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A vergonha que o Vasco está passando é mais do que merecida

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

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O time do Vasco não tem nível para disputar a Libertadores. Vexame previsível
O time do Vasco não tem nível para disputar a Libertadores. Vexame previsível

R$ 506 milhões em dívidas.

Dinheiro antecipado e já gasto das transmissões de seus jogos até 2021.


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Sexto episódio de violência no seu estádio, em dois anos.

Na falta de um Centro de Treinamento seu, alugou um do jogador Vagner Love, por três anos. Mas, de vez em quando, se vê obrigado a fazer seus jogadores treinarem onde atuam, em São Janário.


Alas políticas se odeiam e sabotam a diretoria.

Membros de organizadas se dividem entre os comandantes políticos do clube e se agridem nas arquibancadas, durante a goleada que o time sofreu para o Cruzeiro, 4 a 0.


Os relatos de Mario Campos, delegado da Conmebol, e de Anderson Daronco, árbitro da partida, e as imagens da TV serão analisadas pela Unidade Disciplinar da Conmebol. A expectativa é que o clube sofra uma sanção parecida com a do Flamengo. Dois jogos com portões fechados e multa de R$ 1 milhão.

O presidente sabia desde ontem que o clube seria invadido. E torcedores terminariam o treino para cobrar os jogadores pelo vexame que o time passou na Libertadores, com a eliminação ainda na primeira fase, a de grupos.


A invasão acontece.

Atletas são cobrados.

Retrucam que classificaram o time para a Libertadores em 2017, mesmo com três meses de salários atrasados.

Segurança despreparado saca arma contra torcedores.

Tiros são ouvidos.

Por sorte, ninguém se fere.

A invasão termina.

A absurda e prevista invasão da organizada no treino do Vasco. Humilhante
A absurda e prevista invasão da organizada no treino do Vasco. Humilhante

O Vasco da Gama, mergulhado em crise, é o retrato claro da vulgarização da Libertadores da América. O paraguaio presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, resolveu aumentar o número de clubes na disputa da competição. Saltou de 38, que já era exagerado, para 47, a partir de 2017.

E por isso, clubes de tradição, mas que vivem medíocres, entram para o torneio. Iludem seus torcedores, que esperam que um milagre aconteça na competição. Depois chega o choque de realidade. E, no mundo atual, a resposta é apelar para a violência.

"Nos deixamos iludir pela Libertadores", reconheceu Zé Ricardo, na sua amarga coletiva, depois do vexatório 4 a 0 que o time tomou do Cruzeiro, em São Januário.

Ele tem tudo para estar arrependido.

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Zé Ricardo se deixou empolgar e tomou uma péssima decisão em fevereiro.

O jovem técnico estava orgulhoso por ter classificado o Vasco para a Libertadores. E virou as costas para uma proposta para ser o treinador do time egípcio do Al Ahli. Preferiu seguir em São Januário.

Zé Ricardo agiu como um torcedor fanático.

Só o fanatismo pode fazer com que a expectativa se instale no coração de alguém que seja fã de uma equipe que se classificou em sétimo no Brasileiro de 2017. Com uma campanha medíocre. Em 38 jogos, venceu 15, empatou 11 e perdeu 12. 

Com meio bilhão de reais em dívidas, lógico que não foram contratados reforços importantes. O time seguiu fraquíssimo. Decidiu e perdeu o insignificante Campeonato Carioca. Passou pela Pré-Libertadores eliminando o lastimável Universidad de Concepcion do Chile e o péssimo boliviano Jorge Wilstermann, nos pênaltis. Ganhou o primeiro jogo por 4 a 0. E perdeu pelo mesmo placar. Seria a primeira derrota de três por 4 a 0.

Depois, veio a fase de grupos e a esperança virou vergonha. Como tinha de ser. Porque o material humano de Zé Ricardo é muito ruim.

Perdeu logo na estreia, em São Januário, para a Universidad de Chile, 1 a 0. Empatou com o Cruzeiro em Belo Horizonte, em 0 a 0. Foi goleado pelo Racing, 4 a 0, na Argentina. Empatou com o Racing, em São Januário, 1 a 1. Foi goleado na quarta-feira para o Cruzeiro, em São Januário, por 4 a 0. Com o detalhe pouco comentado, o time mineiro diminuiu drasticamente o ritmo de jogo, depois que abriu os quatro gols de vantagem. Havia medo que houvesse uma invasão ao gramado por parte dos revoltados membros das violentas organizadas vascaínas.

Zé Ricardo. O primeiro dos iludidos. Imaturo, acreditou em milagre
Zé Ricardo. O primeiro dos iludidos. Imaturo, acreditou em milagre

O Vasco foi eliminado precocemente com uma campanha indigna de sua história.

Foram cinco partidas.

Dois empates e três derrotas.

Um gol a favor. 

E dez contra.

Saldo de menos nove.

Há 20 anos, o Vasco da Gama era campeão da Libertadores.

Agora, envergonha o futebol brasileiro.

Os mais de 30 anos de poder do ditatorial e retrógrado Eurico Miranda estagnaram o clube. O amarrou a um estádio ultrapassado. Gestões da mais completa incompetência, irresponsabilidade. Incapaz de construir sequer um Centro de Treinamento digno para seus profissionais.

A última eleição vascaína virou caso de polícia.

Eurico perdeu, mas não deixou Julio Brant levar. 

Colocou Alexandre Campelo na presidência.

E seu mandato é caótico.

Não consegue reagir diante das enormes dificuldades.

O Vasco não deveria estar disputando a Libertadores.

Não tem a menor estrutura.

Não adianta a truculência de vândalos infiltrados nas organizadas.

O clube precisa se fechar e tentar não ser rebaixado para a Série B.

As três vezes anteriores parecem não terem ensinado nada.

O caos de hoje em São Januário é filho da frustração.

Típico de quando a esperança vira desilusão.

Quem patrocionou essa criminosa ilusão foi a Conmebol.

Revólver no gramado
Revólver no gramado

Clubes mergulhados em crise não deveriam disputar a Libertadores.

Mas disputam.

Pela hipócrita politicalha de Alejandro Domínguez.

O Brasil vive uma profunda recessão.

Os melhores jogadores estão na Europa.

O nível do Campeonato Nacional é muito fraco.

O sétimo colocado do Brasileiro será sempre uma equipe pronta a vexames.

É exatamente isso que o Vasco fez.

Cumpriu seu papel de saco de pancadas na Libertadores.

Agora curte a sua violenta depressão.

E torce para ninguém morrer baleado...

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