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Faltando dez segundos, Cristiano Ronaldo mata o sonho da Juventus

Um pênalti aos 47 minutos e cinquenta segundos, do segundo tempo. E Cristiano Ronaldo faz o gol salvador. No placar, incrível 3 a 1 para a Juventus

Cosme Rímoli|Cosme Rímoli

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O pênalti de pura afobação de Benatia. Não precisava. Foi cansaço e desespero
O pênalti de pura afobação de Benatia. Não precisava. Foi cansaço e desespero

O espírito da Roma rondava o Santiago Bernabéu.

Não havia ninguém no estádio que não pensasse na façanha do time romano. A equipe havia perdido na Espanha por 4 a 1 para o Barcelona. E ontem conseguiu o improvável. Venceu o time de Messi por 3 a 0. O clube dos cinco vezes melhor do mundo, Messi, tombava eliminado da Champions League.


O Real Madrid havia vencido a Juventus, em Turim, por 3 a 0. O jogo na Espanha deveria ser apenas para cumprir tabela, sacramentar a vaga. Mas o time italiano teve uma atuação impecável e devolvia a dura derrrota. A partida estava 3 a 0. A expectativa generalizada é que haveria prorrogação. E talvez a última vaga para a semifinal da Champions viesse na cobrança de pênaltis.

Só que os 47 minutos e cinquenta segundos, Cristiano Ronaldo conseguiu cabecear uma bola que veio alta demais. O artilheiro não poderia testá-la para o gol. Então, virou o corpo e serviu Lucas Vásquez, que vinha na corrida. A bola subiu iria chegar no seu peito. Mas afoito, o zagueiro Benatia o empurrou, além de levantar o pé no seu rosto. A entrada com força desproporcional caracterizou o pênalti.


O árbitro inglês Michael Oliver, de apenas 33 anos, marcou a penalidade. Os jogadores do time italiano ficaram histéricos. Viram todo o esforço se perder. Buffon era o mais inconformado. Empurrou o juiz, reclamando, xingando aos berros. Foi expulso.

Uma tristeza depois de tudo que a Juventus mostrou no estádio espanhol. Fez 3 a 0 e poderia ter feito até mais gols. Uma injustiça. Merecia, ao menos, o direito de jogar a prorrogação. Mas a afobação do seu zagueiro, mal colocado, não deixou. A raiva, o inconformismo são compreensíveis. Mas houve o pênalti.


Massimiliano Allegri descontou sua ira em Sérgio Ramos, capitão do Real Madrid, suspenso. Mas estava, de maneira irregular, no banco do time espanhol. Colocou o dedo na seu rosto. Discutiu, o questionou. Depois, colocou Szczesny na vaga de Higuain.

O goleiro polonês tentaria fazer um milagre.


Do outro lado da marca do cal, Cristiano Ronaldo.

Buffon se desesperou quando viu a marcação do pênalti. E mereceu o vermelho
Buffon se desesperou quando viu a marcação do pênalti. E mereceu o vermelho

O português mostrou sua frieza. Não se importou com tanta responsabilidade. Bateu firme, no canto esquerdo, no alto. Forte, indefensável. Era o seu 11º gol seguido em jogos da Champions League. Ninguém na história conseguiu esse feito. O português caminha firme para vencer mais uma Bola de Ouro e ser escolhido pela sexta vez como o melhor do planeta.

O Real Madrid perdeu, sofreu. 

Mas não tombou com o rival Barcelona.

Está na semifinal da Champions. Ao lado do Bayern, que hoje empatou em 0 a 0 na Alemanha e eliminou o Sevilla, a quem havia batido por 2 a 1 na Espanha. Liverpool e Roma completam o selecionado quarteto.

Aliás, apenas o Real Madrid e Bayern confirmaram seu favoritismo. Viram Barcelona e Manchester City se despedirem da pior maneira da Champions.

O que se viu em Madrid foi mais um espetáculo inesquecível. Zidane havia visto com toda a atenção a eliminação do Barcelona diante da Roma. E tudo o que não queria era seu time apático tentando apenas aproveitar a vantagem que havia conseguido na Itália. Ele foi um dos maiores jogadores da história da equipe de Turim. E sabia o quanto ela chegaria querendo revanche. Ainda mais depois do que os romanos mostraram para o mundo.

Avisou sua equipe para ter muito cuidado. Não cair na armadilha. E se deixar levar pela festa antecipada dos torcedores. Se abrir atrás de uma vitória desnecessária. Mas acontece que Allegri havia preparado seu time para pressionar, forçar a saída de bola. Atacar com raiva, força e coragem. E depois recompor, os 11 no campo da Juventus, sem a bola. O time italiano é muito bom.

O Real Madrid tinha um desfalque fundamental. Sérgio Ramos, o seu grande zagueiro, capitão e alma do time, estava suspenso. O prejuízo era triplo. Qualquer bola levantada na área de Navas era um desespero.

E logo no primeiro minuto de jogo, Khedira recebeu ótimo passe de Douglas Costa, que havia roubado a bola de Casemiro. O cruzamento chegou na cabeça de Mandzukic. 1 a 0, Juventus.

O estádio se calou. E a memória coletiva foi do que aconteceu em Roma ontem. O Real Madrid estava travado, lento. Por conta da marcação italiana, pela falta de inspiração merengue e também pela distância entre os jogadores. A equipe não estava compacta.

A Juventus seguiu muito mais consciente. Sabia o que fazia. O time buscava atacar e tentava se defender dos contragolpes que costumam ser letais do Real. Casemiro, Modric e Kroos não estavam inspirados. Erravam passes e estavam distantes. Deixando espaço para os italianos ganharem as intermediárias.

As chances de gol do Real Madrid eram mais por conta do talento individual dos seus jogadores do que o jogo coletivo. Foi assim, que a Juventus abriu 2 a 0. Parecia replay. Só que em vez de Khedira, o cruzamento veio de Lichtsteiner. Cabeçada violenta de Mandzukic.

O Santiago Bernabéu se calou. O milagre de Roma parecia estar se repetindo. Nem a cabeçada de Varane no travessão, animou os torcedores. Cristiano Ronaldo estava mais isolado que Lula na superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

O segundo tempo veio e o panorama seguiu o mesmo. Aos 15 minutos, uma falha bizarra de Navas desesperou de vez a torcida espanhola. Ele largou um cruzamento fácil nos pés de Matuidi. 3 a 0, Juventus.

O desespero tomava conta do estádio, do Real Madrid. A equipe seguia jogando mal. Os italianos pararam de forçar, porque se esgotaram na busca dos três gols.

E o castigo veio no último lance do jogo. 

Cristiano Ronado conseguiu evitar que um cruzamento alto demais fosse desperdiçado. E serviu o minúsculo e encrenqueiro Lucas Vázquez. A bola chegou alta. Ele teria de dominá-la no peito, antes de tentar chutar. Daria tempo para Buffon abafar. Mas o zagueiro franco marroquino estava mal colocado. E, no afã de evitar o gol, empurrou o italiano, antes de levantar o pé no seu rosto. Pênalti, aos 48 minutos e 50 segundos. Desesperador? Sim. Mas pênalti.

Buffon foi expulso.

E coube a Cristiano Ronaldo acabar com a farra.

Para a Itália, o milagre só da Roma.

Ele bateu com convicção.

Levou o Real Madrid à semifinal.

Ao direito de sonhar com o tri da Champions League.

A Juventus teve uma atuação espetacular.

Mas sai de cabeça erguida.

Foi no seu limite em Madrid.

Perdeu a vaga em Turim...

Pênalti aos 47 minutos e 50 segundos. Desesperador. Mas pênalti
Pênalti aos 47 minutos e 50 segundos. Desesperador. Mas pênalti
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