Cruzeiro merece ser rebaixado. Adilson reconhece: 'só milagre'
Time perde para o Grêmio por 2 a 0. Não depende mais de si. Tem de vencer o Palmeiras e torcer para o Ceará nem empatar com o Botafogo. Vergonhoso
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

São Paulo, Brasil
"Milagres existem.
"Temos que acreditar."
É com esse espírito, apelando para o surreal que Adilson Batista analisa a chance de o Cruzeiro não ser rebaixado para a Segunda Divisão.
Quem teve a chance de assistir a Grêmio e Cruzeiro, só pode apelar para o além, para tera a esperança de o bicampeão da Libertadores, não passar pela vergonha de disputar a Série B.
Adilson Batista sucedeu Abel Braga, que entrou no lugar de Rogério Ceni, que tinha ficado com a vaga de Mano Menezes, que começou o ano.
Foi contratado para dar um 'choque', despertar o clube nas três últimas partidas do Brasileiro. Contra Vasco, no Rio, Grêmio, em Porto Alegre e Palmeiras, em Belo Horizonte.
Depois de perder para o humilde time vascaíno por 1 a 0, em São Januário, a equipe de Adilson Batista foi ainda pior, desesperada taticamente, afobada, sem controle emocional e ainda pagando caro a ansiedade do treinador que, aos 13 minutos do segundo tempo, viu seu time ficar com dez jogadores.
Robinho se lesionou, em uma dividida com Paulo Victor, e como o Cruzeiro já havia feito, de forma precipitada, três substituições, pela falta de visão de Adilson, o time ficou com dez atletas.
E ainda partiu aberto, escancarado para o ataque.
Tática suicida.

Resultado: tomou o primeiro gol, de contragolpe, Pepê disparou pela esquerda, cruzou para Everton Cebolinha fazer o corta-luz, para a bola sobrar para Ferrerinha bater forte e a bola ainda desviar em Egidio.
1 a 0, Grêmio, aos 21 minutos.
Foi quando o desespero se misturou com a bagunça.
O zagueiro Léo virou meia, o volante Ederson foi atuar como centroavante.
Resultado, outro gol do Grêmio. Depois de jogada sensacional de Pepê, que driblou três jogadores até ser derrubado por Cacá. Ele mesmo cobrou aos 39 minutos, 2 a 0.
O fracasso em Porto Alegre obriga o Cruzeiro a vencer o Palmeiras no Mineirão, domingo. E ainda torcer para o Ceará não conseguir nem empatar com o Botafogo, no Rio de Janeiro.
Além da segunda derrota em duas partidas, Adilson Batista perdeu quatro jogadores para a decisão, no domingo.
Por suspensão: Ariel Cabral, Egídio, Edílson.
E, Robinho, que teve lesão ligamentar no joelho esquerdo.
"Meu time foi pouco experiente. O Luciano tocou no meu rosto e a gente tinha que jogar a bola para fora pra conseguir pressionar o árbitro a olhar o VAR. Fiquei puto com o meu time, não com a arbitragem.
"Meu time foi cabaço", disse de maneira exdrúxula, Edilson.
A declaração do experiente lateral só mostra a falta de rumo do Cruzeiro.
Adilson Batista era a imagem do fracasso, após o jogo.
Primeiro rebateu Edilson e se lembrou de Thiago Neves.
"Eu prefiro nem comentar, porque ultimamente tem acontecido algumas coisas aqui no Cruzeiro coisas desagradáveis com os atletas, atitudes não profissionais. Essas coisas têm de falar lá dentro. É preciso ser profissional", referência clara ao meia, que está afastado do time por, machucado, ir para o show de Thiaguinho.
Depois, o técnico justificou.
"Eu queria ganhar o jogo. Por isso fiz as três trocas antes dos 13 minutos do segundo tempo. Depois, o Robinho se machucou. E nós ficamos com dez."

O treinador tenta manter a sua fé para escapar do rebaixamento.
E ela está na torcida no Mineirão.
"É preciso recuperar estes jogadores. O lado emocional é fundamental agora. É repouso, conversa para que a gente faça um grande jogo e vença o Palmeiras, no domingo. É o que nos resta. O torcedor colocará a bola para dentro no domingo."
Com a Polícia Federal ainda investigando desvio de dinheiro de dirigentes do Cruzeiro, atrasos de salários, direitos de imagem, estrela do time afastada, jogadores veteranos e sem força física, treinador em decadência na carreira, o Cruzeiro busca o milagre.
E a matemática é cruel.
Com a derrota de hoje, há 90% de chance de começar 2020 na Segunda Divisão.
O Cruzeiro é gigante.
Mas pelo que fez neste Brasileiro, com 15 derrotas em 37 jogos, não merece outro destino.
A não ser o rebaixamento...














