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Vândalos do PSG transformam decisão histórica em um inferno

Ultras usam fogos de artifício para não deixarem os jogadores do Real Madrid dormirem. Pegaram o pior da Libertadores e levaram para a Champions

Cosme Rímoli|Cosme Rímoli

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A selvageria não é exclusividade do lado de baixo do Equador.

Muito pelo contrário.


O que seria uma causa nobre, se vulgarizou. 

Foi entendida da pior maneira por vândalos, estúpidos, que entendem que vale tudo, de verdade, para vencer no futebol.


Desde que começou março, o Paris Saint-Germain deu início a uma campanha inédita.

Enalteceu o sonho. 


"Ensemble on va la faire." A expressão em francês significa 'juntos vamos conseguir'. Uma referência clara ao jogo de logo mais contra o Real Madrid. O time francês precisa reverter a desvantagem de 3 a 1, na derrota em Madrid. Não há meio termo. Ou reverter ou a eliminação da Champions League, obsessão não só do PSG, mas do orgulho nacional da França.

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Afinal, após 62 vezes disputado o torneio entre os principais clubes europeus, só o Olympique de Marselle venceu a competição. Na temporada 1992/1993. Os franceses se acostumaram a acompanhar, com inveja, as festas dos espanhóis, alemães, italianos, ingleses. Até portugueses e holandeses contabilizam mais conquistas que eles.


Mas a temporada 2017/2018 mudou toda a perspectiva. Graças à contratação do jogador mais caro do futebol em todos os tempos, Neymar. Por R$ 822 milhões, a família real do Catar, dona do PSG, mudou a geografia do esporte no mundo. A França passou a ter um grande favorito na luta pela conquista da Champions. 

Neymar ensandeceu os franceses. Desequilibrou todos os torneios internos a favor do PSG. E na Champions, o time avançava confiante. Até que sofreu uma derrota evitável, principalmente pelo desvantagem de dois gols, diante do Real Madrid, atual campeão da Champions, com Cristiano Ronaldo, ostentando o posto de cinco vezes melhor do mundo.

Foi um baque, mas a agora entusiasmada torcida francesa, acreditava na revanche. Até que Neymar teve uma fissura no quinto metatarso, torcendo o pé, sozinho, quando a partida já estava ganha, diante do Olympique de Marselle. Operação e recuperação entre seis a dez semanas.

A desilusão começava a tomar conta dos torcedores. Foi quando a mídia francesa, que também precisa de vitórias no futebol, e o PSG encamparam o "Ensamble on va la faire".

E nos últimos dias, portais, jornais, televisões e rádios fizeram uma campanha maciça. A ideia era contaminar os torcedores. Fazer com que acreditassem ser possível derrubar o gigante Real Madrid. Agora, com o time jogando de maneira conjunta. Não esperando apenas o desequilíbrio, os improvisos, o talento de Neymar desequilibrar o jogo. Não, o ameaçado Unai Emery, tricampeão da Copa Europa, aposta todas as suas últimas fichas na força do seu conjunto. 

Aréola; Daniel Alves, Marquinhos, Kimpembe (Thiago Silva) e Berchiche; Rabiot, Thiago Motta (Draxler), Verratti; Di Maria, Cavani e Mbappé. Esses jogadores são muito poderosos. E têm capacidade para desafiar o Real Madrid e passar para as quartas.

Daniel Alves, maior amigo de Neymar no futebol, tem ligado diariamente ao jogador, em recuperação, na sua suntuosa mansão em Mangaratiba. E garantiu que o PSG vai esperá-lo para disputar as semifinais da Champios. Ou seja, ele acredita na superação do PSG, hoje, em Paris.

O festival de incentivo da mídia, acabou por atingir em cheio os radicais. E vândalos decidiram dar sua ajuda. O que fizeram? Repetiram a estratégia que aprenderam na selvagem América do Sul, na radical Libertadores da América.

Sem o menor pudor, membros de organizadas do PSG decidiram que o elenco do Real Madrid não iria descansar nesta madrugada. E foram em caravana para o exclusivo hotel "Le Collectionneur", localizado no 8º arrondissement, na região da Avenida Champs Élysées, perto do Arco do Triunfo.

Um foguetório infernal acompanhando por uma batucada fora do tom e ensurdecedora. Era 1h30. Uma falta de respeito que a polícia, por coincidência ou não, demorou a dispersar. Atitude vergonhosa, que rebaixa o PSG na disputa que o mundo do futebol aguardava com ansiedade.

A vibração pedida pelo clube francês se tornou incentivo à violência
A vibração pedida pelo clube francês se tornou incentivo à violência

Uma faixa enorme resumia a distorsão.

"Puta Madrid!", ofensa em espanhol, para ser entendida pelo Real.

Triste slogan que já havia sido usado na partida de ida, na Espanha.

Uma coisa é um país se unir torcendo por um clube.

Outra está na permissão que vândalos tire o descanso dos rivais.

Estratégia lastimável e que tira o brilho da disputa.

O PSG errou em insistir que todos deveriam estar prontos para a 'guerra'.

Os dirigentes citaram a palavra que os 'ultra' tanto adoram.

E se sentiram à vontade para barbarizar a noite parisiense.

Triste situação.

Para um país que sofreu tanto nas duas guerras mundiais.

Agora aceita que canalhas violentos estraguem o clima de decisão.

Há um temor enorme em relação ao caminho do ônibos do time espanhol até o estádio Parque dos Príncipes. Os ultras prometem novos atos hostis. Já avisaram que vão fazer de tudo para tentar tirar a concentração, perturbar os rivais.

A França conseguiu.

Se equiparou com o pior da selvagem América do Sul...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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