Logo R7.com
RecordPlus

Entendendo o College Football: sucesso na universidade não significa sucesso profissional

Futebol americano disputado na NFL nem sempre valoriza valências muito vistas em partidas universitárias

Jarda por Jarda|Lucas FerreiraOpens in new window

  • Google News
Tim Tebow foi introduzido no hall da fama da Universidade da Flórida em 2023 Reprodução Instagram/@gatorsfb

O caminho tradicional de um jogador de futebol americano nos Estados Unidos começa na escola, passa pela universidade e, se ele for realmente bom, termina com 10, 15 temporadas de NFL. Mas nem sempre completar todas estas etapas significa ter sucesso.

Existem inúmeros jogadores que tiveram grande destaque no College Football e, quando chegaram na NFL, não conseguiram ser metade dos atletas que foram pelas suas universidades durante os anos anteriores.


O quarterback Tim Tebow, por exemplo, é visto como um dos maiores atletas da história do futebol americano universitário. Foi campeão nacional duas vezes pela Universidade da Flórida e conquistou o Troféu Heisman, entregue ao melhor jogador universitário de cada temporada.

Tebow foi selecionado pelo Denver Broncos com grandes expectativas sobre o que poderia ser na NFL. No entanto, o rei do Florida Gators lançou para apenas 17 touchdowns em três anos como profissional, com apenas 47,9% dos passes completos. Uma decepção.


Outros jogadores, como Bo Jackson, não conseguiram se manter saudáveis. Jackson, que era running back na Universidade de Auburn, correu para 4.303 jardas e 43 touchdowns durante seus anos de College Football, levando o Troféu Heisman de 1985.

Jackson era um atleta tão fenomenal e acima da média que atuava tanto na NFL, pelo então Oakland Raiders, como na MLB, liga profissional de beisebol dos Estados Unidos. A jornada dupla, no entanto, chegou ao fim durante um jogo de playoff da NFL, em 1991, quando o running back teve uma lesão no quadril.


Mais conhecido hoje em dia por ser pai dos multicampeões Eli e Peyton, Archie Manning é visto até hoje como um herói na Universidade do Mississippi, mais conhecida como Ole Miss. Entre 1978 e 1980, Archie lançou para 4.753 jardas e 56 touchdowns, além de correr para outras 823, em uma época na qual quarterbacks não corriam e o jogo aéreo era secundário em relação ao terrestre.

Apesar das grandes expectativas sobre Archie, o jogador teve poucos momentos de brilho em seus 13 anos de NFL, terminando a carreira com mais interceptações (173) do que touchdowns (125).


Embora seja o mesmo esporte, com o mesmo objetivo, existem grandes diferenças entre o futebol americano praticado na NFL e na universidade, tanto no aspecto técnico quanto físico.

Por exemplo, no College Football, os quarterbacks tendem a ter um tempo muito maior para lançar e a improvisação, normalmente, culmina em grandes jogadas. Na NFL, no entanto, os QBs precisam passar a bola o mais rápido possível, enquanto confiar na proteção dos jogadores de linha ofensiva para ganhar tempo pode acabar em interceptação ou até mesmo um sack.

Outra característica do futebol americano profissional é o preparo físico. Como existem apenas 32 equipes na NFL, somente a elite dos atletas entra em campo aos domingos, e isso envolve os mais fortes e mais rápidos jogadores dos Estados Unidos. Se você não estiver neste patamar, certamente será descartado em pouco tempo.

O ponto que acaba sendo crucial para o sucesso ou não de um jogador universitário na NFL é a inteligência. Os esquemas, tanto de ataque como de defesa, a nível profissional, são muito mais sofisticados, o que implica em uma necessidade de compreensão não só do que você precisa fazer, mas como seus companheiros vão se comportar em cada jogada. Existem jogadores talentosíssimos nas universidades que chegam à NFL e parecem verdadeiras baratas tontas em campo.

Essa dificuldade de transição e incerteza sobre o futuro de um jogador de futebol americano é o que faz o College Football ser tão valorizado, mas também o Draft da NFL.

Quando se assiste a um jogador na universidade, você aprecia aquele momento, aquele estilo de jogo, que pode nunca mais aparecer quando ele estiver entre os profissionais.

Já no Draft, pode ser que uma equipe escolha um talento que aparenta ser sólido, mas que nunca vingue na NFL, assim como você pode escolher um “qualquer” e ele acabar se tornando o maior da história, vide o quarterback Tom Brady.

Não perca nenhum lance! Siga o canal de esportes do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.