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Russell Wilson, o quarterback que os números não expressam sua grandeza

Ex-jogador, que ganhou o Super Bowl defendendo os Seahawks, anunciou aposentadoria na última semana após 14 temporadas na NFL

Jarda por Jarda|Lucas FerreiraOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Russell Wilson anunciou sua aposentadoria após 14 temporadas na NFL, tendo jogado por Seahawks, Broncos, Steelers e Giants.
  • Selecionado pelos Seahawks no Draft de 2012, Wilson rapidamente se destacou como peça chave da equipe.
  • Conhecido por sua mobilidade, Wilson elevou o conceito de quarterback de dupla ameaça na liga.
  • Apesar de uma carreira com números impressionantes, muitos acreditam que suas conquistas não refletem totalmente seu impacto no campo.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Russell Wilson levanta o troféu Lombardi, dado ao vencedor do Super Bowl Reprodução Site/NFL/Perry Knotts

O quarterback Russell Wilson anunciou na última semana sua aposentadoria, deixando o futebol americano profissional após 14 temporadas. Ao longo da carreira, o QB defendeu o Seattle Seahawks, o Denver Broncos, o Pittsburgh Steelers e, por fim, o New York Giants.

Em textos de aposentadoria, sempre são postos os números do atleta ao longo dos anos como profissional, e colocarei estas informações aqui, mas antes acho importante contextualizar quem foi Russell Wilson e o impacto que ele teve na liga.


Wilson chegou à NFL em 2012, quando o Seattle Seahawks o selecionou com a 75ª escolha geral do Draft daquele ano. Ele foi o sexto quarterback escolhido no evento, que teve nomes para a posição como Andrew Luck, Kirk Cousins, Nick Foles e Robert Griffin 3º, também saindo da universidade e fazendo a transição para a liga profissional.

O camisa 3 já chegou em Seattle, mostrando que seria o grande nome da franquia por anos. Com uma equipe repleta de talentos, tanto no ataque quanto na defesa, Wilson era a peça que faltava para colocar os Seahawks como uma das principais forças da Conferência Nacional.


O encantamento em ver o quarterback de Seattle jogar não passava só pelos touchdowns ou jardas aéreas que ele computava ao longo do jogo, mas, sim, por como ele conquistava estes números.

Oficialmente listado com 1,80 m (já o vi pessoalmente e certamente é mais baixo), Wilson usava sua mobilidade acima da média para alongar jogadas, o que permitia que seus recebedores encontrassem tempo para desenvolver as respectivas rotas. E se os wide receivers e tight ends não conseguissem espaço, não tinha tempo ruim para ele: o camisa 3 resolvia o problema com as pernas.


Perigoso passando a bola e correndo, Wilson elevou a um novo patamar a classificação de um quarterback de ameaça dupla. Na história da NFL, entre os vencedores de Super Bowl, apenas Steve Young era considerado um dual threat digno de estima.

Óbvio, Wilson é um fruto de seu tempo. No próprio Draft que o fez chegar à NFL, Luck e Griffin 3º também eram perigosos com as pernas, em diferentes proporções, é claro. Nos anos anteriores, nomes como Cam Newton, Michael Vick e Tim Tebow também deixaram a universidade e chegaram à liga profissional com a promessa de performarem bem passando e correndo.


A questão é: dentre todos os citados acima, apenas Young e Wilson conseguiram vencer o Super Bowl, ter uma carreira realmente longeva e, certamente, serão lembrados por muito tempo... Serão mesmo?

Young parou de jogar em 1999, quando eu tinha apenas 2 anos. Se estou o citando aqui é porque, sim, nós, fãs de futebol americano, sabemos muito bem do que ele era capaz de fazer no campo e dos títulos que teve — três, no total, sendo dois como reserva de Joe Montana.

Já Wilson, no entanto, me preocupa. Tive a oportunidade de acompanhar semanalmente o camisa 3 em campo ao longo de todos esses anos e tenho uma admiração pelas vitórias heróicas que ele arrancava na unha aos domingos, pelos grandes jogos de playoff que ele protagonizou com o Green Bay Packers de Aaron Rodgers, mas não acho que os números traduzem o que ele fez em campo.

Óbvio, é uma carreira incrível com dez eleições ao Pro Bowl, 46.966 jardas passadas (16º quarterback com maior número de jardas na história da NFL na data de publicação deste texto), 353 TDs aéreos, mais outros 31 terrestres, e um título. Sim, apenas um título.

Quando Wilson e os Seahawks atropelaram o Denver Broncos de Peyton Manning e venceram o Super Bowl na segunda temporada do quarterback, parecia certo que o camisa 3 teria múltiplos anéis de campeão. Quando Seattle desmorona na última jogada da final da temporada seguinte, contra o New England Patriots de Tom Brady, parecia que era só um tropeço. A verdade é que o quarterback de Seattle nunca mais voltou à terra prometida.

Nas dez temporadas que defendeu os Seahawks, Wilson só deixou de ir aos playoffs em dois anos: 2017 e 2021. Ele voltaria à pós-temporada com os Steelers, em 2024, mas nunca ao Super Bowl.

A grande questão é que as passagens por Broncos e Giants, até mesmo pelo Steelers, foram esquecíveis. Não era o mesmo Wilson mágico, impossível de derrubar, difícil de achar e letal aos adversários.

Hoje, poucos dias após a aposentadoria de Wilson, tenho o sentimento de que aquele quarterback do início da década passada não tem os títulos que merece, tampouco números que expliquem o que fazia em campo. E espero que esse sentimento perdure e sobreviva ao tempo, o mesmo tempo o qual o camisa 3 não sobreviveu.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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