As lágrimas de Messi na Copa do Mundo anteciparam o pior. Morreu Jorge, seu pai. Foi ele que o fez melhor do mundo. Não o rei da mídia. Do Instagram
A seriedade, a firmeza, o caráter de Jorge esteve por trás de cada decisão de Messi. Apesar de pai, foi firme, não o mimou. Não o entregou para a ostentação vazia das redes sociais. O fez explorar todo o talento espetacular com que nasceu. Foi seu exemplo. Seis vezes melhor do Mundo. E com uma Copa, espantando o fantasma de Maradona. A seriedade de Messi é de Jorge. Seu pai

São Paulo, Brasil
As lágrimas que Messi derramou têm razão de ser.
Nas tribunas, na Copa do Mundo, faltava alguém.
E ele sabia.
Essa pessoa nunca mais estaria nos estádios, vendo seus jogos, o apoiando nas derrotas, o cobrando nas derrotas, mas sempre ao seu lado, firme, sério, presente, sendo exemplo.
Era Jorge, que o caçula Lionel queria agradar. Recompensar, por ter mudado a vida de sua família, deixando a amada Rosário para morar na desconhecida Barcelona, apostando no sonho improvável.
Messi sabia que seu pai tinha uma doença terminal e que estava desenganado. E na noite de ontem veio a notícia que ele tanto temia. Jorge se foi, morreu, aos 68 anos.
O dia dos Pais na Argentina se comemora no terceiro domingo de junho. Este ano foi na véspera da partida contra a Áustria, dia 21. Seu pai estava internado no hospital de Rosário, Sanatório Centro.
Messi jogou a Copa do Mundo agoniado, revela a imprensa argentina.
Depois de uma luta silenciosa, Jorge morreu ontem.
Mas qual a influência do seu pai?
Ele era filho de espanhóis, supervisor de uma siderúrgica. Se casou com Celia, que era uma faxineira. Tiveram quatro filhos. Messi foi o caçula.
Jorge era muito rígido e cobrava dos filhos seriedade nos estudos. Sabia que precisava de ajuda deles para melhorar a vida simples em Rosário.
Lionel mostrou talento absurdo desde a tenra infância. Ganhou espaço na categoria de base do Newell’s Old Boys.
Só que ele tinha um problema crônico.
Deficiência hormonal. Precisava de injeções diárias de somatropina, hormônio de crescimento sintético.
As injeções eram caríssimas e a direção do Newell’s resolveu não pagar, não investir no menino.
Foi a gota d’água para Jorge.
Olheiros do Barcelona já haviam observado ‘La Pulga’ (a Pulga), apelido cruel dado a Lionel por seus irmãos e companheiros de time, por seu tamanho pequeno.
E seu pai deu a palavra final.
Apostou tudo no seu filho de 13 anos. E foram para Barcelona. Não só para um dos gigantes do futebol mundial. Mas para o clube que resolveu bancar todo o tratamento de crescimento de Messi. A previsão era que ele seria um homem de, no máximo, 1m55.
O tratamento hormonal o fez crescer até 1m70.
O pai de Messi fez questão de aprender e ele mesmo aplicava as injeções no filho, com orientação dos médicos do Barcelona.
Jorge não aceitou inúmeras propostas de agentes, empresários, para administrar a carreira do jovem gênio que havia chegado à Catalunha.
Ele decidiu que seria o agente, o empresário do filho.
Mas, ao contrário, por exemplo de Neymar Pai, não permitiu que o filho fosse mimado. Muito pelo contrário. A cobrança a Lionel sempre foi forte, firme. Jorge queria que ele explorasse ao máximo seu potencial.
Messi não queria decepcionar o pai, que apostou o futuro da família no seu futebol.
Por isso, a disciplina, o respeito pela carreira, nada de farras, bebedeiras, tentações.
Jorge sempre incentivou o namoro entre o filho e Antonela. Os dois se conheceram com sete anos. E seguiram namorando na adolescência. Ela já esteve presente no início da carreira profissional de Messi.
Seu pai e sua mãe eram exemplo de união de verdade, sem espaço para tentações, mesmo com o dinheiro chegando.
Muitos pais de jogadores famosos se perderam com a súbita riqueza. Antes dos filhos. Terminando casamentos e caindo na noite. Vivendo às custas dos talentos que jamais tiveram. Dando péssimos exemplos.
Depois, seria um ‘leão’, na luta contra o fisco espanhol, que processou o filho por evasão. Foi uma luta acompanhada pela imprensa mundial. Foi o único escândalo envolvendo Messi. E foi contornado com um acordo milionário. A culpa acabou recaindo nos contadores do argentino.

Óbvio que o talento de jogador excepcional não passou despercebido pela Seleção Espanhola. Foi o nacionalismo de Jorge que fez com que o filho escolhesse defender a Seleção Argentina.
E o ajudou a enfrentar a poderosa sombra de Maradona. E a cobrança desproporcional, por não conseguir títulos.
Jorge foi quem o fez não desistir da Seleção Argentina, depois de inúmeros fracassos. Até a reviravolta, na Copa América, de 2021, na sonhada conquista da Copa do Mundo, em 2022, no bicampeonato da Copa América e no caminho do vice-campeonato mundial nos Estados Unidos.
Nos 17 anos de Messi no Barcelona, foi Jorge quem recusou várias e várias propostas de outros gigantes europeus. E lutou por salários altíssimos para o filho.
E também moldou a imagem de Lionel. Exigiu que tivesse a mesma seriedade, responsabilidade com os companheiros de time, como ele tinha como supervisor da siderúrgica na Argentina.
Passou o espírito de liderança.
Messi ama dois brasileiros em especial.
Ronaldinho Gaúcho, que o ‘adotou’ quando subiu das categorias de base. Sabia ser o seu sucessor.
E Neymar, a quem Messi queria retribuir todo o carinho e tornar seu ‘herdeiro’ do protagonismo na Catalunha.
Mas foi Jorge quem cobrou Lionel que não se deixasse corromper pelo amor fraternal pelos dois. Eles que fossem para as baladas, farras, virassem noites e noites festejando.
A missão de Messi era muito maior. Desenvolver todo seu talento fabuloso que o destino lhe deu. Para isso, precisava da vida espartana de atleta.
E farras fazia com Antonela, sua esposa.
A cada escolha de melhor do mundo, mais responsabilidade. E mais cobrança por contratos melhores, patrocinadores dispostos a pagar mais.
Jorge era implacável.
Sem precisar expor Lionel nas redes sociais, com dancinhas. Bilionário, Messi não caiu também na tentação da ostentação gratuita.
“Desde criança, sempre precisei da aprovação do meu pai. Depois de cada partida, eu perguntava a ele o que achava do meu desempenho.” Messi.
Foi Jorge que percebeu que a direção do Barcelona não esforçou para segurar Messi, em 2021. O clube vivia grave crise financeira. Mas em vez de se sacrificar, resolveu abrir mão do argentino.
Muito magoado, Messi foi para o Paris Saint-Germain. Neymar foi quem avisou a família real catari da possibilidade de ter Lionel.
O PSG não conseguir ter o melhor Messi por conta de briga interna arquitetada por Mbappé. O francês dividiu o elenco entre os amigos de Neymar e os seus amigos.
Implodiu o ambiente no grupo.
E Jorge entrou em ação novamente.
Percebeu que seu filho teria uma vida muito mais proveitosa se aceitasse jogar no Inter Miami, do que se aventurar no mundo árabe. O Al-Hilal ofereceu bem mais, só que Jorge e Lionel preferiram se acertar com David Beckham. E ir, na fase final da carreira, para os Estados Unidos. Antonela também participou da escolha, por conta dos filhos.
Messi já havia vivido a extrema alegria da conquista da Copa do Mundo do Catar. Vencido a Copa América dos Estados Unidos.
Foi quando os sintomas da doença de Jorge surgiram.
De maneira muito discreta, Messi fez de tudo para tentar salvar o pai. O levou para inúmeros especialistas. Mas o caminho foi inexorável.
Ele voltou para Rosário.
Se tivesse de morrer que fosse onde nasceu, no seu local de origem.
Teve o apoio do filho, que sabia: seu pai estava desenganado.
Veio o internamento. A agonia na Copa do Mundo dos Estados Unidos.
A terrível fake news da televisão argentina, anunciando a morte de Jorge, que não tinha acontecido, durante o Mundial, perturbando ainda mais Lionel.
Messi chorou várias vezes na Copa, seus companheiros e Scaloni sabiam que o motivo era o pai. E o respeitaram como nunca. Ele tinha plena consciência que Jorge poderia morrer a qualquer momento, mas seguiu cumprindo a vontade do pai e jogando, dando o máximo para fazer a Argentina tetracampeã mundial.
Entrava em campo pelo pai.
Não conseguiu e chorou ainda mais. Sabia não ter dado o último presente ao seu grande companheiro de vida.
Até que ontem veio a morte.
Jorge partiu.
Mas certo que cumpriu sua missão.
Quer entender Lionel Messi?
Conheça Jorge Horacio Messi.
E entenda como um pai deve administrar um gênio do futebol.
A vida de um filho, faça ele o que fizer...
Sendo o exemplo.
Feliz dia dos Pais...













