Zé Rafael rouba a cena. E o Palmeiras não sentiu falta da Globo
Na estreia do Brasileiro, Felipão desfrutou do melhor elenco do país. 4 a 0 contra o Fortaleza. O jogo foi histórico. Com o clube sem acordo com a Globo
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

São Paulo, Brasil
A importância de ter o melhor elenco do país foi fundamental, na estreia vitoriosa do Palmeiras contra o Fortaleza.
Bastaram três minutos de jogo e Ricardo Goulart já deixou Felipão e os mais de 26 mil torcedores tensos na arena palmeirense.
Ele começou a mancar, sentindo dores no joelho direito, o que foi operado no ano passado. E aos sete minutos caiu no gramado, pedindo substituição.
Goulart ouviu um 'estalo' no joelho.
Scolari colocou Zé Rafael, ótimo jogador.
Entrou, marcou dois gols e deu assistência para o gol de Marcos Rocha.
Bruno Henrique ainda fez o seu.
Palmeiras goleou o Fortaleza de Rogério Ceni, que não perdia há 11 partidas.
Vitória por 4 a 0, primeiro passo obrigatório e firme, como queria Felipão.
Independente da prioridade ser a Libertadores, ele sabe que o Brasileiro, por pontos corridos, é o torneio ideal para ser conquistado sem sustos, pelo melhor elenco. Sem a imprevisibilidade dos mata-matas na Libertadores e Copa do Brasil.
Fora de campo, Mauricio Galiotte cumpriu sua promessa.
A Globo fez uma última tentativa no sábado para fechar com o clube e transmitir a estreia pelo pay-per-view, pelo menos.
Mas o dirigente foi claro. Sem a equiparação com o que recebe o Corinthians, sem acordo.
E a dona do monopólio da transmissão do futebol no país começou o Brasileiro da Série A sem o acerto com um clube na tevê aberta, na tevê a cabo e no pay-per-view.
Nada de Premiere, o que deve trazer problemas para as operadoras com o Procon. Assinantes não tiveram desconto por não ter os jogos do Palmeiras. E também do Athletico Paranaense, que fechou só com a Globo na aberta.
Além do canal TNT, da Turner, pelo cabo, o próprio clube transmitiu o jogo pelo seu aplicativo Palmeiras Play, exclusivo para seus sócios-torcedores.
Galiotte garante que o aplicativo não será descartado mais, em hipótese alguma, mesmo se houver acerto com a Globo no futuro.
É o Palmeiras mostrando sua força, sua independência, sua postura visionária.
Zé Rafael aos poucos conseguiu se livrar do peso de haver perdido o pênalti decisivo na semifinal do Paulista, contra o São Paulo.
"O grupo me acolheu, o Felipão me acolheu. Infelizmente, aconteceu, mas serviu para me fortalecer. Sigo trabalhando firme e forte para dar meu melhor", dizia, empolgado.
Sobre substituir Ricardo Goulart, ele foi solidário.
"É triste entrar quando um atleta amigo seu se machuca. O Goulart sentiu um desconforto, mas é rezar para que não seja nada grave.
Fico feliz por ter entrado e correspondido. Aos poucos, vou ganhando confiança e mostrando o futebol que sei jogar."
E ele tem mesmo ótimo potencial.
"Gostei do nosso jogo. Gostei do Fortaleza. O resultado foi bom, mas a equipe deles dificilmente será batida. O posicionamento que o Rogério tem da equipe é muito bom. Mas nós tivemos uma boa partida hoje também.
O resultado elástico não diz totalmente que fizemos uma boa partida ou que eles fizeram uma partida ruim. Acho que o Fortaleza, em sua casa, vai tirar pontos de muita gente. Temos alguns jogos e situações de estudo para quarta-feira e sábado, depois tem o San Lorenzo. Aí vamos montando algumas coisas.
É o que eu vou fazendo, igual o ano passado, trocando umas cinco peças por jogo", disse Felipão, antecipando o esperado revezamento.
Fácil para o elenco que tem nas mãos.
Apesar do susto de Ricardo Goulart, que fará exames específicos amanhã, e preocupa, a partida foi fácil. Os médicos não diziam com certeza o que o giro sobre o joelho direito pode ter provocado. O gramado estava pesado, escorregadio por causa da chuva intermitente que castigou São Paulo na hora do jogo.
O Fortaleza de Rogério Ceni não foi nem sombra da equipe que faz ótima campanha desde que o técnico assumiu. Venceu a Série B, o Cearense. E está na semifinal da Copa do Nordeste.
O time sentiu sua inferioridade técnica diante do Palmeiras. Os jogadores não tinham recursos para sair da marcação forte, ofensiva, montada por Felipão. A equipe cearense não tinha o que fazer, a não ser dar chutões, tentar bolas longas para Júnior Santos. Wellington Paulista estava ajudando a marcar na intermediária.
O desenho tático do Fortaleza era um bem organizado 4-1-4-1. Mas só que os jogadores eram vencidos por dribles, tabelas rápidas, infiltrações. A velocidade do meio para a frente do Palmeiras era maior do que o poder de recomposição da equipe nordestina.

Felipão misturou teimosia com injustiça. Gustavo Scarpa teve uma atuação excelente contra o Melgar, atuando como meia centralizado, como fazia no Fluminense.
Começou o jogo nos lados do campo. Principalmente pela esquerda. Para que Ricardo Goulart fosse o meia. Quando ele teve de sair, Felipão colocou Zé Rafael.
Deveria ter feito Scarpa passar a atuar no meio e o ex-jogador do Bahia, pelos lados. Mas fez o contrário
Foi a vez de Zé Rafael brilhar.
Deyverson teve ótima movimentação, atrapalhando muito a marcação cearense. Dudu ficou mais na direita, só que não esteve nos seus melhores dias. Até porque Carlinhos foi o melhor marcador do Fortaleza.
O Palmeiras não teve dificuldades em construir a vitória. Aos 16 minutos, Diogo Barbosa descobriu Zé Rafael na área cearense, ele dominou a bola e bateu cruzado, indefensável para Felipe Alves, 1 a 0.
Rogério Ceni gritava, orientava, mas não havia como seus jogadores travarem o toque de bola rival. Por sorte, Felipe Alves e um erro grave do árbitro Bráulio da Silva Machado, que não deu vantagem absurda para Dudu, quando o atacante escapava livre de uma falta.
Na segunda etapa, o panorama ficou até melhor para o Palmeiras.
O Fortaleza cansou.
E o Palmeiras se aproveitou.
Aos 13 minutos, Zé Rafael bateu cruzado para a área e Marcos Rocha completou para as redes: 2 a 0.
Weverton só foi notado quando Osvaldo se proveitou do vacilo de Felipe Melo, chutou cara a cara e o goleiro defendeu, o rebote caiu no seu pé e outro chute forte e outra grande defesa. O lance aconteceu aos 21 minutos do segundo tempo, a única chance real da equipe cearense.
Mas quatro minutos depois viria a resposta de maneira mais cruel possível. Marcos Rocha cobrou lateral, a bola passou por toda a defesa do Fortaleza e encontrou Zé Rafael, 3 a 0.
O Palmeiras passou a se poupar, diminuiu o ritmo.
Mesmo assim, aos 45 minutos, Marcos Rocha cruzou, Hyoran furou e a bola sobrou para Bruno Henrique fazer as pazes com as redes. 4 a 0.
Depois de 11 partidas, o Fortaleza voltou a perder.
E Rogério Ceni percebeu o quanto precisa de reforços.
Para não ter o primeiro rebaixamento da carreira.
O time é muito fraco nos confrontos nacionais.

Do lado palmeirense, a estreia foi como Felipão queria.
Primeiros três pontos e uma dose de confiança a mais.
São oito gols em dois jogos, depois do Paulista.
E Mauricio Galiotte mostrou.
O que pouquíssimos dirigentes acreditavam.
Há vida neste país sem a Globo...













