Gol vergonhoso de Miranda. E vitória do Brasil contra a Argentina
Tite mudou a forma de a Seleção jogar. Com Gabriel Jesus e Firmino na frente.O time seguiu mal. Ganhou por 1 a 0 dos argentinos sem suas estrelas
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

São Paulo, Brasil
Aos 47 minutos do segundo tempo, Neymar cobra escanteio.
Enquanto a bola começa seu voo, Miranda agarra e empurra Otamendi. E cabeceia livre. Bola na rede.
O péssimo árbitro alemão Felix Brych confirmou o gol. E o Brasil ganhou o 'superclássico' contra a Argentina, na Arábia Saudia, por 1 a 0.
Com gol polêmico, Brasil bate Argentina no 'Superclássico'
"Por un error e una cabeça", ironizava, com razão, o jornal argentino Olé, ao final da partida.
Mas outra vez o time de Tite não jogou bem. Mesmo tendo sua força máxima, diante dos grandes rivais sem Messi, Higuain, Di Maria e Aguero.
E com a equipe comandada por um treinador interino, Lionel Scaloni, responsável pelo time sub-20.
Blog do Lancellotti: De virada, a França praticamente condena a Alemanha à Série B
A Seleção surpreendeu, buscou uma nova fórmula tática. 4-4-2, com Gabriel Jesus escancarado na frente, como ponta direita e Roberto Firmino na frente, no meio da zaga argentina. Neymar se revezava com Phillipe Coutinho na esquerda e no meio. Não deu certo. Principalmente pela falta de apoio dos laterais Danilo, depois Fabinho, e Filipe Luís.
Mesmo com 62% de posse de bola, o Brasil tornou o jogo monótono, lento, sem profundidade, objetividade. Dependia das jogadas individuais principalmente de Neymar, que de novo, forçou dribles no meio de campo. O time ainda segue dependendo muito da estrela do PSG.
A jovem seleção argentina, atuou no 4-5-1, sonhando com o empate em 0 a 0 e a decisão nos pênaltis. É o que teria acontecido, se Felix Brych não tivesse colaborado. Não enxergando a ilegalidade clara no gol brasileiro.
Valeu pelo menos pela taça do torneio de amistosos no Oriente, que a empresa árabe, ISE, fez questão de colocar em jogo, para trazer mais emoção ao jogo.
A ISE comprou o direito de organizar e escolher os amistosos dos brasileiros e argentinos desde 2012 até 2022. A venda da CBF e da AFA foi escandalosa. Tirou a autonomia do treinadores de suas equipes por dez anos.

Mas que Tite não se deixe enganar.
Seu time segue ainda sem rumo. Instável, com vários apagões.
A vitória, a festa vale pela tradição.
Para dar uma pitada importante de confiança.
Mas o técnico e os jogadores não podem se deixar levar.
Mesmo a quatro anos da Copa do Qatar, a preparação preocupa.
O time segue tão inseguro quanto o técnico.
Tite estava tenso durante a preparação para o jogo. Ele sabia que a responsabilidade era toda do Brasil. O futebol argentino vive uma das maiores crises na sua história. O treinador que é unanimidade no país, Diego Simeone, não quis saber de assumir o selecionado. Sabe que a geração é fraca, Messi não consegue render o que sabe com a camiseta de seu país, e ainda os dirigentes vivem às turras, brigando e se acusando de corrupção.
O treinador brasileiro é inteligente e muito bem informado. Sabia todo o caos que cercava o lado contrário. Tinha a plena convicção do favoritismo de sua seleção. Mas não poderia escancarar isso. Nem mesmo entre os jogadores.
Seu medo de um revés o fez ficar precavido.
E escalou, pela primeira vez, começando uma partida, Gabriel Jesus e Roberto Firmino juntos.
Dois atacantes, artilheiros, em vez de um? Onde está a preocupação de Tite.
Está na maneira que Gabriel Jesus atuou. Parecia Romarinho, com o mesmo técnico, no Corinthians. O atacante de Manchester City entrou em campo como principal função marcar Tagliafico, lateral esquerdo ofensivo do Ajax.

Enquanto isso, Roberto Firmino ficava isolado, tendo de brigar sozinho com a zaga argentina, de costas para o gol. Um desperdício. Algo inexplicável.
Tite fez Neymar atuar como o treinador gosta e como o jogador adora. O camisa 10 se revezou com Philippe Coutinho. Atuando aberto na esquerda, sua especialidade, e como o técnico brasileiro considera que renda mais, ele criou chances de gol, impôs velocidade, infernizou os argentinos, tendo Filipe Luís e o próprio Coutinho como coajuvantes importantes.
Agora, jogando pelo meio, como no PSG, Neymar caiu em tentação. Prendeu a bola demais, tentou dribles excessivos, desnecessários. E, lógico, tomou muitos pontapés. Foram sete faltas. Ele as atraia por não tocar com objetividade. Logo encostava nas duas linhas de marcação montadas por Scaloni. E as sequências de entradas fortes eram mais que previsíveis.
O primeiro tempo chegou a ser monótono. A altíssima temperatura, 34 graus, em Jiade, contribuía para o ritmo lento do amistoso. Quase não houve emoções. Os argentinos entraram respeitando demais os brasileiros. Se preocupando apenas em marcar. Seu principal talento Dybala foi perseguido incansavelmente, e com competência, por Casemiro e Arthur. Além da pegada forte dos volantes brasileiros, o meia da Juventus estava muito mal acompanhado na intermediária ofensiva argentina.
Ficou claro para os argentinos que o respeito havia sido exagerado na primeira etapa. No segundo tempo, buscaram a iniciativa e chegaram a pressionar os brasileiros. A marcação deixou de ser no seu campo e passou a ser alternada. Também na saída de bola do time de Tite.

O lado bom é que Neymar e Philippe Coutinho tiveram mais espaço para jogar. E também Arthur, que Tite pretende transformar no 'novo' Paulinho, o elemento surpresa na grande área adversária, nos contragolpes.
Com o calor, os argentinos acabaram cansando mais rápido que os brasileiros. Nos minutos finais foi quando a Seleção criou suas maiores chances. A troca de Gabriel Jesus, outra vez improdutivo, por Richarlyson acabou sendo muito boa para Tite. Até porque o atacante do Everton atua aberto pela direita o tempo todo na Inglaterra, ao contrário do jogador do Manchester City.
O jogo já estava caminhando para o final, quando os argentinos passaram a dar pontapés. Fazer cera. Estavam contentes com o 0 a 0.
Até que, aos 47 minutos do segundo tempo, houve um escanteio para o Brasil.
Neymar foi para a bola.
E, com a colaboração do juiz alemão Felix Brych, Miranda se vingou do lance contra a Suíça, na Copa da Rússia. No Mundial, ele foi empurrado pelo meia Steve Zuber que cabeceou para as redes.

Desta vez, o zagueiro agarrou e empurrou Otamendi.
Cabeceou para as redes e saiu feliz da vida.
Gol irregular, ilegal, que deu a vitória ao Brasil.
O resultado e a taça dão confiança.
Mas o trabalho de Tite ainda segue irregular...
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