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Fracasso de Tite em 2013. Espelho para Carille

Corinthians negou reforços para o campeão brasileiro de 2017. E chegou a pressão. Na véspera da final com o Palmeiras, Carille está uma pilha de nervos

Cosme Rímoli|Cosme Rímoli

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Tite. Um ano após conquistar a Libertadores e o Mundial, dispensado. Sem dó
Tite. Um ano após conquistar a Libertadores e o Mundial, dispensado. Sem dó

Ele está diferente.

Perdeu o sorriso.


Desde que começou o ano, não há mais paciência, tranquilidade para responder qualquer pergunta. A irritação tomou o lugar de detalhadas explanações sobre qualquer assunto.

Fábio Carille está vivendo a dura realidade de ser treinador. Ele deixou de ser um auxiliar surpreendente, que conseguiu resultados inacreditáveis com uma equipe subestimada pela mídia, pelos próprios torcedores e até pela diretoria corintiana.


Em vez dos elogios por conseguir ir além do que todos imaginavam, chegaram as cobranças. 

Carille precisa explicar os motivos de o atual campeão paulista e brasileiro estar jogando mal. Sem poder ofensivo. E não estar conseguindo nem responder ao apoio incondicional de sua fanática torcida, com o Itaquerão lotado.


Tudo isso decidindo o título paulista diante do maior rival.

Os indícios de que 2018 começou diferente para Carille são muitos. Ele já havia avisado à assessoria de imprensa corintiana que estava cansado de dar coletivas. Também passou a fugir dos programas esportivos, ao contrário do que fez no final de 2017, quando se sagrou campeão brasileiro.


Nas suas entrevistas, nenhuma pergunta dura passa sem resposta ainda mais dura, encarando o repórter, de forma desafiadora.

As cobranças nos jogadores também passaram a ser mais firmes, ardidas.

Nada melhorou seu humor.

Nem mesmo ter sido procurado pelo Atlético Mineiro, em fevereiro.

O motivo para tanta irritação está na incompetência da diretoria.

Era óbvio que Andrés Sanchez iria voltar à presidência do clube, em fevereiro deste ano. Carille havia conversado longamente com o ex-presidente Roberto de Andrade, logo que a venda de Jô para o Nagoya Grampus foi confirmada, no dia 22 de dezembro de 2017. Desde agosto passado, o técnico sabia que Guilherme Arana iria para o Sevilla.

Empresários ofereceram Juninho Capixaba, lateral que estava no Bahia. Carille aceitou, com reservas. Avisando que pretendia alguém mais experiente. Porque Arana havia sido grande exceção. Jovem e muito talentoso. Nascido no Corinthians, sabia suportar as cobranças. Capixaba fracassou e Sidcley do Atlético Paranaense foi uma saída, não solução.

O grande problema de Carille foi o homem referência, o atacante alto, que poderia cabecear e, principalmente, fazer o pivô para as entradas dos meias, dos volantes, dos laterais. Ele passou o nome para Roberto de Andrade ao ser confirmada a saída de Jô: Rodrigo Dourado.

Rodrigo Dourado chegou a implorar para ir para o Corinthians. Diretoria não quis
Rodrigo Dourado chegou a implorar para ir para o Corinthians. Diretoria não quis

As dificuldades financeiras do Fluminense não eram segredo para ninguém. Ainda mais no dia 28 de dezembro, quando o clube anunciou a dispensa de oito jogadores. Carille logo pediu o zagueiro Henrique. A negociação foi rápida. Mas Roberto de Andrade se sentiu constrangido diante da postura da diretoria do Fluminense, atolada em dívidas.

Carille foi mais pragmático e insistiu que era a hora de fechar com Rodrigo Dourado e tentar Gustavo Scarpa. Seriam reforços fundamentais para o clube.

Scarpa foi logo descartado, com a chegada do milionário Palmeiras.

Mas Rodrigo Dourado, não.

Estava na mão.

O jogador procurou a direção do Fluminense e pediu para jogar no Corinthians.

Só que os diretores cariocas haviam conversado com Roberto de Andrade e pedido que o clube não levasse seu principal artilheiro. Em uma atitude que foi reprovada até por companheiros de diretoria, o então presidente corintiano desistiu do jogador ideal para Carille.

E o atacante que o Fluminense não queria negociar foi para o Flamengo, o que irritou ainda mais conselheiros corintianos.

Mais ainda Fábio Carille.

Andrés Sanchez assumiu e sabia que o Corinthians precisava de um artilheiro. E autorizou seus dirigentes a fecharem o empréstimo de Alex Teixeira, que não queria seguir mais no Jiangsu Suning. O clube acertou com os jogadores. A direção do clube chinês não aceitou a postura da equipe brasileira e não aceitou liberar o jogador. O que trouxe ainda mais tensão a Carille.

O técnico havia recebido como compensação Renê Júnior, atacante do Avaí. Nunca foi artilheiro. Mais meia do que jogador de referência. Foi sincero ainda com Roberto de Andrade. Ele seria tratado como um 'jogador de grupo', eufemismo para reserva.

Carille foi auxiliar técnico do Corinthians desde 2009 até 2016. Viu o que aconteceu com o próprio Tite, campeão da Libertadores e Mundial, em 2012. Em 2013, ele pediu reforços. Sabia que a maneira de seu time jogar havia sido decorada pelos adversários. Jogadores importantes não vieram. Chegou quem ele não queria, Alexandre Pato, recebendo mais do que todo o elenco campeão mundial.

Junior Dutra. Atacante que Carille não pediu. E não utiliza. Um erro
Junior Dutra. Atacante que Carille não pediu. E não utiliza. Um erro

Tite ganhou o Paulista. Mas foi eliminado da Libertadores ainda nas oitavas, pelo Boca Juniors. Caiu na Copa do Brasil, diante do Grêmio, com Pato e sua famosa e fracassada cavadinha diante do Grêmio.

No Brasileiro, a décima colocação. Com direito a uma campanha instável, com sete jogos seguidos em vitória e goleada para a Portuguesa por 4 a 0. Nada de vaga para a Libertadores de 2014. A diretoria não quis a renovação do treinador campeão da Libertadores e Mundial.

Carille está vendo a história se repetir. Não há quem não conheça a fundo o esquema tático que fez do Corinthians campeão paulista e brasileiro em 2017. Reforços implorados não chegaram. Andrés Sanchez fala em buscar um atacante no meio do ano.

O time já perdeu a primeira partida das duas decisivas do Paulista de 2018, contra o Palmeiras. A decepção já domina torcedores, conselheiros, dirigentes e imprensa.

O clube se verá envolvido em jogos importantes na Libertadores e no Campeonato Brasileiro. A pressão só aumentará.

Carille quer o título paulista, vencer o Palmeiras na sua arena. Como conseguiu no dia 12 de julho de 2017, pelo Brasileiro, vitória por 2 a 0, que empurrou o time à conquisa do hepta nacional.

Mas sabe que tudo está muito mais difícil.

Seu time deixou de ser tratado como quarta força paulista.

Para mudar o esquema, precisa de novos jogadores.

Até uma criança de cinco anos sabe que Rodriguinho e Jadson, quando pode jogar, são os responsáveis pela articulação, pelo oxigênio do time. Assim como o desafogo está em Fagner na direita. Roger Machado travou o Corinthians, em pleno Itaquerão, no sábado, sem grande trabalho. Jaílson nem precisou se esforçar para garantir a vitória por 1 a 0.

A pressão recai diretamente no treinador revelação de 2017.

Carille está sentindo o golpe.

Até porque ele já assistiu de camarote este filme.

Tite cansou de implorar reforços em 2013.

Não vieram.

E não teve seu contrato renovado.

Carille tem contrato até o final de 2019.

Só que sabe, isso não quer dizer nada.

Se não vierem as conquistas, será dispensado.

Mas sem reforços, só com milagre.

Esta é a razão do seu mau humor.

Ele percebe todo o processo.

E tenta reagir como pode, com as mesmas peças.

Daí seu nervosismo.

Sabe que a chance de perder o Paulista para o Palmeiras é grande.

Vai tentar a reviravolta diante de 40 mil palmeirenses.

Buscar a saída na estratégia não no elenco limitado que possui.

Ele já viu esse filme.

Com um personagem importante, consagrado, como Tite.

Tudo que sabe torna impossível o sorriso para Fábio Carille...

Carille: o mau humor e a tensão se explicam na falta de reforços
Carille: o mau humor e a tensão se explicam na falta de reforços
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