Polícia recupera camisa roubada de Yuri Alberto no Memorial do Corinthians. A famosa ‘ensanguentada’ de Márcio, também sumiu. E nunca mais foi achada
O Memorial do Corinthians reúne troféus, documentos e camisas que marcaram a gloriosa história de um dos maiores gigantes do futebol mundial. Mas o roubo das camisas de Yuri Alberto e a de Márcio, ensanguentada, do time que ganhou o primeiro Brasileiro, em 1990, mostra a falta de vigilância, de cuidado com relíquias fundamentais. De amor próprio

São Paulo, Brasil
Final do Campeonato Brasileiro de 1990.
O São Paulo, muito mais técnico, de Telê Santana, de Raí, é muito favorito diante do Corinthians, lutador, de Nelsinho, de Neto.
O clube do Morumbi já tinha dois Brasileiros, de 1977 e 1986.
O do Parque São Jorge, nenhum.
Na primeira partida, vitória surpreendente dos corintianos por 1 a 0.
No jogo decisivo, o segundo, o Corinthians vencia também por 1a 0.
Foi quando houve um escanteio para o São Paulo.
“Havia um bolo de jogadores e o juiz Edmundo Lima Filho estava com a visão encoberta. Eu subi de cabeça e quando desci, tomei um soco violento do Bernardo.
“A pancada fez com que o meu nariz sangrasse muito. E o sangue ficou todo na minha camisa. Corri para o médico. Ele só limpou o meu nariz, fez que parasse de escorrer. Voltei para campo, com a camisa suja e tudo.
“Fomos campeões. Guardei a camisa com o maior carinho, suja de sangue, mostrando a raça que o corintiano sempre teve. Ela é histórica. Estava preservada na minha casa.
“Foi quando o pessoal do Memorial do Corinthians a pediu. Minha esposa, Simone, me falou para não dar. Mas acreditei que ela seria preservada, e os torcedores poderiam ver o quanto eu sempre amei o Corinthians.
“Foi quando eu recebi uma ligação dizendo que, assim que eles iriam colocá-la no memorial, ela sumiu. Alguém roubou. Sim, ela estava de posse do pessoal do memorial, dentro do Corinthians.
“Provoca muita dor e revolta.
“É algo inaceitável.”
Márcio resumiu ao blog toda sua indignação com o desleixo com que foi tratada uma camisa que seria eternizada para a torcida corintiana.

No canal Cosme Rímoli ele já havia lembrado a constrangedora situação.
E outra vez o Memorial do Corinthians foi exposto.
Outro objeto de relíquia foi roubado.
A camisa com que Yuri Alberto conquistou a Copa do Brasil em 2025, diante do poderoso Flamengo.
Houve inclusive a filmagem do ladrão tirando a camisa que estava exposta, no memorial, que fica dentro do Parque São Jorge, sem ser importunado. Com a maior tranquilidade.
O roubo foi ontem.
E hoje, policiais do 52º DP recuperaram a camisa.
Houve o reconhecimento do ladrão, que responderá judicialmente pelo roubo.
O final feliz não é motivo de comemoração.
Mas sim de enorme apreensão.
O que acontece no Memorial do Corinthians?
Que vigilância é essa com as conquistas, com os troféus, com as camisas históricas?
Eles formam um patrimônio de mais de 25 milhões de torcedores, apaixonados por esse gigante.
O Corinthians tem 116 anos de história.
E precisa se respeitar.
Que Osmar Stabile esqueça um pouco de Memphis.
Lembre de suas obrigações com o clube.
Entre elas, as conquistas, as suas glórias.
Proteja o Memorial e suas preciosidades.
E peça para a polícia ir atrás da camisa de Márcio.
O sangue derramado sobre ela representa, como poucos objetos, a garra, a luta de um guerreiro pelo Corinthians.
É uma questão de amor próprio...













