Entendendo o College Football: saiba como ser bem pago nos Estados Unidos
Conhecido como terra das oportunidades, país tem um cargo público que é o melhor remunerado em mais da metade dos estados

Muitos brasileiros sonham em ir aos Estados Unidos para tentar uma nova vida. Entrando de maneira legal ou por meio de “coiotes” que auxiliam a travessia pela fronteira com o México, todos estão em busca da promessa de uma vida melhor.
No entanto, poucos brasileiros — ou nenhum — são capacitados o suficiente para desempenhar o cargo público mais bem remunerado na maioria dos estados norte-americanos. Não estou falando do governador, de deputados ou magistrados, mas sim dos treinadores de futebol americano universitário.
Neste texto do Entendendo o College Football, explico para você como e por que o funcionário público mais bem pago nos Estados Unidos é um técnico.
Já imaginou ganhar R$ 68 milhões por ano?
O treinador principal do time de futebol americano da Universidade da Georgia, Kirby Smart, foi o treinador mais bem pago do College Football em 2024, com um salário de US$ 13,8 milhões (cerca de R$ 68 milhões) por ano. Ele não foi só o melhor remunerado entre os técnicos, mas também entre todos os funcionários públicos dos Estados Unidos.
Um levantamento do Yahoo! Finance, de 2019, apontou que 31 dos 50 estados norte-americanos tinham como funcionário público mais bem pago um treinador de futebol americano. Em seguida, nesta lista apareciam técnicos de basquete masculino, enquanto profissionais de outros cargos universitários completavam o ranking.
Este mesmo tipo de pesquisa, realizada em 2013 pelo portal Deadspin, mostrava que 27 estados dos EUA já tinham treinadores de futebol americano universitário como os funcionários públicos mais bem pagos. E essa realidade continua.
Na Califórnia, por exemplo, o funcionário público mais bem pago do estado em 2025 foi o treinador principal do time de futebol americano da Universidade da Califórnia, Justin Wilcox. Mais ao norte dos EUA, mas ainda na Costa Oeste, o trabalhador mais bem pago do ano passado foi Jedd Fisch, técnico da Universidade de Washington.
Qual o fundamento para isso?
O leitor mais assíduo do Jarda por Jarda sabe que o futebol americano universitário é a força motriz de muitas cidades ao redor dos Estados Unidos, em um contexto no qual existe uma grande idolatria pelas instituições, assim como por seus times.
Por si só, este já seria um motivo aceitável para justificar estes treinadores como os funcionários públicos mais bem pagos, mas as questões vão além.
Em setembro de 2025, a rádio pública NPR, dos Estados Unidos, entrevistou Greg Byrne, diretor atlético da Universidade de Alabama. Byrne explicou que há um efeito cascata quando se contrata um bom treinador de futebol americano universitário.
“Assim, trata-se de um modelo econômico em que o futebol [americano] é o motor que impulsiona o projeto, oferecendo não apenas grandes oportunidades para seus estudantes-atletas, mas também uma forma de envolver e engajar as pessoas com a universidade.”
Quanto melhor o treinador, melhor a chance de atrair os melhores atletas. Quanto melhores os atletas, mais visibilidade para a universidade. Quanto mais visibilidade para a universidade, maiores os lucros com produtos e maior a vontade de trazer novos estudantes para a instituição.
E, apesar de estes treinadores serem considerados funcionários públicos dos estados nos quais trabalham, brechas jurídicas permitem que seus salários sejam pagos por fundos privados, como doações à universidade. Ou seja, Smart, Wilcox ou Fisch não recebem milhões de dólares por ano a partir do suor dos contribuintes.
Para nós, brasileiros, é difícil entender a realidade do esporte universitário nos Estados Unidos, mas é assim que funciona por lá.
Quando falamos em esporte universitário no Brasil, pensamos em torneios amadores nos quais os alunos-atletas estão muito mais interessados em farrear do que jogar. Nos Estados Unidos, o esporte universitário também é amador, mas a estrutura é maior do que das grandes equipes do futebol profissional brasileiro. Nesta galeria, o Jarda por Jarda mostra a real dimensão do futebol americano universitário
Reprodução Site/Go Ducks/Eric Evans
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