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A ciência não tão exata por trás do Draft da NFL

Franquias da liga passarão os próximos três dias selecionando os maiores talentos universitários em uma briga que vale quase tudo

Jarda por Jarda|Lucas FerreiraOpens in new window


O quarterback Bryce Young foi o primeiro jogador selecionado no Draft da NFL de 2023 Reprodução Instagram/Bryce Young

O destino fez com que o primeiro texto do Jarda por Jarda seja sobre o primeiro passo de um jogador na NFL: o Draft. Nesta quinta-feira (25), as 32 franquias da liga se reúnem para escolher os melhores atletas que passaram pelo futebol americano universitário na última temporada, em uma espécie de leilão.

O cacife que cada equipe possui é de conhecimento geral desde janeiro, quando a ordem deste Draft começou a ser formada. Entretanto, o que cada franquia pensa e planeja está guardado a sete chaves nas suas respectivas sedes. Neste texto, vamos detalhar o que é o Draft, como ele funciona, como as equipes realizam suas seleções e o impacto que estes três dias podem causar no futuro de um time.

Torcedores das 32 franquias vão ao evento para aplaudir (ou vaiar) as escolhas dos time Reprodução Site/NFL/Aaron Doster

O que é o Draft da NFL?

O Draft da NFL é um evento anual no qual as 32 franquias da liga têm a oportunidade de selecionar os melhores talentos do futebol americano universitário. Como dito anteriormente, ele começa nesta quinta-feira, onde são selecionados os 32 primeiros atletas. Na sexta-feira, acontecem a segunda e terceira rodada desta espécie de leilão — ou seja, mais 64 jogadores são escolhidos. No sábado, as franquias têm mais quatro rodadas para montar o grupo de calouros que levará para a temporada seguinte. No final do evento, mais de 220 atletas terão sido selecionados para a NFL.

Existem também as escolhas compensatórias distribuídas pela liga para as franquias que perderam atletas notáveis de seus elencos, mas este tópico em específico ficará para outro texto.

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Como funciona o Draft da NFL?

O Draft é uma parte fundamental para entender a NFL e o seu constante equilíbrio. A primeira franquia a selecionar um jogador costuma ser aquela que teve a pior campanha na temporada anterior, assim como o campeão é o último a escolher. Digo “costuma ser” porque muitas vezes as franquias usam suas escolhas no Draft como moeda de troca para negociar atletas com outras equipes ou até mesmo entregam uma seleção nas primeiras rodadas e “descem” na lista do Draft para acumular mais escolhas.

Para facilitar o entendimento, o Draft é aquele momento no começo da educação física em que o professor separa meia dúzia de alunos e mandam eles montarem os times. Se você for o primeiro a escolher, obviamente vai pegar a pessoa mais habilidosa. Já na sua segunda rodada de escolhas, talvez você selecione alguém que possa acrescentar no estilo de jogo da sua equipe e por aí vai.

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Jogador de linha defensiva Jaden Crumedy correndo as 40 jardas no Combine da NFL de 2024 Reprodução Site/NFL/Kara Durrett

Como os times escolhem os atletas?

Agora que você já sabe o que é o Draft e como ele funciona, é hora de aprofundar um pouco sobre como as equipes fazem as seleções dos atletas. Existem na primeira divisão do futebol americano universitário 134 equipes, que possuem cerca de cem atletas por elenco.

Catalogar esse tanto de gente dá muito trabalho, por isso cada franquia da NFL tem um departamento exclusivo para monitorar cada jogada e movimento dos principais atletas do país. Normalmente, um jogador de futebol americano fica cerca de três anos na universidade, onde os jogos são televisionados regionalmente ou até internacionalmente.

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Os principais talentos do universitário, normalmente, já são monitorados desde o high school — equivalente ao ensino médio no Brasil. Quem leva jeito para a coisa, escolhe a escola com o melhor programa esportivo e, quando se forma, procura também as universidades com os treinadores mais conceituados para se manter em destaque.

Quando este jogador se sente preparado para sair da universidade e ir para o nível profissional, ele se declara elegível para o Draft da NFL — ter se formado academicamente no curso em que escolheu na faculdade é opcional, com a maioria se formando muitos anos após ter se tornado profissional.

Mesmo tendo anos de estatística sobre como o atleta performa na chuva, na neve, de dia, de noite e etc, as franquias têm mais algumas oportunidades de observar estes jogadores. A mais famosa é o Combine, quando parte dos atletas elegíveis ao Draft são convidados para fazer testes técnicos e físicos de velocidade, força e impulsão.

As universidades, de maneira individual, também realizam uma sessão de treino onde expõem seus principais atletas para as franquias, como uma vitrine. Neste momento e também no Combine, as equipes conversam com seus jogadores favoritos para entender como eles pensam, em uma espécie de entrevista de emprego.

Lembra do exemplo da educação física, onde você escolhe o melhor jogador para sua equipe? É o que costuma acontecer com as primeiras equipes a selecionarem no Draft da NFL — elas vão nos melhores talentos disponíveis, já que são times que, normalmente, precisam de peças em diferentes setores.

Já os outros times buscam preencher suas próprias necessidades, que podem ser um novo recebedor, um jogador de linha ofensiva confiável para proteger seu quarterback ou um novo running back para fazer o jogo terrestre da equipe fluir. Para essa escolha acontecer, as equipes vão avaliar desde o tamanho da mão do jogador até o QI e a capacidade do atleta de entender os complexos livros de jogadas da NFL.

Apesar de não ter sido um grande prospecto, Tom Brady se tornou um dos maiores jogadores da NFL Reprodução Site/NFL

O futuro da franquia decidido em três dias

Depois desta enorme quantidade de texto, que alguns vão esperar virar filme — assista Draft Day, porque já virou —, o que posso te dizer é: nada, absolutamente NADA, vai te garantir que aquele incrível prospecto que doutrinou no high school e na universidade vá ser dominante na NFL.

Não é raro jogadores selecionados no primeiro dia do Draft não vingarem, seja por lesões, seja por problemas extracampo ou por simplesmente não terem se adaptado ao sistema de jogo da NFL. Apesar de ter regras muito parecidas com o College, a liga profissional tem uma dinâmica diferente e exige que o jogador se torne mais forte, mais rápido e mais inteligente.

O quarterback Tom Brady, por exemplo, considerado por muitos como o maior jogador da história da NFL, foi selecionado na escolha 199, ou seja, apenas na sexta rodada do Draft. Outros nomes, como o também quarterback Tim Tebow, que brilhou no futebol americano universitário, não conseguiram permanecer na liga e logo foram descartados.

Fazer um bom Draft é o primeiro passo na construção de uma equipe forte. Claro, existem times, como o Los Angeles Rams de 2020, que entregaram escolhas de Draft em trocas por jogadores já consolidados e, assim, vencer o Super Bowl. Mas a receita mais básica desde que o mundo é mundo — e NFL é NFL — é selecionar bons prospectos neste grande leilão. O sucesso de uma franquia daqui a dois, três anos, pode estar diretamente ligado a estes três dias.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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