Silvio Lancellotti Tóquio, Dia 9 - O ouro de Rebeca Andrade, a menina de diamante

Tóquio, Dia 9 - O ouro de Rebeca Andrade, a menina de diamante

Com uma atuação espetacular na prova do Salto sobre a Mesa, na Ginástica Artística, a paulista de Guarulhos se torna a primeira do Brasil a ganhar duas medalhas numa mesma edição da Olimpíada.

Rebeca Andrade

Rebeca Andrade

Gaspar Nóbrega/COB

Paulista de Guarulhos, 22 de idade, Rebeca Andrade já havia ganho uma medalha de prata na disputa individual de Exercícios Combinados da Ginástica Artística, 57,298 pontos contra os 57,433 da norte-americana Sunisa Lee. Não participou da contenda a favoritíssima Simone Biles, acuada por uma crise impiedosa de estresse psicológico. Nas eliminatórias, antes de Biles anunciar a sua dolorosa desistência, Rebeca fôra a sua principal adversária, dona da segunda maior nota nos Combinados. Natural que, à parte Sunisa Lee, a Mídia subitamente idealizasse Rebeca como uma espécie de herdeira presumida de Biles.

Ela, numa selfie

Ela, numa selfie

Instagram Rebeca Andrade

Natural, ainda, que a responsabilidade desabasse, como uma avalancha, sobre o seu corpinho miúdo de 1m54 e 50kg. Porém, dotada de uma personalidade singular, com eficiência e charme, ela não se contaminou. Sem temores vãos, já havia superado, bravamente, um trauma físico, três cirurgias de joelho em quatro anos. Pois não apenas se tornou a primeira mulher do Brasil a conquistar uma medalha na Ginástica como, neste 1º de Agosto, o Dia 9 dos Jogos de Tóquio/2020, na prova do Salto sobre a Mesa, batalhou para ser a primeira a subir ao pódio duas vezes numa mesma edição do evento. Sim. Brava menina de diamante, muito mais luminosa do que do ouro que arrebatou.
 

Rebeca, depois do segundo salto, a convicção do triunfo

Rebeca, depois do segundo salto, a convicção do triunfo

Gaspar Nóbrega/COB

Das suas sete adversárias na decisão do Salto, apenas uma outra norte-americana, Jade Carey, havia recebido uma nota, na etapa de classificação, capaz de ameaçar Rebeca. De acordo com Adriana Rita Alvez, a Adri, coordenadora técnica da Confederação Brasileira de Ginástica, existia a possibilidade de Rebeca apresentar movimentos novos na prova, capazes de ampliar bastante a sua nota. Cada atleta realiza duas tentativas. A média fornece a sua pontuação. Terceira a se apresentar, Rebeca imediatamente assumiu a liderança com 15,083. Carey se exibiu em seguida, mas falhou dramaticamente. Com 15,333 no seu salto inicial a sul-coreana Yeo Seojeong assustou – Rebeca tinha obtido 15,166. No segundo, porém, Yeo aterrizou pessimamente e ficou com a média de 14,733. Quando a russa Angelina Melnikova escorregou, Rebeca  assegurou a prata. Então, restava aguardar outra russa, Lilia Akhaimova. Os 14,666 que Lilia recebeu no seu primeiro salto consolidaram o ouro da brasileira. Absolutamente impossível bater a sua média.

Fernando Scheffer

Fernando Scheffer

Sátiro Sodré/CBDA

Com 26 atletas, dez garotas e dezesseis rapazes, até este Dia 9 de Tóquio/2020, a Natação dos Brasil meramente havia conquistado uma medalha, o bronze de Fernando Scheffer nos 200m Livre. Várias esperanças de pódio se frustraram, principalmente nos revezamentos masculinos. No 4 X 100 Livre, com 3’11”99 de tempo de inscrição, o Brasil passou à final com a sexta marca, 3’12”59, e então, com meros 3’13”41, se limitou ao oitavo e último lugar. Repetisse o tempo de inscrição ficaria no mesmo sexto. No 4 X 200, inscrição de 7’07”12, o sexto tempo, também foi oitavo, 7’08”22. E no 4 X 100 em Quatro Estilos acabou desclassificado porque Felipe Lima, do Peito, queimou a largada ao receber de Guilherme Guido, Costas, na sexta posição. Os revezamentos femininos não tinham chance.

Poliana Okimoto, uma medalha, mas nas Águas Abertas

Poliana Okimoto, uma medalha, mas nas Águas Abertas

Sátiro Sodré/CBDA

Além de Scheffer, individualmente, Guilherme Costa, o Cachorrão, nos 800m, e Léo de Deus, nos 200 Borboleta, participaram de decisões. Das mulheres, Etiene Medeiros, que já fôra a melhor do planeta nas Costas, optou pelo Livre e nos 50m sequer passou pela fase de classificação. Seria merecedora de repreensões a Natação do Brasil em Tóquio? Não necessariamente. Nos Jogos do Rio/2016, apenas subira ao pódio uma vez, mas nas Águas Abertas, bronze de Poliana Okimoto na Maratona 10km. E se trata de outra modalidade. Na verdade, na Natação de piscina, mesmo, antes de Scheffer, não ganhava medalha desde os Jogos de Londres/2012, Thiago Pereira, prata nos 400m Medley, e César Cielo, bronze nos 50m Livre. No global, desde Tetsuo Okamoto, bronze nos 1.500m de Helsinque/1952, 14 lauréis, um de ouro, quatro de prata e nove de bronze. Alcançaria os 15 galardões?

Bruno Fratus

Bruno Fratus

Jonne Roriz/COB

Dependia de um atleta bem eficiente mas razoavelmente temperamental, Bruno Giuseppe Fratus, de Macaé/RJ, 32 de idade. Favorito a uma medalha nos 50m Livre no Rio, com 21”67, longe dos 21”50, seu índice de qualificação, Fratus empacou num quinto lugar e daí se celebrizou pela resposta que deu a uma inoportuna repórter de TV que lhe perguntou como se sentia. “Tou felizão!”, ele rebateu. Foi a Tóquio com o índice de 21”31 e, nas eliminatórias, lhe bastou a marca de 21”60 para assegurar a sua terceira colocação, atrás do francês Florent Manadou, com 21”53, e do norte-americano Caeleb Dressel, com 21”42.

Bruno e MIchelle

Bruno e MIchelle

Jonne Roriz/COB

Enfim realizou o sonho que já seguia desde a sua estreia discreta em Londres. Ganhou um bronze, que até seria prata, tivesse reagido melhor ao sinal de largada. Dressel levou o ouro, 21”07. Manadou, a prata, cravou 21”55, só dois centésimos abaixo dos 21”57 de Fratus. Detalhe: o francês consumiu 0,61 antes do pulo. Fratus gastou 0.64. Ou, três centésimos. De todo modo, um laurel merecido para o tal “felizão” de 2016. Como ele mesmo lembrou,  Michelle Lenhardt, a gaúcha sua esposa e também treinadora, lhe disse na conversa derradeira antes da prova: “Vai ser feliz. Eu te amo.” Pois Bruno Fratus foi.

Robert Scheidt

Robert Scheidt

Júlio César Guimarães/COB

Feliz com as performances da Ginástica e da Natação, o Time Brasil lutaria por medalha em um outro cenário. Na Vela, com o maior colecionador de pódios de toda a sua História Olímpica, o veterano Robert Scheidt. O Esporte de Scheidt, um paulistano de 48 de idade, até este Dia 9 já tinha propiciado 18 prêmios: sete de ouro, três de prata e oito de bronze. E cinco desses (dois ouros, duas pratas e um bronze) provinham exatamente de Scheidt.

Kahena Kunze e Martine Grael

Kahena Kunze e Martine Grael

Júlio César Guimarães/COB

Pena que, depois das dez regatas da sua classe, a Laser, ostentasse 86 pontos negativos e só ocupasse a sexta posição, 42 atrás da terceira e do bronze. Scheidt ainda participou na baía de Enoshima da chamada Medal Race, na qual os pontos contam o dobro. Necessitava ganhar e torcer por uma série de infortúnios dos rivais. Não deu. Terminou em nono na regata e em oitavo na classe. Triste a presença da Vela em Tóquio. Seu único e providencial consolo: nesta segunda-feira, dia 2 de Agosto, o 49er FX de Martine Grael e Kahena Kunze disputará a Medal da sua classe, com ótimas chances de bisar o ouro do Rio.

Rebeca Andrade, a número uim

Rebeca Andrade, a número uim

Miriam Jeske/COB


Gostou? Clique num dos ícones do topo para “Compartilhar”, ou “Twittar”, ou deixe a sua opinião no meu “FaceBook”. Caso saia de casa, seja cauteloso e seja solidário, use máscara, por favor. E fique com o abraço virtual do Sílvio Lancellotti! Obrigadíssimo!

Últimas