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O plano de Rosenberg para salvar o Corinthians da bilionária dívida

Fim do vandalismo das organizadas. Pressão na prefeitura. Confronto com a Odebrecht. E maior prazo para pagar o Itaquerão

Cosme Rímoli|Cosme Rímoli

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"Economista e Consultor, com carreira destacada nas áreas acadêmicas, empresaria e na atividade pública. Bacharel em economia pela USP, Mestre e PHD em economia pela Vanderbilt University, atuou como assessor do Ministro Delfim Neto, responsável pelos setores de Ciência, Tecnologia e Investimentos em Energia.

Membro da equipe de negociação com o FMI. Assessor econômico do Presidente José Sarney.


Comentarista econômico da Folha de S.Paulo, Rádios Jovem Pan, Eldorado e Bandeirantes e da revista Carta Capital - Publicação e apresentação de trabalhos em Fóruns nacionais e internacionais, Professor na FGV SP, Universidade de Brasília e ITA e Membro do Conselho da Cia. Suzano, Nestlé e Banco BBVA. Foi VP de marketing do Sport Club Corinthians entre 2008 e 2011. Hoje é Consultor Sênior da Rosenberg Associados, sócio da Rosenberg Partners e VP do Sport Club Corinthians."

É assim que Luis Paulo Rosenberg se apresenta na sua consultoria, Rosenberg Associados. Com clientes como Bayer, Vale do Rio Doce, Artex, Souza Cruz, entre outras marcas importantes no país. Ele foi considerado o mais brilhante "Delfim boy", assessor do Antônio Delfim Neto, que foi ministro da Fazenda, da Agricultura e da Secretaria de Planejamento da Presidência do Brasil. 


"Foi o Rosenberg o responsável pelo planejamento financeiro da arena Corinthians", me disse o presidente do Corinthians, Andrés Sanches. E por isso, com o clube devendo R$ 1,2 bilhão, por causa do estádio, Luis Paulo voltou ao clube. Retornou ao cargo de diretor de marketing para arrumar o setor financeiro corintiano, que está caótico. Não só por causa do Itaquerão. Mas pela violência de vândalos infiltrados nas organizadas.

Rosenberg é adapto das frases de efeito de falecido presidente corintiano Vicente Matheus. Se tornou especialista em desviar o foco. Fazer a espuma ser mais importante do que o mar. 


"Você olha a arena do Palmeiras e parece uma baleia em um aquário. O espaço é muito caro, muito escasso e você tem de ocupá-lo como foi ocupado. A saída do estacionamento do Palmeiras é uma tragédia. Ele é assim apertadinho, como dizer assim. Cria um constrangimento no entorno cada vez que há um evento ou um jogo. O nosso, não. A nossa arena é espaçosa."

Pronto, 'baleia em um aquário'. O foco da entrevista da ESPN/Brasil foi todo desviado para a rivalidade, a comparação entre a arena palmeirense e a do Corinthians. Rosenberg não citou que, lançadas quase ao mesmo tempo, a do Palmeiras levou ao clube cerca de R$ 150 milhões a mais do que a de Itaquera.


A frase mais importante, no entanto, foi esquecida.

"O Corinthians está inadimplente." Ou seja, incapaz de pagar suas dívidas.

E já começou a tomar providências.

O blog apurou que Andrés e Rosenberg já se reuniram com as principais lideranças das organizadas corintianas. E deixaram claro que a violência de vândalos contra jogadores e em brigas pelo Brasil serviram para espantar empresas interessadas no naming rights do estádio. E também no patrocínio master da camisa.

Os dirigentes deixaram claro que instalarão um sistema de identificação dos violentos no Itaquerão. E eles serão banidos, proibidos de entrar. Independente de ações de Federação Paulista, CBF, Polícia Militar. O Corinthians usará o seu poder de clube particular e proprietário do estádio.

Só assim, o clube poderá passar a buscar os sonhados R$ 30 milhões no peito da camisa do heptacampeão brasileiro. E pelos milhões do naming rights. Não há mais a obsessão de R$ 400 milhões, desejados por Andrés e Rosenberg, em 2011. A situação econômica do mundo mudou, finalmente admitem.

O próximo passo será a renegociação da dívida do estádio com a Caixa Econômica Federal. De maneira clara, Rosenberg vai propor mais tempo para o pagamento, os 12 anos foram utópicos. A mudança do cálculo dos juros para a dívida e a forma de pagar os R$ 400 milhões. Se mostrou um erro absurdo desviar toda a arrecadação dos jogos para este pagamento. 

E Rosenberg e Andrés prometem falar duro com a Odebrecht. Lembrar que, se não houver o pagamento para a Caixa, será a construtora quem terá de bancar a dívida. Vão exigir que ajude a pressionar o fundo que administre a dívida a ampliar o prazo de pagamento. E ainda termine alguns itens do estádio, que chegariam a R$ 200 milhões.

Rosenberg quer também se reunir com o prefeito João Dória para resolver a questão dos CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento). Ele quer que a prefeitura ajude o clube a oferecer, impulsione as empresas a comprar os R$ 420 milhões de certificados.

O prefeito Doria será pressionado para ajudar a vender os encalhados CIDs
O prefeito Doria será pressionado para ajudar a vender os encalhados CIDs

A situação financeira do Corinthians é complicada.

Mas mesmo assim, Rosenberg tem aconselhado a Andrés a investir em um grande jogador, para tentar repetir o que aconteceu com Ronaldo. Ter uma figura midiática capaz de atrair patrocinadores. Nomes estão sendo estudados. Como o de Guerrero.

Enquanto isso, jogadores mais baratos têm sido contratados como Matheus, do ABC. E fechou o retorno de Ralf.

O grande medo de Andrés e Rosenberg é o clube voltar a atrasar salários do time, como aconteceu nos últimos anos. 2018 é um ano importantíssimo. Com o Corinthians de novo na Libertadores.

Enquanto o clube segue inadimplente e sem conseguir resolver seus problemas, o melhor que o 'Delfim boy' tem a fazer é buscar desviar o foco das finanças do clube. 

Ironizar a arena do maior rival é uma saída.

Mas uma análise mais séria destrói a tentativa de piada.

A engenharia financeira do Itaquerão foi desastrosa.

E quem a pariu terá de consertar.

É um vexame o bicampeão mundial estar inadimplente...

Corinthians, heptacampeão do Brasil, sem patrocínio master. Vexame
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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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