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Globo despreza, de novo, o Palmeiras. O 'derrubador de Ibope'

Emissora carioca repete ato que provocou o rompimento no início de 2019. Vira as costas ao decisivo jogo do vice do Brasileiro. Para mostrar o São Paulo

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

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A predileção da Globo pelo Corinthians é algo histórico, indiscutível
A predileção da Globo pelo Corinthians é algo histórico, indiscutível

São Paulo, Brasil

Desde os anos 70, as diretorias do Palmeiras sempre se sentiram prejudicadas pela Globo.


A emissora carioca, que foi moldando seu monopólio no futebol brasileiro, tinha em São Paulo preferência escancarada pelo Corinthians. E, em seguida, o São Paulo.

Foram quase cinco décadas de recalques, irritação, injustiça. Os jogos palmeirenses ficaram em terceiro plano, mesmo sendo o clube que mais conquistou Brasileiros.


Executivos globais tratavam o clube como 'derrubador de Ibope'. 

Com o passar dos anos, dirigentes, conselheiros e torcedores foram ficando mais revoltados pelos pequeno número de partidas na aberta.


E também, muito mais importante, pelos contratos muito mais generosos com o principal rival, o Corinthians. Situação que se materializou de vez quando Andrés Sanchez foi o principal articulador da implosão do Clube dos 13, associação que negociava a transmissão do Brasileiro de maneira conjunta.

Andrés foi incentivado pela Globo para fazer com que o Corinthians negociasse sozinho seus jogos. Foi uma maneira de impedir que outras emissoras pudessem, pela primeira vez, acabar com o monopólio das transmissão dos cariocas.


O Flamengo tomou a mesma atitude.

Tudo aconteceu em fevereiro de 2011.

Colocou fim à união de 24 anos dos clubes grandes nas negociações.

O Palmeiras foi o grande prejudicado porque, pela primeira vez, receberia o mesmo que Corinthians e Flamengo.

Palmeiras 4 a 0 no Santos. Quinta rodada do Brasileiro. Globo teve de ceder
Palmeiras 4 a 0 no Santos. Quinta rodada do Brasileiro. Globo teve de ceder

Os anos se passaram e o tratamento diferenciado em relação ao Corinthians e São Paulo seguiu. A revolta contra a Globo partida da direção palmeirense às arquibancadas. Equipes de jornalistas da emissora carioca tinham dificuldade em trabalhar nas arenas palmeirenses.

Até que este ano, os dirigentes tendo como parceiras, as bilionárias Crefisa e Umbro e mais as centenas de milhões nas arrecadações de seus jogos, decidiram enfrentar a Globo.

Ainda em 2018 fechou com a Turner. Jogos pelo Brasileiro, nos canais a cabo, nada de Sportv, braço da Globo. Entre 2019 até 2024, partidas pelo TNT, já que o Esporte Interativo foi extinto.

E mais: se a Globo quisesse o Palmeiras na aberta e no pay-per-view teria de pagar uma quantia semelhante ao Corinthians e Flamengo. 

Os executivos cariocas não esperavam a revolta do 'derrubador de Ibope'. E queria até impor a punição de 20% da cota que teria direito por ter fechado com a Turner.

O Palmeiras foi firme no cabo de guerra. Sabia da importância do seu elenco. E para tristeza da Globo, havia sido decampeão brasileiro em 2018.

Depois de inúmeras tratativas, pela primeira vez na história, um grande clube do eixo Rio-São Paulo ficou de fora de cinco rodadas do Brasileiro. Até mesmo o fantasy game Cartola, que rende cerca de R$ 17 milhões à Globo, não pôde ter os jogadores palmeirenses.

Mauricio Galiotte foi tratado como herói. Ele conseguiu que o Palmeiras chegasse muito perto do que recebem Flamengo e, principalmente, o rival Corinthians. Passou o São Paulo.

Ao final de 2019, o clube de Galiotte receberá das tevês nada menos do que R$ 220 milhões. Flamengo e Corinthians seguem com R$ 257 milhões. Diferença mínima de R$ 37 milhões. Que pode diminuir com a busca maior de palmeirenses do que corintianos no pay-per-view, no canal Premiere.

Tudo estava tranquilo.

Até que neste final de semana, os executivos globais, que escolhem as partidas a serem mostradas ao vivo, decidiram boicotar o Palmeiras.

Nada da equipe na tevê aberta ou no pay-per-view.

O time de Mano Menezes, vice líder do Brasileiro, enfrentará o Athletico, nono colocado, na Arena da Baixada. Os paranaense venceram a Copa do Brasil e têm uma grande equipe, comandada por Tiago Nunes.

Confronto dos mais interessantes.

Mas a Globo preferiu mostrar São Paulo, quinto colocado, contra o penúltimo, o Avaí, no Morumbi.

E não se importou com o pay-per-view. O Athletico é o único clube que não fechou com a Globo, não está no Premiere.

Ou seja, Atlhetico Paranense e Palmeiras foi um presente para a TNT, que terá exclusividade sobre o jogo.

O desprezo da emissora carioca não acabou bem absorvido pela cúpula palmeirense. 

O complexo injusto de 'derrubador de Ibopa' voltou à tona.

O que acontecerá este fim de semana só consolida uma velha ideia que o clube sonha em testar e implementar de vez a partir de 2025.

Ser responsável pela transmissão de seus jogos, independente de tevês. Pelo menos no cabo, no pay-per-view e streaming.

Palmeiras se articula para, em 2025, se livrar da Globo de vez. E transmitir seus jogos
Palmeiras se articula para, em 2025, se livrar da Globo de vez. E transmitir seus jogos

A cúpula palmeirese está cansada da dependência da Globo.

Da maneira que o clube é tratado.

O desprezo do final de semana incomodou.

Mexeu com feridas ainda abertas.

A emissora carioca não se abala.

Garante que a escolha foi comercial.

Optou pelo São Paulo apostando em maior audiência.

E ponto final.

É esse tipo de tratamento que a direção do Palmeiras não tolera.

E quer se livrar de vez...

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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