Copa das Confederações 2013 Com protestos generalizados pelo Brasil, custo da Copa do Mundo pode ultrapassar estimativa de R$ 28 bilhões

Com protestos generalizados pelo Brasil, custo da Copa do Mundo pode ultrapassar estimativa de R$ 28 bilhões

Governo seria responsável por despesas em caso de cancelamento da Copa das Confederações

Com protestos generalizados pelo Brasil, custo da Copa do Mundo pode ultrapassar estimativa de R$ 28 bilhões

Relação entre a Fifa e o governo  ficou estremecida com protestos

Relação entre a Fifa e o governo ficou estremecida com protestos

Roberto Stuckert Filho/15.06.2013/PR

Os gastos do governo brasileiro para a realização da Copa do Mundo de 2014 podem superar os R$ 28 bilhões, custo estimado e revisado pelo governo federal para o evento na última terça-feira (18). Isso porque existe uma possibilidade — ainda que remota — de a Fifa pedir o cancelamento da Copa das Confederações, torneio-teste para o Mundial.  

Após casos de furtos de jogadores, assalto a torcedores, confrontos nos arredores dos estádios nas cidades onde ocorrem as manifestações e a ameaça de uma grande seleção (provavelmente a Itália) deixar a Copa das Confederações, a entidade máxima do futebol pode pedir a suspensão da competição, o que geraria um ônus ainda maior para os cofres públicos.  

De acordo com o artigo 22 da Lei Geral da Copa, “a União responderá pelos danos que causar, por ação ou omissão, à FIFA, seus representantes legais, empregados ou consultores”. Isso quer dizer que, caso ocorra o cancelamento do evento, a União é responsável por ressarcir a Fifa por eventuais prejuízos econômicos.  

Protestos contra a Copa do Mundo invadem estádios brasileiros

O artigo seguinte, de número 23, complementa a regra: “A União assumirá os efeitos da responsabilidade civil perante a FIFA, seus representantes legais, empregados ou consultores por todo e qualquer dano resultante ou que tenha surgido em função de qualquer incidente ou acidente de segurança relacionado aos eventos, exceto se na medida em que a FIFA ou a vítima houver concorrido para a ocorrência do dano”.  

Um indício de que a relação entre Fifa e governo não anda bem é a viagem do presidente da entidade, Joseph Blatter, para a Europa no meio da competição. Blatter participou da abertura da Copa das Confederações no Estádio Mané Garrincha, em Brasília (DF), e, na última quarta-feira (19), zarpou para a Turquia para acompanhar de perto uma competição de futebol sub-20 — ao invés de permanecer no País durante a competição. A viagem foi uma surpresa o governo brasileiro.  

A Fifa é uma organização que gosta de ter nas mãos e sob controle tudo o que ocorre dentro dos estádios durante as competições que realiza. Embora Blatter tenha dito que as manifestações “são um problema do governo brasileiro e dos governos estaduais e cabe a eles resolverem”, os protestos estão invadindo as arenas em dias de jogos, já que torcedores levam cartazes e faixas em apoio aos protestos.  

Oficialmente, a Fifa diz estar satisfeita com o andamento da Copa das Confederações e da construção dos estádios, mas nenhuma das 12 arenas da Copa do Mundo deverá estar finalizada até o final do ano. Segundo o site do diário britânico Financial Times, da última quinta-feira (20), o clima entre os dirigentes da Fifa é de “irritação e frustração”.