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Quanto vale a privacidade de um ‘estranho’ para sanar sua curiosidade?

Um dos principais assuntos da liga nos últimos dias é um suposto relacionamento extraconjugal entre um treinador e uma repórter

Jarda por Jarda|Lucas FerreiraOpens in new window

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Mike Vrabel, técnico do New England Patriots, durante o Super Bowl 60. Reprodução Site/New England Patriots/Eric J. Adler

A NFL lida com uma constante escassez do seu principal produto, o futebol americano. A temporada regular da liga se inicia em setembro e tem fim no Super Bowl, geralmente na segunda semana de fevereiro. Ou seja, apenas cinco meses de ação.

Entre março e agosto, no entanto, a NFL prepara diversos eventos para sempre se manter em destaque na mídia: Combine, Draft, Training Camp, jogo do Hall da Fama, pré-temporada.


Ainda assim, a grandiosidade que o futebol americano ganhou mundialmente nas últimas décadas faz com que o fã do esporte nunca esteja plenamente saciado.

Sem jogos a cada três dias, a vida pessoal dos atletas e treinadores, que deveria ser privada, se torna pública. Eles não mais são avaliados e idolatrados pelo que fazem aos domingos, mas também pela forma como se vestem ou como agem no dia a dia. Afinal, são heróis muito bem remunerados para vencer jogos e campeonatos.


No entanto, há um limite entre a imagem pública destas celebridades do esporte e das pessoas que deveriam se tornar ordinárias assim que tiram o uniforme.

E não estou falando sobre pedir foto ou autógrafo no shopping, mas sim sobre a vida privada, os dilemas pessoais se tornando o centro das discussões quando nada tem a ver com a profissão que projetou esse ser para o mundo.


Ao longo da temporada 2024, Joe Burrow, quarterback do Cincinnati Bengals, teve a casa invadida enquanto enfrentava os Cowboys em Dallas. A vitória dos Bengals logo foi colocada em segundo plano quando foi descoberto o assalto, mas o que chamou a atenção do público foi quem ligou para a polícia: uma mulher classificada pela equipe do quarterback como uma funcionária de Burrow, embora fosse mais conhecida pelos seus trabalhos como modelo.

As páginas de fofoca “puxaram a capivara” inteira da mulher, enquanto pouco se comentava da vitória arrancada à força pelos Bengals fora de casa.


Em seu primeiro encontro com a imprensa após o assalto, Burrow, visivelmente abalado, iniciou a coletiva dizendo que sentia sua intimidade violada dada a invasão e as discussões sobre sua vida privada. Como era a reta final da temporada regular da NFL, logo este assunto caiu no esquecimento.

A mesma sorte não teve o técnico do New England Patriots, Mike Vrabel, e a repórter norte-americana Dianna Russini. Há pouco mais de um mês, fotos de Vrabel e Russini em uma viagem ao Arizona foram divulgadas na imprensa americana. Ambos negaram qualquer envolvimento romântico, uma vez que são casados.

A negativa do treinador e da repórter iniciou uma busca incessante de portais de fofoca “pela verdade”. Foram encontradas imagens dos dois em diversos momentos ao longo dos anos, passeios de barco a sós e até o nome do filho de Russini, que é Michael, sugeriu ser uma homenagem a Vrabel.

Mas a publicação que mais me incomodou e motivou este texto foi feita no último domingo (10) pelo TMZ (maior portal de famosos dos EUA), que postou uma foto de Russini beijando o marido em pleno Dia das Mães. A repórter sequer tem direito à privacidade, a viver sua vida, no Dia das Mães. Inacreditável.

Poderíamos estar aqui falando sobre a carreira de Vrabel, que bateu diversas vezes na trave com o Tennessee Titans, mas chegou ao Super Bowl em sua primeira temporada como treinador principal dos Patriots. Poderíamos falar sobre as décadas de trabalho de Russini, uma das principais repórteres esportivas da TV norte-americana. Mas cá estamos nós discutindo o que é público e o que é privado.

Convido você, leitor do Jarda por Jarda, a fazer uma reflexão: o que mudaria na sua vida se Vrabel e Russini tivessem um relacionamento extraconjugal? O treinador dos Patriots escalaria errado o time? A repórter daria informações erradas ao telespectador?

Quando um atleta faz algo à margem da lei, como os estupros cometidos por Daniel Alves e Robinho, é dever da imprensa ficar em cima do caso — eram dois atletas mundialmente conhecidos contra duas vítimas de um crime que não possuem expressão pública. Agora, se Burrow está saindo com uma modelo, se Vrabel e Russini têm algum envolvimento, nada acrescenta à sociedade. Não há fator noticioso.

Quanto vale a privacidade de um “estranho” para sanar sua curiosidade? Em uma próxima oportunidade, tente se colocar no lugar do próximo e reflita se você gostaria deste mesmo tipo de holofote.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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