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Acabou a confiança de Felipão em Felipe Melo. Chega de Pitbull

Diretoria não quer rescindir por conta da multa. Mas Thiago Santos deverá ficar com seu lugar no time. E  em dezembro, o momento de vendê-lo

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

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Felipe Melo foi longe demais. Perdeu o apoio de Felipão. Técnico se sentiu traído
Felipe Melo foi longe demais. Perdeu o apoio de Felipão. Técnico se sentiu traído

São Paulo, Brasil

R$ 350 mil de salários e direito de imagem.


R$ 20 mil cada vez que entrar em campo.

R$ 8,4 milhões de luvas.


Em doze parcelas de R$ 700 mil.

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Contrato até o final de 2019.

O irônico é que até a partida de ontem, contra o Cerro Porteño, o Palmeiras queria a ampliação do contrato até o final de 2020.


Mesmo com Felipe Melo tendo, em um ano e meio jogado 65 partidas. Tendo tomado 29 cartões amarelos e um vermelho. Suas estatíticas chegaram ontem a 66 confrontos, 30 amarelos e dois vermelhos.

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Por que o Palmeiras o contratou? Sem sequer ouvir qualquer treinador? A decisão partiu da diretoria. Mauricio Galiotte autorizou o altíssimo investimente sugerido por Alexandre Mattos. 

Pelo simples fato de o clube não ter um líder. 

De acordo com o executivo e o presidente, faltava alguém de personalidade, 'cascudo', que desse ao Palmeiras vibração, competitividade e força psicológica para enfrentar as guerras da Libertadores.

Galiotte e Mattos sabiam todas as confusões que o jogador criou por onde passou. Escolheram bancar um pitbull. Na análise da dupla, desde 1999, o Palmeiras não conseguiu outros títulos da Libertadores por falta desse líder sem medo, que não foge da briga. Pelo contrário, até a provoca.

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O Palmeiras virou as costas à sua tradição. Nada do perfil de Ademir da Guia, Alex, César Sampaio, Evair, Dudu, Luis Pereira. 

Felipe Melo foi contratado como a reencarnação de Edmundo, nos seus momentos mais explosivos. Se o atacante fora o "Animal", chegara o Pitbull.

A identificação da torcida foi imediata.

As marcas dos cravos da chuteira. E se a entrada fosse em um jogador do Palmeiras?
As marcas dos cravos da chuteira. E se a entrada fosse em um jogador do Palmeiras?

Nestes tempos de falta de respeito, violência gratuita, imposição pela força física, musculação, whey e tatuagem, Felipe Melo reunia tudo isso. E muito mais.

Ou seja, ele ganhou uma licença para agir como quisesse. Mais, os altos dirigentes esperavam que ele se impusesse na marra durante os jogos. Tendo como fundo musical as palmas, a vibração das torcidas organizadas, dos torcedores comuns e até de crianças.

COSME RÍMOLI: Se a diretoria do Palmeiras tiver vergonha demite Felipe Melo

Foi quando ele provocou de forma gratuita o conflito com o Peñarol na Libertadores, ao prometer que, se precisar, daria tapa na cara de uruguaio, em Montevidéu. Ele sabia que a tabela previa o jogo do Palmeiras no estádio Centenário. E o jogo terminou em uma batalha campal.

Cuca tentou cortar suas asas. Principalmente porque sentia que ele não tinha mais a mesma velocidade, intensididade na hora da recomposição, quando o time perdia a bola. O técnico queria Felipe Melo correndo atrás 'do seu' meia. O jogador acreditava ser um esforço desnecessário. Melhor seria marcar por zona.

Entraram em conflito, com Felipe Melo dizendo claramente após a eliminação do Palmeiras da Copa do Brasil para o Cruzeiro que, com Cuca, o time não ganharia nada. O técnico soube e o afastou. O volante foi explícito.

"Aqui não tem jeito, já era. Com esse cara (Cuca) eu não trabalho. Esse cara é covarde, mau caráter, mentiroso. Falou uma coisa e liga para a imprensa para falar um monte. Quando eu falar vou rasgar ele no meio. Agora vamos ver"

"Confesso que tem vários clubes interessados, vários. Corinthians, Inter, São Paulo, Grêmio, Atlético-MG, Flamengo. Todo mundo está interessado. Agora, o negócio foi ontem. Creio que agora vão clarear as coisas. Presidente quer conconversar comigo e falou: "vamos ver se a gente faz alguma coisa e tal".

"Mas com esse cara (Cuca) eu não fico. A torcida veio contra, então eles estão doidinho. Vamos ver, parece que estamos conversando com Flamengo aí. Se o Flamengo me quiser nunca esteve tão fácil."

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O surreal é que Felipe Melo ficou ainda mais forte junto à diretoria depois das afrontas a Cuca. Galiotte e Mattos já tinham problemas com o treinador. O volante acabou voltando ao grupo. E Cuca demitido. Depois, com Roger Machado, Felipe Mello voltou a fazer o que quisesse.

Seu futebol seguia caindo muito em relação ao que já jogou, por exemplo, em 2010, quando sabotou a Seleção de Dunga marcando gol contra e sendo expulso, por pisar em Robben, nas quartas que eliminaram o Brasil, diante da Holanda.

Mais do que ninguém, Felipão sabe o desespero que Felipe Melo provocou
Mais do que ninguém, Felipão sabe o desespero que Felipe Melo provocou

Nada de lançamentos, toques de bola refinados. Muitos carrinhos, faltas, reclamações e correria por um setor pequeno do gramado. A marcação em frente à área.

Com Felipão, mais respeito. 

E o apoio do treinador para marcar por zona, ser o primeiro volante da década de 80. Uma espécie de Dinho, que tanto fez sucesso no Grêmio.

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As coisas iam mais ou menos bem. Até ontem.

O treinador que não quis se aprofundar no tema para a imprensa, sabe a infantidade, a irresponsabilidade que o jogador cometeu, sendo expulso gratuitamente aos três minutos de jogo. Ele viu as marcas profundas dos cravos da chuteira direita de Melo na perna esquerda de Victor Cáceres. O treinador acompanhou a perna do paraguaio formando um pequeno arco para trás, diante de tanta força do brasileiro. Esteve a ponto de quebrar.

Lance inexplicável, que expôs o Palmeiras ao risco da eliminação da competição mais importante do ano, mesmo com um time muito melhor do que o Cerro Porteño. Ficar com um atleta a menos durante mais de 90 minutos de jogo é algo absurdo no futebol moderno.

Felipão avisou a Alexandre Mattos para não expor a atitude que o clube tomará contra o volante de 35 anos. Na Libertadores, com seu passado problemático, não deverá haver o que fazer. Tomará uma pena altíssima. Entre três e seis partidas. Perderá a posição para Thiago Santos. Tão cão de guarda como ele, primeiro volante das antigas, porém muito mais disciplinado. Será algo natural.

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No Brasileiro e na Copa do Brasil, Felipão deverá alegar que Felipe Melo precisa de um descanso. Fazer uma reciclagem. E deverá fixar Thiago Santos como seu novo titular.

Se houver multa, o pacto é nada de exposição. A tendência é levar tudo em 'banho Maria' sem conflitos. E optar pela saída no final do ano. Clubes da China e do Oriente Médio, além do amor da vida do volante, o Flamengo, sempre mostraram interesse.

Simplesmente demitir Felipe Melo seria rasgar dinheiro, porque no contrato, o clube deveria pagar até o último centavo do compromisso que terminaria apenas no final de 2019.

Ao contrário do que aconteceu com Cuca, desta vez, conselheiros e agentes de jogadores confirmam que Felipe Melo está arrependido. E já teria até procurado se desculpar dos companheiros e de Felipão.

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Não será surpresa se houver um pedido de desculpas ao Palmeiras, ao time e aos torcedores pelas redes sociais, pela expulsão gratuita de ontem.

Felipe Melo tem uma especial afeição de Alexandre Mattos. O executivo o considera um líder positivo, vibrante, capaz de incendir o time nos jogos decisivos.

Mas Felipão ficou extremamente decepcionado com a atitude do jogador. Ele se viu obrigado a pedir aos seus jogadores fazerem cera, gastar tempo. Gandulas tiveram a permissão de sumir com as bolas, retardar o jogo. Vexame para segurar a derrota só por 1 a 0 para um adversário fraquíssimo, que Felipe Melo ressuscitou com sua irresponsával e desleal entrada em Cáceres.

Scolari não suporta expulsões banais.

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Considera traição ao trabalho detalhado que exerce com o time, em partidas eliminatórias, decisivas, como foi a de ontem, contra o Cerro Porteño.

Se depender do técnico, Felipe Melo não é mais titular.

E será um milagre se não for negociado no final do ano.

Thiago Santos para o lugar de Felipe Melo. Marcação e disciplina
Thiago Santos para o lugar de Felipe Melo. Marcação e disciplina

Ele já atrapalhou o que tinha de atrapalhar.

Até mesmo nas redes sociais perdeu o apoio dos torcedores.

Perceberam que ele sabotou o Palmeiras por seu descontrole.

O questionamento é em relação ao seu nervosismo.

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Principalmente diante de times mais fortes pela frente.

Se fosse na semifinal, na final, a expulsão seria fatal.

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