Mergulhado em crise, Santos tem medo que Cuca vá embora. Time na zona de rebaixamento. Atrasos salariais. Torcida xinga, ameaça. Neymar vê tudo de camarote
O cartão amarelo infantil de Neymar contra a Chapecoense ajudou o Athletico. Time paranaense venceu, sem susto, o Santos, na Vila Belmiro, por 2 a 0. E mergulhou a equipe paulista na zona de rebaixamento. Torcida começa a abandonar o clube. Só sete mil pessoas foram ao jogo hoje. E xingaram. ‘Time sem vergonha.’ Diretoria com medo que Cuca abandone o clube. Ele pede contratações. Ouve ‘não há dinheiro’. Situação caótica
Cosme Rímoli|Do R7

São Paulo, Brasil
Santos desesperado.
Se perdesse para o Athletico estaria na zona do rebaixamento.
O elenco limitado, fraco, precisava de quem?
Dele, que ganha R$ 9,5 milhões mensais, do clube que deve mais de R$ 1,3 bilhão.
O mais talentoso jogador do futebol brasileiro.
Mas ele estava machucado?
Não, até mandou que o fotografassem nas suas redes sociais fazendo musculação.
O problema era o Dia dos Pais, que ele decidiu passar com a família?
Não.
Ele estava na Vila Belmiro.
Só que no lugar errado, não no gramado.
No camarote.
Por que razão?
Por ter empurrado dois jogadores da lanterna do Brasileiro, a Chapecoense, na frente do árbitro Antônio Mendes de Salles.
Provavelmente até o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, daria o infantil cartão amarelo. O terceiro, que o suspendia.
O Santos não conta com a ajuda de Donald Trump, capaz de anular suspensões automáticas.
A derrota de hoje para o Athletico Paranaense começou no dia 25 de julho, com essa advertência.
Porque a dependência da equipe de Cuca, de Neymar, é assustadora.
E ele sabe disso.
Triste é que, aos 34 anos, ele não se controle, pense na real situação do clube e se deixe levar por provocações.
Além do mais ostenta a faixa de capitão, que um dia foi de Zito.
Odair Hellmann conhece bem o ambiente santista. Foi demitido cruelmente em 2023, depois de uma derrota para o Corinthians, na Vila Belmiro.

O treinador do Athletico sabia que o desesperado Santos ousando atacar, bastaria contragolpear em velocidade. E usar o potencial do iluminado Viveros, colombiano que o eixo Rio-São Paulo não enxergou.
E em 25 minutos, o clube paranaense vencia por 2 a 0, dois gols de Viveros. O jogo estava acabado. O time de Cuca sendo xingado, pressionado pela diminuta torcida que foi à Vila, exalava insegurança e afobação.
Nona derrota no Brasileiro.
Zona de rebaixamento.
Neymar foi embora rápido e silencioso da Vila Belmiro.
Os pouco mais de sete mil santista vaiaram e xingaram muito os jogadores e Cuca.
A direção tratou de conversar com o técnico, que é dado a rompantes. Já deixou trabalhos importantes no meio.
O medo é que ele pedisse demissão.
O executivo Alexandre Mattos, tenso, fez questão de acompanhar a coletiva do treinador. Até para evitar surpresas.
Cuca foi colocado na parede pela inconformada imprensa santista, que não quer viver, de novo, o pesadelo de o ‘clube de Pelé’, ser rebaixado. Ainda mais tendo no elenco Neymar.
A primeira pergunta foi se sentia capaz de seguir comandando o Santos. Estava subentendido se ele não temia ser demitido.
Alexi Stival é uma pessoa que sabe bem o que é ameaça.
Quando criança, no Paraná, quando desobedecia seus pais, sua mãe ameaçava chamar o ‘Cuca’, famoso delegado de Curitiba. Daí seu apelido.
Visivelmente emocionado, o treinador lembrou até que este domingo era Dia dos Pais, para dizer que não iria embora.
“Dia dos Pais, trabalhando e ter um dia assim é horrível para nós.
“Eu sair do Santos não é bom negócio para o Santos, nem pra mim, nem pra ninguém.
“Vou buscar dentro das forças que tenho tirar o máximo possível (do elenco e dele mesmo).”
Cuca alertou para a situação desesperadora do Santos, no Brasileiro. Como se preparasse a todos para o pior.
“Temos 17 jogos para disputar, sendo sete em casa e dez fora. Em casa, temos duelos duríssimos contra Palmeiras, Flamengo e Cruzeiro. Já falei que me preocupo com a situação no Brasileiro, mas preocupa ainda mais estarmos em três frentes e não termos elenco para disputar todas da mesma forma.
“Na quinta-feira da próxima semana, vamos jogar lá contra o Macará e voltar para pegar o Mirassol, um adversário direto. Fomos um dos times que não contrataram na janela, perdemos jogadores e temos um transfer ban.
“Temos buscado soluções dentro do elenco que às vezes não correspondem em um jogo ou outro, e temos que pedir compreensão. Não vou pedir isso ao torcedor porque ele acha ruim, e com toda razão.”
Ele fez um apelo para que a diretoria pague o que deve ao Monaco, pela compra de Jean Lucas, desde julho de 2023. São R$ 12 milhões.
E avisou que não quer seguir trabalhando com garotos, nesta fase alarmante do Santos.
“Neste momento, temos que estar todo mundo junto. Se a gente puder derrubar o transfer ban e fortalecer o elenco, será fundamental.
“Precisamos de dois ou três jogadores para encorpar o grupo. É um desabafo que faço. Gosto de trabalhar com os guris, mas, neste momento de pressão, não é o ideal.”
O que pode aliviar a situação é a Copa Sul-Americana.
O Santos jogará quinta-feira contra o fraco Maracá, quinta-feira, na Vila Belmiro, na primeira partida das quartas da competição.
Ah, neste jogo, Neymar estará em campo.
Se Cuca quer união, ele poderá pedir isso pessoalmente às cúpulas das organizadas, que pretendem cobrar o time, o treinador e a direção esta semana. Para não haver o risco de rebaixamento.
A visita será no CT de treinamento.
Quanto ao pagamento do transfer ban, e possibilidade de novas contratações, não virão.
A diretoria busca empréstimos para pagar os dois meses de direitos de imagem aos jogadores. Situação que provoca incômodo silencioso no fraco elenco.
Assim como é sussurrado entre os conselheiros o medo é que Cuca não suporte a pressão.
E vá embora.
Neymar?
Ficará até o final d contrato, em dezembro.
Até quando os cartões infantis permitirem...













