O ‘encanto Ancelotti’ acabou. O treinador começará seu ciclo de quatro anos sob desconfiança e críticas. Medo da CBF é a reação do italiano
Ex-jogadores e comentaristas dão o tom do que espera Ancelotti, após voltar de suas férias em Toronto, no Canadá. A pior eliminação do Brasil de uma Copa, depois de 36 anos, será o fantasma na sua reformulação. A princípio sua ‘Seleção de 2030′ será sem Neymar. Resta saber como o italiano lidará com a pressão, com as críticas
São Paulo, Brasil
“Se eu estivesse na Confederação, teria entrado no vestiário e mandado ele para o inferno.
“E rasgado o contrato nele na hora.”
Romário
“O Ancelotti provou que é um treinador de clube e não de Seleção.
“Provou na Seleção que é um fracassado.”
Müller
“Ancelotti é um treinador fraco, que já estava em decadência no futebol mundial.
“Já não tinha para onde ir depois que saísse do Real Madrid.”
Edilson
Carlo Ancelotti, 67 anos, nunca foi atacado de forma tão direta e agressiva na sua carreira.
O técnico mais vitorioso da história, com 32 títulos, entre eles cinco conquistas de Champions, viveu momentos ruins.
Teve demissões.
Trabalhos que não deram certo.
Ele mesmo explica quatro demissões.
“Fui despedido quatro vezes por grandes clubes: Juventus, Chelsea, Real Madrid e Bayern. Isso demonstra que não é preciso ter um presidente ou proprietário imprevisível para ser dispensado.
“Os acionistas da empresa também o podem fazer. Esta foi a demissão mais intransigente de toda a minha carreira.”
O Bayern havia perdido por 3 a 0 para o PSG, maior derrota em 21 anos. E a demissão em 2018 foi sumária.
A revolta, pelo aumento do jejum de Copas do Mundo da Seleção para 28 anos, só cresce nas redes sociais.
E aumenta com a chegada da definição da competição nos Estados Unidos.
Ficou muito claro o abismo que existe entre o Brasil de Ancelotti com a Espanha, de Luis de la Fuente, a Argentina, de Lionel Scaloni, a Inglaterra, de Thomas Tuchel, e da França, de Didier Deschamps, mesmo eliminada da final.
Quando foi sacramentada a eliminação do Brasil diante da Noruega, havia a preocupação da cúpula da CBF que Ancelotti pediria demissão.
Mas ele confirmou que deseja cumprir seu contrato, seu ciclo até 2030. Seu sonho é se aposentar devolvendo a Copa do Mundo ao Brasil.
O presidente da CBF, Samir Xaud, confirmou pessoalmente a Ancelotti que ele não sairá, de maneira alguma, até 2030.
Lógico que o italiano precisa de conquistas para acalmar o questionamento sobre seu comando.
E a meta é a Copa América de 2028.
Estados Unidos e Equador disputam para qual será a sede.
Outra vez, Ancelotti terá ‘carta branca’ para convocar quem desejar.
Conversando com presidentes de Federações, Xaud pediu paciência com o treinador na montagem do ‘novo Brasil’.
O dirigente teme o gênio fortíssimo do técnico. Ele pode não querer seguir, por exemplo, se for vaiado, xingado pela torcida brasileira em caso de derrotas em casa.
Apesar de ter garantido R$ 5,5 milhões mensais, Ancelotti já está milionário há muito tempo.
E não depende do dinheiro para viver.
Ele sabe que sua reputação de melhor treinador do mundo está abalada.
A derrota precoce no Brasil teve seu preço.
Assim como a rejeição por parte de ex-jogadores da Seleção.
E de comentaristas esportivos.
Vai recomeçar seu trabalho no final de agosto.
Os dois primeiros jogos, depois da eliminação na Copa, serão contra a Austrália, na Austrália. Dias 24 e 28 de setembro.
Será o início da formação do ‘novo Brasil’, desta vez, só de Ancelotti. Ele terá quatro anos para trabalhar e não apenas um ano como foi para a Copa dos Estados Unidos.
Isso se superar as cobranças e críticas.
E elas serão muito mais pesadas daqui por diante.
A eliminação para a Noruega tem seu preço.
Ancelotti perdeu a aura invisível de intocável...














