Blatter se diz preocupado com futuros protestos na Copa do Mundo
Presidente da Fifa elogia Confederações e revela que não esperava pelas manifestações no País
Copa das Confederações 2013|com agências internacionais

Tomando todo o cuidado para não soar antipático, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, deixou claro nesta segunda-feira (1º) o incômodo que lhe causou, e ainda causa, a onda de protestos que tomou de assalto o Brasil e a Copa das Confederações. Na entrevista coletiva que concedeu em um luxuoso hotel do Rio de Janeiro para fazer uma avaliação do torneio, o suíço mencionou várias vezes as manifestações, mesmo quando não foi perguntado sobre isso. Disse que está preocupado com os protestos, que podem ocorrer durante a Copa do Mundo 2014.
Blatter sempre exibiu seu desconforto por ter de lidar com um problema que não esperava encontrar no Brasil.
— Quando começamos, havia um certo temor do que iríamos encontrar. Mesmo que tenha existido a inquietação social, agora temos certeza de que essa inquietação está esfriando, não sei por quanto tempo.
Joseph Blatter considerou que a Copa das Confederações, encerrada no domingo (30) com a vitória do Brasil sobre a Espanha por 3 a 0, foi um sucesso, embora tenha feito ressalvas em relação aos protestos que vêm acontecendo país afora.
Blatter não quis dar uma nota para o torneio, mas aprovou a organização da Copa das Confederações.
— Quando estamos na universidade estudando, precisamos na conclusão do curso obter nota 8 para receber a graduação. Não sei qual seria a nota do Brasil, mas diria que o país se formará no ano que vem.
O Brasil está preparado para 2014?
Ao dizer que não sabe quanto tempo os protestos vão durar, Blatter escancara sua preocupação com a Copa do Mundo de 2014. São grandes as chances de as manifestações se repetirem no Mundial, talvez até de maneira mais intensa do que na Copa das Confederações.
Por isso, o chefão da Fifa tenta a todo custo diminuir a importância dos protestos contra os torneios organizados por sua entidade no Brasil.
— Não quero opinar sobre problemas internos do Brasil. O futebol serve para conectar as pessoas. Nunca dá para satisfazer a todos, então nós tentamos satisfazer o máximo de pessoas possível.
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Também presente à entrevista, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, defendeu a legitimidade das manifestações e lembrou que em nenhum momento o governo federal prometeu um evento completamente livre de problemas.
— Creio que cumprimos o desafio de realizar o torneio, mas em nenhum país em que se faz um evento desse tamanho o desafio é 100% cumprido.
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O ministro voltou a defender o investimento do governo na Copa das Confederações e na Copa do Mundo e garantiu que as obras de infraestrutura prometidas para o torneio do ano que vem estarão todas prontas, embora a maioria delas esteja muito atrasada.
— As obras têm de ficar prontas para a Copa do Mundo, não para a Copa das Confederações. E quero lembrar que elas são para a população, não para a Copa. Elas já seriam feitas de qualquer maneira, apenas o calendário foi modificado.
Rebelo deu ênfase à questão da segurança em meio aos protestos.
— Em meio a batalhas nas ruas, com pessoas lutando por seus direitos, conseguimos oferecer segurança a manifestantes, torcedores, jornalistas e delegações. Creio que ninguém tenha sido molestado pelos protestos. Os excessos foram enfrentados como deveriam. Aprendemos a antecipar problemas e soluções.
Por fim, o ministro afirmou que é preciso desassociar o que é gasto com Copa e Jogos Olímpicos do orçamento de outras áreas.
— Nós já dissemos, não há dinheiro federal em construção de estádio. Há recursos através de incentivos ou empréstimos. É preciso lembrar que neste ano o orçamento para saúde e educação é de R$ 190 bilhões, e o orçamento para esporte, incluindo aí Copa do Mundo e Olimpíada, não passa de R$ 2 bilhões. Então, não há desvio de verba de saúde ou educação para isso. O que há é subsídio, mas em diversas áreas.















