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Seleção brasileira treina com acessório de futebol americano, mas isso é uma palhaçada

Munhequeiras com códigos de jogadas são utilizadas por boa parte dos quarterbacks da NFL

Jarda por Jarda|Lucas FerreiraOpens in new window

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Gabriel Magalhães (à esq.) e Marquinhos (à dir.) utilizam wrist coach, munhequeira com instruções da comissão técnica Reprodução/CBF TV

Os zagueiros da seleção brasileira têm usado uma munhequeira com instruções de posicionamento nos treinamentos da equipe nos Estados Unidos. Coincidência ou não, o acessório é amplamente utilizado no futebol americano, esporte mais popular de um dos países da Copa do Mundo.

O wrist coach (treinador de pulso, em tradução livre) é uma munhequeira com um visor de plástico que possibilita a atletas de futebol americano colocarem papéis com instruções prévias dos treinadores, códigos de jogadas ou até o desenho da jogada em si.


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Para a seleção comandada por Carlo Ancelotti, o acessório tem sido utilizado para facilitar o entendimento do posicionamento dos zagueiros em situações de bola parada e somente nos treinos — imagino que a Fifa nunca tenha pensado em aprovar algo do tipo para um jogo oficial.

À primeira vista, a história parece ser interessante e mostra que a comissão técnica do Brasil está aberta a novidades, mas, no final das contas, é apenas uma grande palhaçada e posso te explicar o motivo.


Há pouco mais de dois anos, publiquei aqui no Jarda por Jarda um texto com base em um vídeo do ex-quarterback e comentarista de futebol americano Dan Orlovsky, no qual ele mostra o playbook ofensivo do Houston Texans de 2008.

O caderno passa, facilmente, das cem páginas, com instruções detalhadas sobre toda a terminologia e as variações de formações e jogadas que podem ser usadas nas partidas.


É trabalho do quarterback decorar todas as informações daquele livro, incluindo as rotas que os recebedores vão correr, o esquema de bloqueio da linha ofensiva e, claro, se o running back vai correr com a bola, tentar pegar um eventual lançamento ou protegê-lo em uma situação de passe.

Por ser uma quantidade de informações gigantesca, é difícil para o quarterback decorar tudo o que está no playbook e ainda executar as jogadas, que são chamadas pelo treinador na lateral por um comunicador implantado no capacete do QB.


Para facilitar um pouco a vida de quem recebe as instruções, o head coach (ou às vezes até o coordenador ofensivo) informa a jogada seguinte por meio de códigos, que podem ser interpretados pelo QB com auxílio da cola no wrist coach.

Estima-se que um ataque de time da NFL tenha centenas de jogadas no playbook, embora reduza isto para algumas dezenas a cada fim de semana, pensando no que pode funcionar contra cada adversário.

Dado este enorme contexto sobre a função da munhequeira de jogadas e reforçando que o futebol americano é um jogo extremamente estratégico, com uma nova jogada sendo iniciada a cada 40 segundos, qual a dificuldade para Gabriel Magalhães, Marquinhos e companhia decorarem uma fração mínima de posicionamentos na bola parada?

A seleção tem pouquíssimo tempo para treinamento, e a comissão técnica ainda adiciona mais um elemento, com o qual os jogadores não estão acostumados? Ao meu ver, parece uma ideia do Professor Pardal.

Particularmente, sou super a favor de utilizar novas tecnologias no futebol, encontrar soluções em outros esportes, mas o uso da munhequeira de jogadas na bola parada não passa de uma palhaçada.

O futebol é um jogo de fluidez e é óbvio que a bola parada pode decidir, mas qual a gigantesca gama de informações que os zagueiros brasileiros só conseguiriam assimilar com o wrist coach?

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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