Seleção brasileira treina com acessório de futebol americano, mas isso é uma palhaçada
Munhequeiras com códigos de jogadas são utilizadas por boa parte dos quarterbacks da NFL

Os zagueiros da seleção brasileira têm usado uma munhequeira com instruções de posicionamento nos treinamentos da equipe nos Estados Unidos. Coincidência ou não, o acessório é amplamente utilizado no futebol americano, esporte mais popular de um dos países da Copa do Mundo.
O wrist coach (treinador de pulso, em tradução livre) é uma munhequeira com um visor de plástico que possibilita a atletas de futebol americano colocarem papéis com instruções prévias dos treinadores, códigos de jogadas ou até o desenho da jogada em si.
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Para a seleção comandada por Carlo Ancelotti, o acessório tem sido utilizado para facilitar o entendimento do posicionamento dos zagueiros em situações de bola parada e somente nos treinos — imagino que a Fifa nunca tenha pensado em aprovar algo do tipo para um jogo oficial.
À primeira vista, a história parece ser interessante e mostra que a comissão técnica do Brasil está aberta a novidades, mas, no final das contas, é apenas uma grande palhaçada e posso te explicar o motivo.
Há pouco mais de dois anos, publiquei aqui no Jarda por Jarda um texto com base em um vídeo do ex-quarterback e comentarista de futebol americano Dan Orlovsky, no qual ele mostra o playbook ofensivo do Houston Texans de 2008.
O caderno passa, facilmente, das cem páginas, com instruções detalhadas sobre toda a terminologia e as variações de formações e jogadas que podem ser usadas nas partidas.
É trabalho do quarterback decorar todas as informações daquele livro, incluindo as rotas que os recebedores vão correr, o esquema de bloqueio da linha ofensiva e, claro, se o running back vai correr com a bola, tentar pegar um eventual lançamento ou protegê-lo em uma situação de passe.
Por ser uma quantidade de informações gigantesca, é difícil para o quarterback decorar tudo o que está no playbook e ainda executar as jogadas, que são chamadas pelo treinador na lateral por um comunicador implantado no capacete do QB.
Para facilitar um pouco a vida de quem recebe as instruções, o head coach (ou às vezes até o coordenador ofensivo) informa a jogada seguinte por meio de códigos, que podem ser interpretados pelo QB com auxílio da cola no wrist coach.
Estima-se que um ataque de time da NFL tenha centenas de jogadas no playbook, embora reduza isto para algumas dezenas a cada fim de semana, pensando no que pode funcionar contra cada adversário.
Dado este enorme contexto sobre a função da munhequeira de jogadas e reforçando que o futebol americano é um jogo extremamente estratégico, com uma nova jogada sendo iniciada a cada 40 segundos, qual a dificuldade para Gabriel Magalhães, Marquinhos e companhia decorarem uma fração mínima de posicionamentos na bola parada?
A seleção tem pouquíssimo tempo para treinamento, e a comissão técnica ainda adiciona mais um elemento, com o qual os jogadores não estão acostumados? Ao meu ver, parece uma ideia do Professor Pardal.
Particularmente, sou super a favor de utilizar novas tecnologias no futebol, encontrar soluções em outros esportes, mas o uso da munhequeira de jogadas na bola parada não passa de uma palhaçada.
O futebol é um jogo de fluidez e é óbvio que a bola parada pode decidir, mas qual a gigantesca gama de informações que os zagueiros brasileiros só conseguiriam assimilar com o wrist coach?
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