Entendendo o College: você internaria seu filho em um hospital ao lado de um estádio?
Confira sete tradições estabelecidas ao longo dos quase dois séculos de futebol americano universitário

Meses atrás, o Jarda por Jarda publicou uma tradição, no mínimo, exótica da Universidade de Delaware, que gastou mais de US$ 60 milhões (cerca de R$ 304 milhões) na reforma do estádio de futebol americano da instituição, mas manteve um ambiente bem rústico: o muro do xixi.
A excentricidade de um banheiro rústico, se assim podemos dizer, atraiu a curiosidade de muitos leitores do blog, mas este está longe de ser a única tradição do futebol americano universitário. Neste texto, o Jarda por Jarda mostra outros sete hábitos que não podem ficar de fora de um jogo de College Football de alguma das universidades mais famosas do país.
Clemson: um calço de porta se torna um amuleto
Quando o técnico Frank Howard, na década de 1960, ganhou um enorme quartzito branco, ele não sabia o que fazer. Sem dar valor à pedra, o treinador decidiu usar o item como um calço de porta para o escritório dele.
Em 1966, ao arrumar a sala onde trabalhava, Howard pediu para um doador da universidade se livrar do quartzito branco. Em vez de jogar fora a pedra, o tal indivíduo colocou a peça sobre um pedestal que fica entre os torcedores que se posicionam atrás de uma das end zones do estádio da Universidade de Clemson.
Por algum motivo, Howard, que havia pedido para se livrar da pedra, transformou, em 1967, o quartzito em um amuleto com uma simples frase: “Se você vai se dedicar ao máximo, pode esfregar essa pedra. Se não, mantenha suas mãos imundas longe dela”.
Desde então, os jogadores de Clemson saem do vestiário, dão a volta no estádio de ônibus e descem correndo o trecho de grama da arquibancada do estádio Memorial. E claro, sempre tocando na Rocha de Howard.
Colorado: bisão ou búfalo?
A Universidade de Colorado usa o búfalo como mascote do seu programa esportivo, e é esse animal que estampa camisas, casacos e outros itens que podem ser adquiridos nas lojinhas de souvenir da universidade.
No entanto, quando a equipe de futebol americano entra em campo no Folsom Field, é um enorme bisão que abre o caminho para os quase 100 atletas do time. Conhecido como Ralphie, o Búfalo (MESMO SENDO UM BISÃO), o animal de mais de 500 kg, que pode chegar a 40 km/h, é segurado por um grupo de estudantes, que tentam controlar o mascote — a função é vista como uma honra na universidade.
Assim como a Rocha de Howard, esta tradição de Colorado começou na temporada de 1967. Sete bisões já viveram este personagem, cada um permanecendo na função por cerca de uma década.
Virginia Tech: lá vem o bicho-papão
Quem, quando criança, nunca ouviu a história de que o bicho-papão poderia te pegar no momento em que fosse dormir? Nos Estados Unidos, esse conto também existe, mas por lá é atribuído ao Homem de Areia.
A lenda diz que este ser folclórico joga areia nos olhos das crianças para fazê-las dormir. Quando acordam, a remela nos olhos mostra que o Homem de Areia passou por lá. Versões mais sombrias da história apontam, no entanto, que o “bicho-papão norte-americano” vai até os quartos das crianças más para puni-las.
O tal Homem de Areia ficou mundialmente conhecido a partir da música Enter Sandman, da banda Metallica, lançada em 1991. A canção, que fala sobre um pesadelo infantil, foi escolhida nove anos depois por Virginia Tech como o tema para levantar os torcedores na arquibancada.
Quase três décadas depois, a entrada dos jogadores de Virginia Tech já se tornou uma das maiores e mais conhecidas tradições do futebol americano universitário.
West Virginia: Leve-me para casa
Quando John Denver lançou Take Me Home, Country Roads em 1971, ele certamente não poderia esperar que sua música se tornasse uma das maiores tradições do futebol americano universitário.
Além do tema ser um grande sucesso por si só, a canção que fala sobre pegar as estradas rurais norte-americanas para voltar para a Virgínia Ocidental se tornou um mantra para a maior universidade do estado.
Antes dos jogos e após as vitórias, jogadores e torcedores cantam a plenos pulmões uma das canções mais conhecidas dos EUA e que homenageia, justamente, aquele estado.
Iowa: um aceno de esperança
Os pacientes do hospital universitário da Universidade de Iowa têm um dos vizinhos mais barulhentos que alguém pode ter: um estádio. O Hospital Infantil da Família Stead tem sua fachada virada diretamente para o estádio Kinnick, que recebe 70 mil pessoas por jogo entre setembro e janeiro.
O que poderia ser apenas um incômodo para as crianças se tornou uma das mais belas tradições do futebol americano universitário. Iniciado em 2017, ao fim do primeiro quarto de jogo, todos os torcedores e jogadores se viram para o hospital e acenam em direção aos pacientes, que assistem ao confronto.
Mais recentemente, em 2022, a universidade passou a permitir que uma das crianças internadas escolha uma música para acompanhar o momento do aceno, tornando o momento ainda mais especial.
Penn State: todo mundo de branco
Vira e mexe volta à moda as festas do branco no Brasil. Lá na Pensilvânia, no entanto, se alguém te convidar para um lugar que é preciso ir todo de branco, saiba que vai custar caro.
A equipe de futebol americano de Penn State joga anualmente uma partida na qual todos os torcedores são convidados a ir de branco. A tradição, iniciada em 2004, conta com uma média de público que ultrapassa os 108 mil presentes, ainda que o ingresso custe a partir de R$ 1.200.
Embora a torcida esteja toda de branco, os jogadores de Penn State atuam de azul, sendo uma forma de o quarterback da casa conseguir encontrar facilmente seus recebedores, enquanto a equipe visitante, normalmente de branco, tem dificuldades na imensidão de mesma cor.
Desde 2021, Penn State perdeu apenas uma vez o White Out Game, em uma partida contra Oregon que precisou de duas prorrogações para ser decidida.
Wisconsin: vamos pular?
Se Sandy & Junior lançou Vamo Pula! em 1999, os norte-americanos já saíam do chão desde 1992 com Jump Around, de House of Pain. O objetivo das duas músicas é o mesmo: pular.
Na Universidade de Wisconsin, em 1998, os torcedores passaram a usar a música de House of Pain entre o terceiro e quarto quartos para dar aquele empurrão no time na reta final de jogo.
Em 2003, todavia, os alunos e fãs do time de futebol americano da universidade foram proibidos de pular por haver um temor de que a vibração causada pelos torcedores durante os pulos pudesse provocar danos estruturais ao estádio Camp Randall, que passava por reformas à época.
Apenas em 2008, quando completava dez anos do primeiro Jump Around, a reitoria de Winsconsin permitiu que a tradição fosse retomada, para não mais ser interrompida.
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