Conmebol humilhada. Mas precisa de Messi para a Copa América 2020
O presidente da Conmebol tentou ser salomônico. Defender o Brasil, a honestidade da Copa América. Mas sem punir, ofender Messi. Desagradou a todos
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

Rio de Janeiro, Brasil
"Não fui à premiação porque nós não temos de ser parte desta corrupção.
"Não há dúvidas.
"A competição foi armada para o Brasil."
Além de ser o mais explícito possível, o ato de Messi, capitão da Argentina e o melhor jogador do mundo, não ter ido receber medalha pela terceira colocação, suas palavras abalaram internacionalmente a Copa América.
E também a posição da CBF.
O presidente Rogério Caboclo tinha de tomar uma atitude, diante de tão fortes acusações. E foi o que fez. Assim que as palavras de Messi dominavam os veículos de comunicação, ele entrou em contato com o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez.
E queria uma posição da Conmebol.
Punição exemplar a Messi.
Só que o paraguaio Domínguez não tem nada de tolo.
Ele não poderia ir contra o jogador que mais precisa para a Copa América de 2020, a do próximo ano, que encaixará a América do Sul ao calendário europeu. A partir da competção do próximo ano, a competição será disputada de quatro em quatro temporadas, assim como a Eurocopa.
A próxima Copa América terá como sedes Argentina e Colômbia.
E não ter Messi seria um suicídio publicitário, mercadológico.
Daí, Domíngues ter tomado uma decisão salomônica, pressionado pela CBF e pela AFA.
Não haverá maior punição para Messi.
A princípio, ele está suspenso da estreia da Argentina na próxima Copa América por ter sido expulso ontem diante do Chile.
A princípio, porque não há nada que politicamente, a Conmebol não consiga reverter.
As palavras do jogador midiático não serão questionadas, julgadas, para não atrair ainda mais atenção às suas acusações.
Domínguez precisava dar satisfação ao Brasil.
E também tentar livrar a suspeita sobre sua própria entidade.
Lutar para provar não haver conluio, trama para que o time de Tite conquiste a Copa América.
A saída foi divulgar uma nota oficial.
Dura, tendo Messi como alvo,
Mas sem citá-lo nominalmente.

"No futebol, às vezes se ganha e às vezes se perde, e um pilar fundamental ao fair play é aceitar os resultados com lealdade e respeito. O mesmo ocorre para as decisões arbitrais, que são humanas e sempre serão perfectíveis.
"É inaceitável que em função de incidentes próprios da competição, que contou com 12 seleções em igualdade de condições, se lancem acusações infundadas que faltam com a verdade e põem em discussão a integridade da Copa América.
"Tais acusações representam uma falta de respeito à competição, a todos os futebolistas participantes e às centenas de profissionais da Conmebol, instituição que desde 2016 vem trabalhando incansavelmente pela transparência, profissionalização e desenvolvimento do futebol sul-americano."
Ser salomônico não é fácil.
A AFA não ficou feliz com a nota.
A CBF também não.
E Messi, a princípio, está radical.
Ameaça não disputar a próxima Copa América.
O que seria caótico para a Conmebol.
O Brasil poderia mandar um time B à competição, como protesto.
A situação está longe de ter sido resolvida.
O único vencedor nesta complicada questão é Messi.
As palavras do melhor do mundo têm muito peso.
A imagem da Copa América 2019 foi abalada.
A competição foi manchada...














