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Jogo com a Alemanha virou risco desnecessário, sem Neymar

Tite queria exorcizar os 7 a 1. Seu principal jogador seria peça fundamental em Berlim. Agora, só resta exaltar o grupo

Cosme Rímoli|Cosme Rímoli

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Tite não que o mesmo sentimento de orfandade, sem Neymar, dos 7 a 1
Tite não que o mesmo sentimento de orfandade, sem Neymar, dos 7 a 1

"O Edu (Gaspar) me falou sobre a possibilidade do amistoso contra a Alemanha. Falei, 'aceita na hora'. Eu queria muito este jogo. Preciso tirar uns fantasminhas (da Seleção). E esse é um dos maiores."

Tite me fez essa revelação na exclusiva que deu ao R7, há 50 dias. Quando nem imaginaria que Neymar iria se contundir. E ficar fora do amistoso entre Brasil e Alemanha, daqui a duas semanas, no dia 27 de março, em Berlim.


O treinador brasileiro queria essa partida, principalmente, por Neymar.

Ele queria fazer do amistoso um trampolim emocional para a Copa da Rússia. Mostrar para os próprios jogadores que o time que conseguiu montar é muito poderoso, capaz de ganhar dos atuais campeões, na sua casa.


E, principalmente, convencer seus atletas que o 7 a1 foi um mero acaso, acidente de trabalho, sim. Mas um exemplo do que pode acontecer quando uma equipe não respeita a estratégia.

Tite assistiu ao teipe dessa partida inúmeras vezes. E sabe a sequência de erros de Felipão. O primeiro, revelado por Roque Júnior e Alexandre Gallo, observadores dos adversários. Eles alertaram sobre a necessidade de o Brasil, sem Neymar contundido, atuar de maneira compacta no meio de campo. Recomendaram três volantes.


"O modelo de jogo da Alemanha era que defensivamente eles atacam, porque roubavam a bola na frente, e quando a perdiam voltavam atrás da linha da bola com nove jogadores. A Alemanha não tinha muito posição fixa, era um jogo muito estrutural, você vê os jogadores sempre preenchendo os espaços", avisou Roque Júnior. 

Gallo havia conversado em off com jornalistas e havia reafirmado a necessidade de uma forte marcação da Seleção.


Felipão não os ouviu e montou uma equipe aberta, colocando o frágil Bernard no time.

"O Roque e o Gallo são analistas dos meus adversários, não da minha seleção. Eles analisam e passam as informações dos adversários, eu faço as escolhas dos meus jogadores, da seleção brasileira", disse, irritado, Felipão, após os 7 a 1. O técnico sabia que havia vazado para a imprensa a análise dos seus espiões. E sua irresponsável teimosia.

Felipão não seguiu as orientações de Roque Júnior e Gallo. 7 a 1
Felipão não seguiu as orientações de Roque Júnior e Gallo. 7 a 1

Tite viu o desespero de David Luiz, que em um arroubo 'patriótico', se sentiu na necessidade de tentar virar o jogo, ao ver o Brasil perdendo para os alemães. E partiu desesperado para o ataque, abandonando sua posição de zagueiro. Foi a maior estupidez tática em um Mundial recente. Enquanto ele tentava ser o herói, o torcedor no gramado, a fria e calculista Alemanha de Joachim Löw foi marcando gols em um time aberto e com a zaga escancarada. 

A facilidade foi tanta que Löw pediu para seus jogadores maneirarem no intervalo. Ele sentia que o placar poderia ter sido muito maior do que os 7 a 1. Os germânicos poderiam sim ter feito pelo menos dez gols naquele arremedo de time.

Por isso, Tite já tem em mente que, mesmo tomando gols, tudo o que o Brasil não pode fazer é desmanchar o esquema. A Alemanha é a equipe mais pragmática das que o técnico observou para a Copa do Mundo.

Mas o amistoso perderá grande parte de sua intenção por não ter Neymar. O técnico viu nos 7 a 1, os jogadores inseguros, órfãos sem a liderança tática do grande jogador do país. Há uma grande preocupação que, daqui a duas semanas, a situação se repita. 

Tite falará na convocação daqui a alguns minutos que será ótimo estar sem Neymar, dará mais responsabilidade aos demais jogadores. Willian, Gabriel Jesus, Firmino, Philippe Coutinho. Mas não é bem assim. 

Tite não aceita, de jeito algum, que os alemães são superiores ao Brasil
Tite não aceita, de jeito algum, que os alemães são superiores ao Brasil

Ele queria seu camisa 10 titular até para deixar claro ao próprio Neymar que, com sua extrema qualidade técnica, atuando em prol de uma jogo coletivo, o Brasil se credencia para se impor na Rússia.

A fissura no quinto metatarso de Neymar foi um prejuízo enorme para Tite.

Ele exaltará hoje todos os seus convocados.

Não aceita que a Alemanha seja tão superior ao Brasil. Muito pelo contrário.

Mas o treinador sabe.

Estará em Berlim sem seu maior exorcista.

Não será surpresa se o 'fantasminha' continuar a atormentar o Brasil.

A marcação do amistoso sem o jogador mais caro do mundo expõe a Seleção.

Tornou muito maior o risco do trauma persistir...

Tite estará sem seu maior 'exorcista' em Berlim
Tite estará sem seu maior 'exorcista' em Berlim
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