‘Calamos Itaquera!’ Inter provoca. ‘Ou paga salário ou transfer ban.’ Diniz reclama da falta de dinheiro que impediu a renovação de Memphis e contratações
O Corinthians foi eliminado ontem da Copa do Brasil. Venceu o Internacional por 2 a 1, em Itaquera. Como havia perdido por 2 a 0 no Beira-Rio, está fora das quartas de final. Memphis esteve no estádio. Já passou nos exames médicos, aceitou todas as imposições do Corinthians. Mas, como não teve as garantias de que receberia os R$ 40 milhões que o clube lhe deve, ainda não renovou. Teria condições físicas de jogar. Diniz sabia e lastimou não contar com o holandês
Cosme Rímoli|Do R7

São Paulo, Brasil
A cena resumiu o endividamento corintiano.
Fernando Diniz precisava desesperadamente de atacantes.
Havia perdido Yuri Alberto e Labyad, contundidos.
O Corinthians tinha de vencer o Internacional ontem, por pelo menos dois gols de diferença, para decidir nos pênaltis qual clube passaria às quartas da Copa do Brasil.
Por ter perdido a primeira partida por 2 a 0, no Beira-Rio.
Enquanto o time, sem potencial para criar jogadas ofensivas, insistia de maneira assustadora nos cruzamentos, o mais talentoso corintiano estava assistindo à partida no camarote.
Estava bem fisicamente, pronto para entrar em campo e ajudar o time.
Só um detalhe impediu que o Corinthians tivesse Memphis Depay, na batalha, diante da muralha defensiva gaúcha: dinheiro.
Sem ele, o time de Fernando Diniz ainda conseguiu marcar dois gols, com Gustavo Henrique e Pedro Raul.
Mas Bernabei fez o gol que valeu a eliminação do Corinthians.
“Calamos Itaquera”, provocou o site oficial do Internacional.
Diniz lastimava a falta de dinheiro do Corinthians, que impediu a renovação de Memphis a tempo de jogar a partida decisiva de ontem.
Ele adiantou as linhas, colocou seu time para pressionar o Internacional desde o início do jogo.
Mas faltava talento. Garro estava muito bem vigiado e pouco produziu, assim como Breno Bidon.
Liberou Matheuzinho e Bidu para jogarem como pontas e não laterais. Kaio César corria, insistia em tentativas de dribles. E Pedro Raul, com sua tradicional dificuldade em se movimentar.
Diante deste quadro, só restaram cruzamentos e mais cruzamentos. Principalmente das intermediárias, facilitando o cabeceio dos três zagueiros do Inter, protegidos por três volantes.
Era o Corinthians mostrando sua limitação.
“Com três zagueiros e três volantes [no Inter], o meio ficou fechado. Se você tenta jogar por dentro, além de ser difícil furar, você tem mais chance de tomar contra-ataque. O jogo ia ter muita terminação pelo lado.
“A maior chance de a gente fazer gol era justamente do jeito que a gente fez. A gente conseguiu executar. Mas o futebol não segue uma lógica formal de que, se você jogar melhor, atacar mais e chutar mais, vai ganhar o jogo. O Inter praticamente deu um chute no gol e acertou a bola lá no trinco”, tentou explicar Fernando Diniz.
O técnico buscou também dividir o fracasso do seu time com a arbitragem.
“Lá foi pênalti claro no Bidu, e aqui foi claríssima a falta no Kaio César. Quem vai falar que não é falta? Estava na minha frente, e eu falei (para o juiz Felipe Fernandes de Lima).
“O que mata a arbitragem é falta de critério. Tem muita falta de critério de um árbitro para o outro e do mesmo árbitro no mesmo jogo. O lance foi determinante para o resultado do jogo.”
A reclamação não teve ressonância.
Diniz foi certeiro, no entanto, ao falar sobre a falta de dinheiro do clube, que impede contratações, com transfer bans. E até de renovar contrato com peça fundamental, Memphis Depay.
“Sem dinheiro, a gente tem muito menos possibilidades. Tem hora que você tem que escolher entre pagar o transfer ban ou pagar salário. O dinheiro é um só.
“Tem que criar soluções para que a gente consiga sair dos transfer bans e ter uma folga financeira para pagar os jogadores em dia, o campo melhorar... E eu espero que essas coisas aconteçam. Obviamente, não são coisas boas, mas todo mundo está muito empenhado em fazer o melhor para o Corinthians.”
A direção corintiana tinha muita esperança de que o clube, atual campeão da Copa do Brasil, chegasse pelo menos à semifinal.
A eliminação faz com que o time fique muito mais pressionado na Libertadores, onde enfrentará no mata-mata das oitavas o argentino Rosário Central, no dia 13. Antes, neste domingo, em Bragança Paulista.
A torcida aplaudiu o esforço dos jogadores, contra o Internacional.
Mas o baque para o elenco, para Fernando Diniz e para a direção foi grande.
Não só pela alta premiação.
Mas, por ser o torneio que a direção, e mesmo Fernando Diniz, acreditava ser o mais fácil de 2026.
Não há o que fazer.
Houve a queda, com o Internacional merecendo ficar com a vaga.
Pressionado, o presidente Osmar Stabile vai renovar o contrato com a Memphis.
Enquanto isso, o Internacional voltava, depois de seis anos, a disputar as quartas da Copa do Brasil.
E a direção, que cultua a rivalidade com o Corinthians, mandava provocar o clube paulista nas redes sociais, no início desta madrugada, com uma representativa frase.
“Calamos Itaquera”...
Veja também: Diniz se diz ansioso por renovação de Memphis: 'Muito perto de acontecer'
Após vitória sobre o Inter e eliminação da Copa do Brasil, o treinador do Corinthians comentou sobre a renovação de Memphis Depay com o clube.















