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Gabigol. Excelente para o Santos. Mas segue fraco para a Europa

Cuca mudou a maneira do Santos atuar. Só para que Gabigol pudesse atuar como gosta. Isso não aconteceria nunca na Europa. Daí o fracasso por lá

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

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Gabigol. Artilheiro no pobre futebol brasileiro. Ainda é fraco para a Europa
Gabigol. Artilheiro no pobre futebol brasileiro. Ainda é fraco para a Europa

São Paulo, Brasil.

"Subiu à cabeça. Ele pensou que já era uma estrela"


"Gabigol chegou e parecia que ele era um vencedor da Copa do Mundo."

Frases de José João Altafini, Mazzola.


Gabigol ganhou disparado o prêmio de pior contratação na Itália, em 2017. Custou R$ 91 milhões à Inter de Milão. A votação é feita por jornalistas esportivos.

Ele fez por merecer o 'Bidone d'Oro", Lixeira de Ouro, em português.


"Tem neste momento mais tatuagens do que decisões inteligentes com a bola nos pés ao serviço do Benfica", crítica do jornal português Tribuna Expresso, no final do ano passado.

Benfica havia contratado o jogador brasileiro por um ano. Mas devolveu à Inter de Milão muito antecipadamente. Seis meses foram o bastante para convencer a todos no clube que Gabigol não servia. E o empréstimo foi desfeito.


O fracasso foi tão retumbante que não surgiu equipe europeia alguma interessada em rachar o salário de 3 milhões de euros, cerca de R$ 14 milhões.

Só o Santos insistia.

Queria o jogador de volta, mas pagando R$ 800 mil. E o restante seguiu a cargo da Inter.

Depois de um início pífio na Vila Belmiro, ele já chegou a 21 gols na temporada. Marca incrível para quem marcou um gol com a camisa da Inter e um com a do Benfica.

O motivo foi dissecado por Cuca.

Na vontade de agradar o atacante, o treinador foi sincero.

Disse que o problema não era só ele.

Mas do time.

"No jogo do Ceará, eu tirei ele do jogo, falei: "Você vai assistir ao jogo daqui do banco comigo", para ele ter uma outra dimensão do jogo. Ele viu o primeiro tempo, e quando acabou eu entrei rápido no vestiário, chamei e perguntei o que ele tinha achado do jogo. E a gente viu junto, o time não estava jogando melhor ou pior porque ele tinha saído. Então o problema não era ele no time", revelou Cuca na coletiva de ontem.

Gabigo, como Neymar e Robinho, nasceu e foi mimado na base santista
Gabigo, como Neymar e Robinho, nasceu e foi mimado na base santista

E o que o treinador fez?

Mudou toda a movimentação, a dinâmica, a distribuição ofensiva do Santos.

Este apenas um reflexo do baixo nível do futebol brasileiro e do europeu.

Jamais a Inter de Milão ou o Benfica alterariam sua maneira de jogar para agradar o jogador de 22 anos.

Mas aqui, não. 

Cuca fez com que o Santos atuasse de maneira que Gabigol pudesse jogar solto, sem a obrigação de recomposição, de fechar os espaços na intermediária sem a bola. Situação que até Messi, Neymar e Cristiano Ronaldo precisam fazer.

Atuando com total liberdade da direita para o meio, o atacante santista pode mostrar seu oportunismo e a precisão dos chutes de pé esquerdo, que ninguém tem como negar.

Ele é o artilheiro do Brasileiro com 23 jogos e 12 gols.

Isso que Cuca está fazendo com Gabigol não é inédito na Vila Belmiro.

O melhor exemplo se chama Robinho.

Toda a vez que esteve mal na Europa voltou para o Santos.

Foram quatro passagens.

E mesma coisa.

Fosse qual fosse o treinador.

Robinho jogaria como desejasse.

Só no Santos Robinho jogava como queria. Na Europa foi um atacante comum
Só no Santos Robinho jogava como queria. Na Europa foi um atacante comum

E todas as vezes que retornou, o atacante não pôde repetir o que fazia no clube que o lançou. E a frustração, a decepção, o fracasso caminharam juntos.

Ainda mais para quem sabiu do Brasil garantindo que seria o melhor do mundo.

Gabigol, que chegou para na Itália como sendo a reencarnação de Ronaldo Fenômeno, garante que 2018 é o melhor ano de sua carreira. Seu futebol está sendo tanto eficiente quanto indispensável ao Santos.

Pois é essa a realidade.

Gabriel é indispensável e eficiente, jogando como quer, na Vila Belmiro.

Se voltar para a Europa e atuar por uma equipe grande, não terá o mesmo privilégio.

Cuca está fazendo bem para o jogador, sem dúvida.

Mas o melhor é mesmo ao seu time.

Não há goleador mais talentoso que Gabigol.

Por isso valeu a pena ceder, mudar a estrutura tática do Santos.

Só que é um paliativo.

Quem pensa que o atacante está recuperado a ponto de voltar para a Inter e colocar, de vez, uma das mais tradicionais camisa do mundo, está enganado. 

Gabigol precisa se modernizar. 

Na Inter amargou banco. Esperar bola nos pés não existe no futebol moderno
Na Inter amargou banco. Esperar bola nos pés não existe no futebol moderno

"Eu passei a entender o futebol no Barcelona", revelou Neymar e tantos outros, como Phillipe Coutinho, Firmino, Willian.

O atacante do Santos pode até terminar como artilheiro do Brasileiro.

Mas sua maneira de jogar, canhoto, na meia direita, esperando a bola chegar, sem participar do jogo, ajudar de verdade na marcação, é ultrapassada.

Uma grande testemunha é Tite.

Ele não o esqueceu das convocações por acaso...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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