Ancelotti foge do favoritismo contra o Japão. Por vaga não garante nem Neymar. E, falando ao R7, se sente feliz por representar a eliminada Itália na Copa
Ancelotti não quis se apegar à tradição, que ele mesmo destacava, ao assumir a Seleção. Ele sabe que o Brasil é muito favorito contra os japoneses, aqui em Houston. Mas esperto, não assume publicamente. Mas treinou o time para sufocar os japoneses e tentar resolver logo a partida que vale vaga às oitavas. Fugindo da prorrogação e dos pênaltis

Houston, Estados Unidos.
Carlo Ancelotti se tornou um dos técnicos mais importantes da história, ganhando mata-matas. Como, por exemplo, cinco Champions.
E amanhã ele terá seu primeiro jogo eliminatório na Copa do Mundo dos Estados Unidos. Contra o Japão, aqui em Houston, ao meio-dia local (14 horas no Brasil).
Com a responsabilidade de o Brasil ser um dos favoritos ao título e enfrentando uma equipe muito abaixo tecnicamente.
Uma derrota e adeus Copa do Mundo.
Vivido, para aliviar a pressão sobre ele e sobre os jogadores, ele tratou de resgatar a derrota que a Seleção sofreu em 2025, por 3 a 2, em Tóquio.
“Foi uma boa experiência para nós, deu para saber que o Japão tinha uma equipe competitiva e uma das melhores do mundo.
“Venceu a Inglaterra em março, temos respeito total por eles. Estamos nos preparando para esse jogo como se fosse uma final. E é uma final.”
Sim, isso é verdade.
O trabalho foi de muita seriedade para enfrentar o time de Hajime Moriyasu, que vai jogar no 5-4-1, totalmente defensivo, sem a posse de bola.
Mas, ao retomá-la, contragolpeia, em velocidade, até com quatro atletas, em bloco.
Ancelotti optou pelo que deu certo.
Repetirá o mesmo time que venceu a Escócia. Com Rayan na vaga de Raphinha, que segue lesionado.
E mesmo sabendo que o Japão tem ótima saída de bola, a ordem é sufocar, fazer os atacantes brasileiros forçarem um ritmo intenso.
Marcar como se fosse defensores, para buscar sair logo na frente do placar. Buscar a vitória de forma segura, para evitar prorrogação ou pênaltis.
Ancelotti despista.
“A saída de bola do Japão é muito boa. Quando eles passam da pressão, são muito perigosos. Estamos considerando qual tipo de pressão estamos planejando para a equipe.”
Ele quer até mesmo Vinicius Júnior atacando a saída de bola, como Matheus Cunha e Rayan.
Além de adiantar a intermediária, como Paquetá, Bruno Guimarães e Casemiro mais à frente. Para os meio-campistas japoneses não tenham paz.
Para isso, fisicamente o Brasil está muiito bem. Capaz de passar boa parte do jogo na frente, de forma dominante.
Essa postura brasileira se explica porque Ancelotti sabe que não haverá outra chance. Ele ironizou, ao ser elogiado por sua performance nos confrontos mata-matas. Lembrou que não há outra chance. Perdeu, tudo acabou.
‘Isso não é um mata-mata, é um mata, nada mais (risos). Não há a volta.
“O Brasil tem a sorte de ter muitos jogadores experientes nesse aspecto.
“A nível de experiência, a equipe é muito forte, e os jogadores sabem como se preparar para um jogo desses. Nesse aspecto, estou muito confiante.”
Para isso, ele contará com três zagueiros. Danilo seguirá jogando como Ancelotti sonhava em ver Militão. Não ser o lateral ofensivo. Mas um zagueiro firme, ao lado de Marquinhos e Gabriel Magalhães.
Só Douglas Santos terá o livre-arbítrio para atacar e ajudar Vinícius Júnior.
Nem os minutos do reserva Neymar estão garantidos na partida. Pode até ser que ele não entre, se a partida não estiver decidida.
“Neymar está evoluindo muito bem, está progredindo. Creio que, na última semana, ele evoluiu muito, uma pena que não pôde treinar o tempo inteiro que esteve conosco.
“Pode jogar 15 minutos, obviamente está bastante bem. Depende do contexto do jogo de amanhã e da evolução da partida.”
Ancelotti não quer dar a mínima chance ao Japão. E por isso treinou, de maneira cruel, a grande falha da equipe oriental. A bola parada.
Casemiro, Danilo, Marquinhos e Gabriel Magalhães formarão um quarteto perigosíssimo em cada escanteio, em cada falta lateral à área.
Vinicius Júnior terá ainda mais liberdade para flutuar no ataque quando o Brasil tiver a posse de bola. Essa movimentação constante, junto com a de Matheus Cunha, servirá para desorientar a zaga nipônica.
Ancelotti sabe que conseguiu algo significativo. Ele tem a companhia constante nas entrevistas e nos treinos dos principais jornais e tevês italianas.
Serve como uma compensação pela eliminação do tradicional país nesta Copa.
Perguntei se ele se sente um ‘pedaço’ da Itália no Mundial. Compensação. E também sobre o favoritismo evidente da Seleção contra os japoneses, trazendo quase a obrigação de vencer.
“Me sinto bem, sou italiano...
“É uma experiência fantástica treinar o Brasil, me sinto muito bem nessa posição. O futebol mudou, não há equipe desorganizada, não existe mais, porque todo o mundo estuda, trabalha e aprende.
“Pode ser que existam equipes com menos qualidade individual, isso é óbvio porque a qualidade individual e o talento fazem parte da genética, mas equipes desorganizadas e ruins no aspecto físico não existem.
“Todos trabalham forte, jogam com intensidade e lutam. Me surpreendeu bastante a organização defensiva e a intensidade de todos os times e de todos os treinadores.”
A resposta sobre o trabalho é claro. Ele quis dizer as seleções hoje se equiparam. Não há grande diferença entre elas.
Mas há.
O talento dos jogadores brasileiros é muito superior ao dos japoneses. E isso contará demais amanhã.
A partida começará ao meio-dia, aqui em Houston. A temperatura vai passar dos 35 graus. O estádio NRG é climatizado, mas é um horário fora do padrão para qualquer jogador.
Queira ou não assumir, Ancelotti sabe que o Brasil é muito favorito amanhã.
Só não confirma publicamente.
Seu time está pronto para seu primeiro ‘mata’ na Copa...













