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De como o acaso aproximou o Corinthians e a Juventus da Itália

Nestes últimos tempos, uma série de eventos, do inesperado ao infortúnio, tornou bem parecidos os lados ruins das trajetórias de duas agremiações nas mesmas cores e nas coleções de sucessos

Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

A entrada do Parque São Jorge do Corinthians
A entrada do Parque São Jorge do Corinthians A entrada do Parque São Jorge do Corinthians

Nestes meados de 2022, o acaso e o inesperado tornaram o Corinthians e a Juventus de Turim mais semelhantes do que sugerem as cores dos seus uniformes. Não, não estou louco ao decretar qualquer comparação extra entre essas agremiações de antologia, cada qual à sua maneira. Aqui, o alvinegro do Parque São Jorge é um portento nos títulos regionais, 30, contra os 24 do Palmeiras e os 22 do São Paulo. Na Bota, a “bianconera” da Continassa tem 36 “scudetto” contra os 19 da Inter e do Milan. A torcida do “Timão” é uma das mais alentadas do Brasil. E a “tifoseria” da “Senhora”, a mais volumosa da Itália.

A entrada do Allianz Stadium da Juventus
A entrada do Allianz Stadium da Juventus A entrada do Allianz Stadium da Juventus

Não me refiro, porém, às parecenças óbvias e formais. Apenas ocorre que, em situações basilares e correlatas de suas atividades recentes, o Corinthians e a Juventus sofreram investidas de fato dramáticas de um inimigo abstrato que pode ser chamado de Destino ou, mais popularescamente, de Azar. Determinadas a não reprisar as humilhações das suas temporadas anteriores, as respectivas cartolagens se empenharam, e apaixonadamente, até, na procura de uma melhora. Tradução: a busca dos reforços indispensáveis e da justa compensação pelos desfalques. Pena, o Azar bloqueou a consolidação das mudanças.

Fabio Carille, tri pelo "Timão"
Fabio Carille, tri pelo "Timão" Fabio Carille, tri pelo "Timão"

O Destino passou a atuar, as coisas começaram a colidir e as coincidências a se superpor em 2020. O “Timão” provinha de um tri legítimo, 2017/18/19, mas cedeu o troféu ao Palmeiras, que não era campeão desde 2008. A “Senhora” advinha de um enea espetacular, nove triunfos em sequência, e entregou a taça à Inter, que não bordava um “scudetto” nos fardamentos desde 2010. No Corinthians se despediu o treinador Fabio Carille e, além de quatro interinos, se sucederam Tiago Nunes, Vagner Mancini, Sylvinho e agora o português Vítor Pereira. Na Juventus se foi Massimiliano Allegri e a esquadra ainda ganhou um torneio com Maurizio Sarri e daí penou com ele e com Andrea Pirlo, até a reconvocação de Allegri.

Maurizio Sarri, o treinador do nono título do enea da Juve
Maurizio Sarri, o treinador do nono título do enea da Juve Maurizio Sarri, o treinador do nono título do enea da Juve

Lusitano do Espinho, 54 de idade, ex-volante que pouco se sobressaiu em oito times sem qualquer destaque, Vitor Pereira inaugurou o seu currículo como auxiliar de André Villas-Boas no excelente Porto de 2010/11, ganhador da Europa League. Depois, como principal, contudo, no máximo levantou o laurel chinês de 2018 com o Shangai SiPG. Digamos que apareceu no Brasil na esteira de uma onda, provocada por Jorge Jesus, no Flamengo, e multiplicada, agora, por Abel Ferreira no Palmeiras. Com o empate de 1 X 1 diante do Avaí, em Florianópolis, neste sábado, dia 6 de Agosto, completou 37 jogos no “Timão”, 15 triunfos e 10 derrotas, 40 gols pró e 30 contra. Medíocre, embora seja o vice-líder do Brasileirão.

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Vítor Pereira
Vítor Pereira Vítor Pereira

Em seu favor, de todo modo, parece correto enfatizar que o Destino não lhe propôs uma única trégua. Até para que seu elenco pudesse disputar, simultaneamente, também a Copa do Brasil e a Libertadores, a diretoria lhe ofereceu, por exemplo, todo um meio-de-campo de repatriados: da China, Renato Augusto; da Inglaterra, William; da Arábia Saudita, Paulinho; da Ucrânia, Maycon. Todos os quatro, lastimavelmente, acabaram no estaleiro.

Renato retornou aos gramados no segundo tempo contra o Avaí e bateu o escanteio que redundou no tento de Balbuena. Mas, com 34 anos, não mais ostenta uma forma plena. Mal se safou de uma tendinite na coxa canhota, William se machucou num omoplata. Operado do joelho esquerdo, Paulinho só volta em 2023. Mal se livrou de um incômodo muscular, Maycon fraturou um dedo do pé esquerdo. E o “Timão” necessitará reverter os 0 X 2 que já engoliu do Flamengo, na Libertadores, e do Atlético/GO, na Copa do Brasil.

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O momento da lesão de Paulinho
O momento da lesão de Paulinho O momento da lesão de Paulinho

Um toscano de Livorno, 55 de idade, também um antigo volante que, em seu apogeu, no máximo atuou em sete partidas pelo Napoli de 1997/98, Allegri acumulou sete “Scudetto” na carreira, seis com a Juve, um com o Milan. Entre sua saída da “Senhora”, em 2019, e sua reaparição, em 2021, não fez absolutamente nada, apenas desfrutou os rendimentos dos seus quase R$ 36 mi anuais. Daí, logo ao reassumir o seu trono, constatou que não mais disporia de Cristiano Ronaldo, negociado com o Manchester United, e que, ah! impacto!, ainda precisaria reconstruir um elenco capengante. Recebeu um super-artilheiro, Dusan Vlahovic, da Fiorentina. Um infortúnio, todavia, lhe tirou Federico Chiesa, o parceiro perfeito do DV9 na equipe “Viola”, ligamentos cruzados do joelho esquerdo – e Chiesa, talvez, só pise de novo num gramado, com chuteiras, a partir dos meados do próximo Setembro.

O momento da lesão de Chiesa
O momento da lesão de Chiesa O momento da lesão de Chiesa

No “Nazionale” de 2021/22 a Juve ficou na precária quarta colocação e por milagre obteve vaga na Champions League. E, muito pior, o Destino igualmente interferiu no seu empenho para se tornar outra vez competitiva. Com o gajo CR7 no ataque, os seus companheiros de “Senhora” sabiam como centralizar nele as suas ações. Vlahovic, de todo modo, necessita de um tipo diferente de municiador. Sem Chiesa, foi a metade do que era na Fiorentina. Daí a cartolagem da “bianconera” se esmerar na refeitura do seu meio-campo. A Juve contratou Manuel Locatelli, da “Azzurra”. Mais Denis Zakaria, da “Naty” da Suíça. Mais Angel Di Maria, da “Albiceleste” argentina. E, a pedra mais preciosa, Paul Pogba, dos “Bleus” da França.

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Pogba, a lesão num treino boboca, sem bola
Pogba, a lesão num treino boboca, sem bola Pogba, a lesão num treino boboca, sem bola

Uma coroa perfeita para glorificar Vlahovic. Só que, da maneira mais estupidamente boboca, num treinamento sem bola, antes mesmo de um prélio de estreia, o joelho direito de Pogba sucumbiu, cisão num menisco lateral. O craque, apelidado “Polvo” por razões que dispensam uma explicação, pôde escolher entre diversas abordagens. Na alternativa mais aconselhável, uma cirurgia com 98% de chances de recuperação integral, quase certamente não disputaria a Copa do Catar. Na mais conservadora, e passível de uma recidiva, mera fisioterapia mais medicamentos, já estará no campo em três semanas. Pela Copa e por "Les BLeus", Pogba escolheu se arriscar. No entanto, uma aposta perigosíssima para a Juve.

Max Allegri, à espera de um bafejo da sorte
Max Allegri, à espera de um bafejo da sorte Max Allegri, à espera de um bafejo da sorte

Apesar do seu investimento, o Corínthians, péssimo em Floripa, corre o risco ostensivo de fracassar no Maracanã, dia 9, esta terça-feira, pela Libertadores – missão ingrata, pespegar três gols de folga sobre o Flamengo. E será só um tico menos árido criar igual vantagem de três tentos, em Itaquera, dia 17, uma quarta-feira, no Atlético/GO. Na Itália, a Juve abre a sua temporada pelo “Nazionale”, dia 15, uma segunda-feira, no seu Allianz Stadium, contra o perigoso time do Sassuolo. Até lá, Allegri sonha que lhe bafeje a Sorte e que a cartolagem lhe consiga ao menos mais três reforços – para a armação, a ala esquerda e a reserva de Vlahovic. Obrigatórios. No dia 25 acontecerá o sorteio da etapa de grupos da Champions League, e a “Senhora” torce para que, ao menos, o Azar não se intrometa em seu Destino.

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