Entendendo o College Football: por que os estádios das universidades são tão grandes?
Futebol americano universitário possui oito estádios com capacidade para mais de 100 mil espectadores
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Você acha o estádio Mané Garrincha, em Brasília, grande? E que tal o Maracanã? E se eu disser que estas arenas brasileiras não ficariam sequer entre os 15 estádios com maior capacidade dos Estados Unidos?
Pois é, lá na terra do Tio Sam existem oito arenas com mais de 100 mil lugares, e, pasmem: nenhum destes estádios pertence a um time da NFL. Inclusive, o MetLife Stadium, casa de Jets e Giants, possui o maior número de assentos da liga profissional de futebol americano (82.500), mas é só o 15º maior do país.
Quem são os donos dos outros 14 estádios? As universidades. No texto do Entendendo o College Football desta semana, o Jarda por Jarda explica alguns dos motivos para o futebol americano universitário ter arenas com capacidade para mais de 107 mil pessoas.
Espaço sobre conforto
Os estádios da NFL, em um passado não muito distante, eram o que conhecemos aqui no Brasil como “raiz”. Sem muito luxo, muitas franquias dividiam suas arenas com equipes de beisebol. Ou seja, não era incomum ligar a TV em um jogo do então Oakland Raiders e ver terra em meio ao gramado verde.
No entanto, este cenário exótico é coisa do passado. Os Raiders, por exemplo, deixaram a cidade de Oakland e foram para Las Vegas por contar com apoio do governo local para a construção do Allegiant Stadium, que custou cerca de US$ 2,4 bilhões. Uma verdadeira joia no meio do deserto de Nevada.
Telões gigantes, suítes privadas, camarotes luxuosos para receber os atores mais famosos de Hollywood. É isso que uma franquia da NFL pensa quando constrói um estádio, muito mais chique que aquele shopping da sua cidade.
As universidades, por sua vez, são mais rústicas na construção de seus estádios. O Michigan Stadium, da Universidade de Michigan, possui capacidade oficial para 107.601 pessoas, mas as arquibancadas não possuem um assento sequer. Se quiser ver um jogo lá, vai ter que sentar em um banco sem encosto, que muito lembra as arquibancadas de cimento brasileiras antes da reforma para a Copa do Mundo de 2014.
No fim, o que as universidades querem é colocar o maior número de pessoas dentro do estádio para que ele pulse durante os quatro quartos de jogo, tornando-se um ambiente hostil para os adversários.
Expansões constantes
Estes megaestádios do futebol americano universitário não nasceram deste tamanho. O já citado Michigan Stadium, por exemplo, abriu em 1926, mas sofreu sete expansões ao longo de sua história. O Ohio Stadium, que pertence à Universidade de Ohio (rival de Michigan, por sinal), foi aberto em 1921 e teve quatro expansões até alcançar os atuais 102.780 lugares.
Quem acompanha fielmente o College Football certamente já viu uma partida acontecendo enquanto um trecho do estádio está fechado para obras de ampliação. É comum.
Outro fator que torna estas expansões possíveis é o enorme espaço que as universidades possuem. Na maioria das vezes, estas arenas ficam em cidades no interior dos Estados Unidos, no centro de campus universitários em municípios que respiram aquela instituição (a tradicional história de filme norte-americano de sair de casa para fazer o ensino superior é real).
É usual também que ex-alunos e moradores de municípios próximos viajem para assistir às partidas das equipes, esteja a maré boa ou ruim. Embora com 100 mil lugares, os estádios sempre estarão lotados, muitas vezes com mais pessoas do que a capacidade oficial — é sério.
Torcedor X cliente
Na NFL, é comum que franquias mudem de cidade e deixem milhares ou até milhões de órfãos para trás. A comunidade no entorno daquela equipe pode ser o quão apaixonada for (menção honrosa aos torcedores de Oakland), mas se o dono da franquia botar na cabeça que não é mais vantajoso estar lá, ele bota tudo dentro de caminhões e vai embora.
Uma universidade, todavia, não funciona assim. Estes campus estão instalados nestes locais há séculos e viram toda uma região crescer no entorno daquela instituição. As equipes universitárias ali presentes, por sua vez, defendem territórios e tradições centenárias.
É neste contexto que, para as universidades, se torna mais vantajoso ter estádios para mais de 100 mil pessoas do que elitizar as arenas e tentar lucrar com o que os economistas chamariam de match day. É uma valorização do torcedor, que ali não é visto como um cliente.
Quando falamos em esporte universitário no Brasil, pensamos em torneios amadores nos quais os alunos-atletas estão muito mais interessados em farrear do que jogar. Nos Estados Unidos, o esporte universitário também é amador, mas a estrutura é maior do que das grandes equipes do futebol profissional brasileiro. Nesta galeria, o Jarda por Jarda mostra a real dimensão do futebol americano universitário
Reprodução Site/Go Ducks/Eric Evans
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