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Empate com o Ceará envergonha. Mostra o Corinthians impotente

"É só acertar a m... do gol", tentou explicar Roger. Ele fez uma péssima estreia. Jogou mal como todo o time de Carille. Situação preocupa

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

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Carille não consegue disfarçar a tensão com a falta de opções do Corinthians
Carille não consegue disfarçar a tensão com a falta de opções do Corinthians

Houve o pênalti em Pedrinho, aos cinco minutos do segundo tempo.

Richardson chegou atrasado na jogada, pisou no lépido meia corintiano. Savio Pereira Sampaio errou em um lance fundamental. Mas nem o Corinthians ou qualquer clube deste país pode se fiar nos péssimos juízes da Comissão de Arbitragem da CBF.


A verdade é que o time de Fábio Carille tropeçou feio diante do limitadíssimo Ceará. Em pleno Itaquerão lotado, diante de quarenta mil corintianos angustiados, o heptacampeão brasileiro perdeu mais dois pontos. São já cinco desperdiçados de 12 possíveis, nestas quatro primeiras partidas. 1 a 1, com futebol fraco, previsível, sem força física.

Marcelo Chamusca não precisou fazer estágio com José Mourinho para retrancar seu time. Bastaram duas as mais do que previsíveis duas linhas à frente do bom goleiro Éverson. E o empate para sua equipe readquirir confiança foi conquistado. Um pouco de otimismo a um clube que dificilmente escapará do retorno à Segunda Divisão em 2019.


Em quatro partidas conseguiu empatar duas e perder outras duas. Já convive, de maneira precoce, com a zona do rebaixamento. A diferença estrutural e financeira dos cearenses são enormes diante da maioria dos clubes. Desequilibrio cruel.

Mas o Corinthians não tem nada a ver com o problema intrínseco do seu rival de hoje. Fábio Carille segue o dilema já destacado por aqui no início deste Brasileiro. Ele sabe que a arrancada absurda no torneio nacional de 2017 não seria repetida. Por pura falta de mão de obra. Andrés Sanchez amarrou o Corinthians em uma dívida de R$ 2 bilhões para o pagamento do Itaquerão. E as contas estão chegando. Não há mais o apoio do governo federal. 


O principal abre alas do Corinthians está encarcerado, condenado e preso na sede da Polícia Federal de Curitiba. E sem Lula segue quase impossível a busca de R$ 400 milhões pelos naming rights. Vender os CDIs. Renegociar a dívida absurda. Nem mesmo o patrocínio master, no peito dos jogadores, o clube não tem. Há um ano e um mês, desde que a Caixa Econômica Federal foi embora.

Se no insignificante Campeonato Paulista Carille conseguiu até ser bicampeão, tudo muda de figura no Brasileiro. Até porque, ao contrário do ano passado, há a Libertadores para implodir o ambiente, desgastar ainda mais o pequeno elenco. Não só fisicamente. Mas psicologicamente, com a cobrança, pressão da torcida e da mídia.


Não é por acaso que o Corinthians completou quatro partidas hoje sem vencer. Empatou com o Vitória em 0 a 0, pela Copa do Brasil, perdeu para o Atlético Mineiro, pelo Brasileiro, perdeu para o Independiente, pela Libertadores. E, hoje, contabilizou mais um fracasso. O 1 a 1 com o Ceará.

Carillle não tem mais nem saudades de Jô e Guilherme Arana, peças fundamentais perdidas do time heptacampeão brasileiro. Sem Fagner, Ralf, Renê Júnior e Clayson lesionados; Rodriguinho, Jadson e Romero poupados, pelo desgaste físico, o treinador fez o que pôde. 

Pedrinho sofreu pênalti. Mas jogou mal
Pedrinho sofreu pênalti. Mas jogou mal

Colocou o veterano Danilo e fez estrear o atacante que veio para ser referência na área. Como pivô, segurando os zagueiros, e também se mostrando como opção para os cabeceios. Um cover piorado de Jô, Roger.

E Pedrinho, como grande esperança.

Não bastassem todos os problemas na montagem da equipe, graças à TV Globo e sua necessidade de mostrar um jogo por domingo para a Europa e Ásia, a partida foi disputada no absurdo horário das 11 horas. Com o segundo tempo começando ao meio-dia. São Paulo vive hoje mais um domingo de outono quentíssimo. O que só serviu para desgastar fisicamente os maratonistas corintianos.

Precisando da vitória, Carille tentou surpreender, colocando seu time no 4-3-3, com jogadores abertos, tentando encontrar espaços na previsível marcação nordestina.

O clima de terror só piorou aos oito minutos, quando o Ceará fez um dos seus raríssimos ataques. Wescley surpreendeu o Itaquerão inteiro ao dominar a bola na entrada da área e dar um chute perfeito, indefensável para Cássio. O Corinthians saía perdendo o jogo por 1 a 0.

A necessidade e a pressão da torcida fez os corintianos adiantarem. Tentar sufocar os cearenses. O time paulista tinha muita vontade, mas faltava talento para escapar da marcação. Aos 25 minutos, Carille tirou o veterano Danilo, sem ritmo e que alegava sentir dores. Na verdade, nada produzia de útil. Entrou Jadson. O Corinthians ganhava um meia inteligente, vivido.

Pedrinho, maior aposta, tentava correr, se livrar da marcação. Buscava o improviso dos dribles. Mas ainda segue imaturo, complicando jogadas fáceis. Normal para seus 20 anos. E Roger nada fazia porque a bola não chegava. Não se espere que ele faça boas jogadas fora da grande área. Ele é um definidor. E só.

A situação estava tensa, complicada. Até que um corriqueiro escanteio veio para salvar o Corinthians. Jadson cobrou e Henrique saltou livre, em uma falha inaceitável da zaga cearense. A cabeçada saiu forte, indefensável. 1 a 1, aos 39 do primeiro tempo.

A expectativa era que a virada chegaria.

E poderia ter se consolidadeo.

Aos cinco minutos do segundo tempo, o pênalti não marcado em Pedrinho.

Mas o Corinthians teve até os 50 minutos e não conseguiu criar. As duas linhas cearenses de marcação estavam muito bem postadas. Quando é assim, a solução está nas triangulações pelas laterais, na movimentação constante do ataque. Algo que o time de Carille não fez.

A única grande chance veio aos 36 minutos, quando Jadson colocou a bola na cabeça de Roger, entre os zagueiros. Livre, leve e solto. Teve até tempo para fazer pose. Mas a cabeçada saiu para fora.

"Participei bem do jogo, claro que não pode perder um gol como aquele que perdi, óbvio que não. Difícil, a gente quer caprichar demais. É só acertar a merda do gol", desabafou Roger.

O desabafo foi a melhor coisa que Roger fez na estreia pelo Corinthians
O desabafo foi a melhor coisa que Roger fez na estreia pelo Corinthians

O Corinthians tem mesmo que lamentar.

Desperdiçou dois pontos contra um possível rebaixado.

Em pleno Itaquerão lotado.

"Não incomoda, mas sim abre os olhos para muitas coisas. Vendo hoje podíamos ter segurado alguns jogadores contra o Atlético Mineiro. Mas não vamos ficar lamentando e sim trabalhar”, tentava disfarçar, Carille. Mas deixando escapar o quanto lamenta ter um elenco tão reduzido, sem opções. E com três competições importantes para disputar ao mesmo tempo.

2018 está muito diferente de 2017...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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