário. E um ano, poucos jogos pelas Eliminatórias e amistosos, não foram o suficiente.
“Na Copa, ele não conhecia a fundo os jogadores para tirar o melhor deles. Com quatro anos de preparação, será diferente. Por tudo que ele fez no futebol, merece esse ciclo.”
Sobre sua carreira, Geninho tem inúmeras histórias importantes. Como a do título brasileiro do Athletico.
“Cheguei e havia uma manchete no jornal. Ou o time do Athletico acaba com a noite. Ou a noite acaba com o Athletico. Oito jogadores iam ser dispensados. Chamei a todos, mostrei a manchete. Disse que não mandaria ninguém embora. E fizemos um pacto. Montei um esquema, 3-5-2, há 25 anos. E fomos ganhando na tática, na força física, na técnica. Tudo nasceu daquela manchete de jornal.”
Ganhou o Paulista com o Corinthians. E viveu sua experiência mais surreal com o lateral Roger, marcando D’Alessandro, que jogava no River Plate.
O famoso ‘pega, pega’.
“Eu mandei pegar, mesmo. Mas era cercar, fechar o espaço. O Roger entendeu errado. Entrou duro no D’Alessandro. A pancada nem pegou. Mas D’Alessandro fez um teatro.
“E o Roger foi expulso. Acabou a carreira dele no Brasil. Se não acontece esse lance, o Corinthians iria ganhar a Libertadores da América em 2003.
Geninho, aos 78 anos, se aposentou como técnico. Mas mostra vigor para trabalhar no futebol. “Posso contribuir como coordenador, como o Felipão faz no Grêmio.
“Tenho muita saudade do futebol...”
A entrevista com Geninho, na íntegra, está no canal Cosme Rímoli, no YouTube.
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