Jogador da NFL que tirou a própria vida teve doença cerebral causada por impactos
Marshawn Kneeland, do Dallas Cowboys, tinha 24 anos quando foi encontrado morto, em 6 de novembro do ano passado
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Pesquisadores da Universidade de Boston anunciaram na última terça-feira (7) que Marshawn Kneeland, ex-jogador do Dallas Cowboys, foi diagnosticado postumamente com uma doença cerebral degenerativa. O defensive end tirou a própria vida em novembro do ano passado.
Os cientistas analisaram o cérebro de Kneeland, que foi cedido pela família. Conforme pesquisas realizadas pelos especialistas, o ex-jogador foi diagnosticado com Encefalopatia Traumática Crônica (ETC) de estágio 1 — sendo 4 o nível mais grave.
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“Infelizmente, não me surpreendeu encontrar ETC no cérebro do Sr. Kneeland, pois detectamos essa doença cerebral progressiva em quase metade dos atletas que estudamos e que faleceram antes dos 30 anos”, disse a diretora do Centro de ETC da Universidade de Boston, Dra. Ann McKee, segundo publicação da BBC.
Mais conhecida no Brasil como demência pugilística ou Síndrome Boxer, a ETC é uma doença neurodegenerativa causada por repetidas lesões cerebrais provocadas por impacto. Os pacientes acometidos pela síndrome apresentam redução cognitiva, alteração comportamental, problemas de memória, dores e tremores.
Embora diversos ex-atletas da NFL que atentaram contra a própria vida tenham sido diagnosticados com ETC póstumo, os cientistas da Universidade de Boston destacam que a doença de Kneeland não deve ser considerada a causa para o suicídio.
De acordo com a ESPN internacional, existiam preocupações com a saúde mental de Kneeland desde 2020, quando ele ainda jogava futebol americano universitário na Western Michigan University.
O ex-defensor já foi obrigado a entregar uma arma que estava sob sua posse e, em outra oportunidade, foi encontrado deitado sobre trilhos de trem.
A família de Kneeland publicou um pronunciamento afirmando que o diagnóstico não muda a tragédia que foi sua morte, mas explica parte dos problemas que o atleta enfrentava.
“Compartilhamos essas informações para ajudar as pessoas a entenderem os desafios que atletas da NFL e de outros esportes de alto contato podem estar enfrentando. A conscientização é importante para nós. Continuamos a lembrar de Marshawn com compaixão pela pessoa que ele era, em vez de defini-lo pelos momentos finais de sua vida.”
O corpo de Kneeland foi encontrado pela polícia do Texas na manhã de 6 de novembro. Horas antes, o então jogador dos Cowboys fugiu de carro da polícia, alcançando velocidades próximas de 230 km/h, segundo agentes. Após bater o veículo, ele fugiu a pé.
A batalha da NFL e da associação de jogadores
A ligação entre ex-jogadores e o diagnóstico de ETC começou a ser feita apenas em 2002, quando o médico-legista nigeriano Bennet Omalu realizou a autopsia do ex-astro da NFL Mike Webster — que também havia se matado — e descobriu diversas lesões cerebrais. A partir de então, Omalu lutou para que a NFL fosse responsabilizada por esta condição provocada por repetidas concussões.
Basicamente, uma concussão acontece quando o cérebro atinge a parede interna do crânio, levando à confusão mental, perda momentânea de consciência e memória, falta de coordenação, náuseas e outros sintomas. No futebol americano, é comum presenciar uma lesão desse tipo quando um jogador recebe uma pancada diretamente na cabeça ou é vítima de uma desaceleração brusca, como em um tackle.
Atualmente, um jogador com sintomas de concussão é retirado de campo, avaliado por um médico independente — que não tem ligação com o time ou com a NFL — e, se diagnosticado com a lesão, tem retorno proibido para a partida. Nos dias seguintes ao jogo, o atleta deve permanecer em repouso e é avaliado diversas vezes. Normalmente, retorna às atividades em duas semanas.
Uma concussão isolada ao longo da carreira não oferece perigo ao jogador. Porém, a reincidência da lesão, em especial em intervalos curtos, pode levar a danos permanentes no cérebro e, eventualmente, a ETC.
Kneeland, por sua vez, nasceu em 2001. Ele já cresceu em um mundo em que todos os fãs de futebol americano conheciam o risco da ETC, mesmo assim não foi suficiente para evitar que ele desenvolvesse esta doença crônica.
A tecnologia dos capacetes é aperfeiçoada todo ano, os protocolos da NFL também, mas é preciso olhar para o futebol americano nas escolas, onde, desde muito cedo, já se pratica o esporte com contato. Somente um cuidado com a base da modalidade pode evitar que atletas cheguem ao nível profissional com o cérebro em estado inicial de degeneração.
Em caso de pensamentos suicidas, ligue para o 188 ou acesse o site do CVV (Centro de Valorização da Vida).
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