A euforia do ‘herói improvável’, que barrou Pedro e João Pedro. ‘Ver o Brasil se classificar, com um gol meu, é um sonho.’ Martinelli
Ele foi a aposta insistente de Ancelotti. O italiano sempre valorizou sua eficiência, a movimentação constante no ataque do Arsenal. Na saída do jogo, estava dominado pelo orgulho
Cosme Rímoli|Do R7

Houston, Estados Unidos
Com o olho inchado, por conta de um choque com o japonês Maeda, Martinelli mostrava toda a sua alegria após o jogo que levou a Seleção às oitavas de final da Copa do Mundo.
“Ver o Brasil se classificar, com um gol meu, é um sonho. Lutei muito por isso. Mas tive todo o apoio do Mister e dos meus companheiros. Eu quero ser útil à Seleção. Vamos lutar até o fim pelo título”, garantia, sorridente.
Enquanto houve muito questionamento sobre Ancelotti convocar Neymar contundido e não levar Pedro ou João Pedro, na verdade é Martinelli quem acabou barrando os dois.
A princípio, Ancelotti não sabia que Neymar chegaria à Seleção com um estiramento na panturrilha direita.
Na disputa com João Pedro e Pedro, Martinelli ganhou por um motivo muito simples. Ancelotti o vê em duas funções importantes no ataque.
Ou aberto na ponta, como atua no Arsenal, ou como meia, vindo da intermediária, como surpresa, para se aproveitar do espaço entre os zagueiros e os volantes adversários.
Como foi no gol que marcou e deu a vaga à Seleção.
“É claro que não faço muito essa posição. O mister vem conversando comigo que posso fazer essa função jogando por dentro, independentemente se é na ponta ou pelo meio.
“Vou tentar ajudar o Brasil da melhor forma.”
Embora Endrick tenha incendiado o estádio NRG, aqui em Houston, quando foi anunciada a sua entrada no lugar do ineficiente Paquetá, foi Martinelli quem abriu espaço nas duas linhas defensivas japonesas, que serviam como barreiras.
“Eu tinha de me movimentar. Para tentar abrir espaço para os meus companheiros. Ou para bater para o gol. Os japoneses marcavam muito forte. Estavam fechados demais. Aí o BG, me enxergou. E deu muito certo”, relembrou, feliz.
BG é como chama Bruno Guimarães, que deu uma excepcional assistência para o gol da virada.
Martinelli começou no futsal do Corinthians. De lá foi para o futebol de campo do Ituano. Chegou a fazer períodos de testes no Barcelona e no Manchester United.
Foi comprado pelo Arsenal em 2019.
Jogador versátil, habilidoso, rápido e ótimo cabeceador, chega à sua sexta temporada, aos 25 anos. É um dos melhores preparos físicos da Seleção Brasileira.
Entrou ontem aos 21 minutos do segundo tempo, no lugar de Matheus Cunha.
Foi emocionante o seu desabafo, ao marcar o gol aos 51 minutos do segundo tempo.
“Não tenho palavras para descrever a alegria que está no meu coração ao ver todo o povo brasileiro feliz com a classificação. Ver a minha família, minha esposa, meu pai e minha mãe. Meus amigos...
“Não tenho como explicar o que sinto, a ficha não caiu, só vai cair daqui a um tempo. Falei outro dia com a minha família, que tinha acertado bola na trave e teria outra oportunidade.
“Graças a Deus, hoje eu consegui fazer o gol. Estou muito feliz pelo time, que se doou o máximo. Sem palavras.”
Com o gol, Martinelli ganha um espaço maior na Seleção.
Não só pelo gol, pela opção nova, inesperada, que deu para o ataque, que tanto sofria diante dos japoneses.
Uma nova arma importante nesta Copa imprevisível...
Veja também: Gio Reyna projeta duelo contra a Bósnia: 'Time muito difícil'
O meia da seleção americana, Gio Reyna, analisa o confronto contra a Bósnia e Herzegovina pelos dezesseis-avos de final da Copa do Mundo, destacando a força defensiva do adversário e pregando respeito.












